
A Praça do Cruzeiro, um dos lugares mais simbólicos de Brasília, foi o cenário escolhido para o encerramento de uma expedição de motocicletas que percorreu mais de 8.300 quilômetros por cinco países da América do Sul. No sábado, 24 de outubro, depois de 20 dias de viagem, os motociclistas Cassiano Marques de Oliveira e Rodrigo Vidal chegaram ao ponto final da EXPERIÊNCIA PLANALTO CENTRAL – PANTANAL – UYUNI – ATACAMA – PACÍFICO, realizada pela EME Amazônia Experiências.
A escolha do local não foi casual. Foi na Praça do Cruzeiro que, em 3 de maio de 1957, ocorreu a primeira missa católica de Brasília, ainda durante a construção da capital federal. Para os expedicionários, terminar a viagem naquele espaço representou um gesto de agradecimento espiritual pelo retorno e pela conclusão de um projeto que exigiu planejamento, resistência e capacidade de adaptação.
Os abraços emocionados marcaram o fim de uma travessia que começou em Brasília, no dia 5 de outubro, e passou pelo Pantanal brasileiro, pelas estradas da Bolívia, pelo Salar de Uyuni, pelas grandes altitudes da Cordilheira dos Andes, pelo Deserto do Atacama, pelo litoral do Oceano Pacífico, pelas paisagens argentinas e pelo Paraguai, antes do retorno ao Brasil.
A expedição reuniu motocicletas de diferentes modelos e cilindradas, com acompanhamento logístico e programação estruturada. Ao longo do percurso, o grupo enfrentou chuva, frio, gelo, ventos fortes, tempestade de areia, estradas deterioradas e imprevistos nas fronteiras. Mas também encontrou hospitalidade, gastronomia, cultura e paisagens que deram à viagem uma dimensão muito além da quilometragem percorrida.
Os seis dias finais, entre 19 e 24 de outubro, resumiram bem o espírito da experiência: a última grande travessia das montanhas, uma mudança inesperada de fronteira, encontros com motociclistas paraguaios, despedidas e a chegada à capital federal.
A última travessia dos Andes: vinhedos, montanhas e florestas
15º dia — 19 de outubro | Cafayate – Termas de Río Hondo – Charata, Argentina
A segunda-feira começou com um dos trechos mais bonitos de toda a expedição. A saída de Cafayate, na Argentina, ocorreu às 7h30, sob condições favoráveis de tempo.
Nos primeiros quilômetros, as motocicletas seguiram pela histórica Ruta Nacional 40, cercadas pelos vinhedos que caracterizam a região de Cafayate, conhecida pela tradição vitivinícola e pelas paisagens dos Vales Calchaquíes.
A mudança de cenário começou quando o grupo deixou a Ruta 40 e ingressou na Ruta Provincial 307, em direção a Tafí del Valle, na província de Tucumán.
A estrada proporcionou uma despedida memorável das montanhas andinas. Depois de uma sequência de curvas e paisagens de altitude, os motociclistas iniciaram a descida em direção ao leste, observando um espetáculo natural: nuvens que se espalhavam abaixo da estrada, cobrindo parte dos vales.
À medida que a altitude diminuía, a vegetação também se transformava. A paisagem mais árida deu lugar ao verde das Yungas, formações de florestas montanas características dessa região da Argentina.
O trecho da Ruta 307 que atravessa a Quebrada de los Sosa é reconhecido pelo turismo argentino como uma estrada cênica, com curvas sucessivas, vegetação exuberante e áreas de preservação ambiental.
Depois da última sequência de montanhas, o grupo alcançou as planícies argentinas, que passariam a predominar nos dias seguintes.
Foram aproximadamente 688 quilômetros em dez horas e meia de deslocamento, com paradas para abastecimento e alimentação em Termas de Río Hondo e Quimilí.
A chegada a Charata, na província do Chaco, aconteceu por volta das 18h, com hospedagem e jantar no Catange Hotel.
Era o encerramento de um capítulo importante: depois de tantos dias nas grandes altitudes, as montanhas ficavam definitivamente para trás.
Uma fronteira fechada muda os planos rumo ao Paraguai
16º dia — 20 de outubro | Charata – Argentina – Assunção, Paraguai
A terça-feira trouxe um daqueles imprevistos que exigem decisões rápidas durante uma expedição internacional.
O planejamento previa sair de Charata, passar por Resistencia e ingressar no Paraguai pelo passo fluvial de Colonia Cano, na Argentina, em direção à cidade paraguaia de Pilar.
O grupo chegou ao posto fronteiriço por volta das 12h20, mas encontrou a passagem fechada naquele momento.
Segundo as informações obtidas no local, o atendimento seria retomado às 13h30, enquanto a balsa responsável pela travessia do Rio Paraguai somente chegaria às 15h.
A espera comprometeria a programação, especialmente porque ainda havia muitos quilômetros até Assunção.
A decisão foi retornar aproximadamente 41 quilômetros até General Mansilla e modificar o roteiro.
Os motociclistas seguiram pela Ruta Nacional 11, passando por Formosa e Clorinda, até o Paso Internacional San Ignacio de Loyola, na fronteira entre a Argentina e o Paraguai.
O caminho alternativo permitiu realizar os procedimentos de fronteira por via terrestre, dispensando a dependência da balsa. O registro feito pelo grupo incluiu a identificação das motocicletas no sistema de controle migratório.
O passo Colonia Cano–Pilar é uma passagem fluvial, enquanto a ligação Clorinda–José Falcón funciona por ponte internacional.
Já em território paraguaio, outro momento chamou a atenção: a travessia da moderna Ponte Héroes del Chaco, sobre o Rio Paraguai. Inaugurada em 2024, a ponte liga a região de Chaco'í à capital Assunção, facilitando a conexão entre as duas margens do rio.
A chegada à capital paraguaia ocorreu por volta das 16h, com acesso pela Avenida Costanera Norte, que acompanha a orla do Rio Paraguai. A hospedagem foi no Nobile Suites Excelsior Asunción.
O dia terminou de maneira bem diferente daquela tensão provocada pela fronteira: com um encontro entre amigos.
Hospitalidade paraguaia: encontros que enriquecem a viagem
Na noite de chegada a Assunção, os expedicionários foram recebidos pelo motociclista paraguaio Guille Challuf, acompanhado de seu amigo brasileiro Paulo Pavani, profissional especializado na preparação de motores de automóveis e motocicletas, residente no Paraguai há mais de 13 anos.
O encontro levou o grupo ao tradicional Lido Bar, para um jantar e uma conversa sobre viagens, motocicletas e a vida no país vizinho.
No dia seguinte, 21 de outubro, a programação foi dedicada ao descanso, a atividades pessoais e à manutenção das motocicletas.
Parte dos participantes aproveitou para conhecer centros comerciais de Assunção. Cassiano Marques e Ivan Moreira levaram suas respectivas motocicletas, uma Honda Africa Twin e uma Suzuki V-Strom, às concessionárias das marcas para as revisões previstas nos planos de manutenção.
Também durante a permanência na capital, Rodrigo e Karina Vidal decidiram que ela retornaria ao Brasil de avião, em voo programado para 22 de outubro, com destino a Brasília e conexão em São Paulo.
À noite, os laços de amizade ganharam mais um capítulo.
Guille Challuf e sua esposa, Maria, receberam os brasileiros em sua residência, no bairro Mariscal Estigarribia, para uma confraternização.
Paulo Pavani, acompanhado da esposa, assumiu a churrasqueira e preparou hambúrgueres na parrilla, em uma noite de conversas e troca de experiências.
Mais do que uma parada de descanso, Assunção proporcionou ao grupo uma oportunidade de conhecer aspectos do cotidiano paraguaio pela perspectiva de quem vive no país.
A hospitalidade dos anfitriões se somou às muitas demonstrações de amizade recebidas durante os 20 dias de viagem.
De Assunção ao Brasil: chuva, fronteira e longas distâncias
18º dia — 22 de outubro | Assunção – Pedro Juan Caballero – Campo Grande
Depois do descanso na capital paraguaia, a expedição retomou a estrada na quinta-feira, 22 de outubro, com quatro motocicletas e previsão de percorrer aproximadamente 766 quilômetros até Campo Grande, no Mato Grosso do Sul.
A partida ocorreu às 7h30.
Durante a travessia do interior do Paraguai, o grupo encontrou condições meteorológicas desfavoráveis. Por volta do meio-dia, uma chuva intensa obrigou os motociclistas a interromper temporariamente o deslocamento.
A parada em um posto de combustível durou aproximadamente uma hora, até que houvesse condições mais favoráveis para continuar.
Na cidade fronteiriça de Pedro Juan Caballero, os participantes realizaram os procedimentos migratórios de saída do Paraguai e aproveitaram para conhecer o Shopping China, um dos grandes centros comerciais da região.
A entrada no Brasil aconteceu pela fronteira com Ponta Porã, no Mato Grosso do Sul.
Ainda havia uma longa distância até Campo Grande. A chegada à capital sul-mato-grossense ocorreu por volta das 20h, encerrando mais um dia de aproximadamente 12 horas de deslocamento.
A partir dali, a expedição já não teria novas travessias internacionais. Restava cumprir os últimos quilômetros pelo território brasileiro.
As despedidas começam na estrada
19º dia — 23 de outubro | Campo Grande – Rio Verde
Na manhã de sexta-feira, 23 de outubro, começaram as despedidas entre os integrantes da expedição.
Depois de compartilhar milhares de quilômetros pelas estradas da América do Sul, Ivan Moreira se despediu do grupo e seguiu sozinho em direção a São Carlos, no interior de São Paulo, onde chegou por volta das 20h.
Cassiano Marques, Rodrigo Vidal e Eduardo seguiram viagem em direção a Rio Verde, em Goiás, em um percurso de aproximadamente 612 quilômetros.
A etapa foi marcada pela sensação de que o encerramento estava próximo. Depois de semanas entre fronteiras, montanhas e grandes desertos, o grupo voltava às paisagens familiares do Centro-Oeste brasileiro.
Ao chegar a Rio Verde, Eduardo também se despediu dos companheiros. Decidiu prolongar a pilotagem por mais 220 quilômetros, seguindo até sua residência em Goiânia.
A expedição, que havia reunido diferentes motociclistas ao longo do percurso, chegava à última etapa com dois integrantes: Cassiano e Rodrigo.
Últimos 437 quilômetros e uma chegada carregada de significado
20º dia — 24 de outubro | Rio Verde – Brasília
O sábado marcou o encerramento definitivo da experiência.
Cassiano Marques e Rodrigo Vidal partiram de Rio Verde para cumprir os últimos 437 quilômetros até Brasília, em aproximadamente seis horas de deslocamento.
A estrada já não apresentava os desafios das grandes altitudes bolivianas, dos trechos gelados dos Andes ou das extensas regiões desérticas atravessadas durante a viagem.
O sentimento, entretanto, era diferente.
A cada quilômetro, aproximava-se o momento de concluir uma expedição que havia exigido preparação, disciplina, confiança e companheirismo.
A chegada não aconteceu em um posto de combustível, restaurante ou estacionamento de hotel.
O destino escolhido foi a Praça do Cruzeiro, na região central de Brasília.
O lugar tem significado especial na história da capital: ali foi celebrada, em 3 de maio de 1957, a primeira missa católica de Brasília, durante o período de construção da cidade.
Para Cassiano e Rodrigo, encerrar a expedição naquele espaço representou uma manifestação de gratidão pela conclusão da viagem e pelo retorno.
Diante do monumento, as motocicletas finalmente pararam.
Vieram os abraços emocionados, as lembranças dos desafios vencidos e a satisfação de concluir uma experiência construída ao longo de 20 dias e mais de 8.300 quilômetros.
Era o fim de uma programação, mas também a confirmação de amizades e experiências que permanecerão muito além da viagem.
Planejamento e liderança: os bastidores de uma grande expedição
Para o advogado, instrutor de pilotagem e diretor da EME Amazônia Experiências, Cassiano Marques de Oliveira, o sucesso de uma expedição dessa dimensão depende de muito mais do que disposição para pilotar longas distâncias.
A organização envolve planejamento de rotas, avaliação das condições das estradas, procedimentos migratórios e aduaneiros, documentação, manutenção das motocicletas, apoio logístico e decisões que precisam ser tomadas durante o percurso.
Ao longo dos 20 dias, o grupo encontrou situações que exigiram mudanças de programação, atenção às condições climáticas e capacidade de adaptação.
Para Cassiano, a experiência confirmou a importância de conciliar preparação técnica com a valorização dos lugares e das pessoas encontradas durante a viagem.
“A EXPERIÊNCIA PLANALTO CENTRAL – PANTANAL – UYUNI – ATACAMA – PACÍFICO foi excepcional. Percorrer mais de 8.300 quilômetros por cinco países, em 20 dias, atravessando paisagens absolutamente extraordinárias, foi um desafio que exigiu preparo, determinação e espírito de equipe. Mais uma vez, ficou demonstrado que o planejamento criterioso, o conhecimento dos percursos, a preparação dos motociclistas e uma liderança comprometida são fundamentais para realizar uma expedição com segurança e proporcionar experiências marcantes. Voltamos com a satisfação de ter concluído mais um grande projeto, com muitas histórias, amizades fortalecidas e lembranças que certamente permanecerão para sempre”, declarou Cassiano Marques de Oliveira.
Cinco países, diferentes paisagens e uma experiência para recordar
A EXPERIÊNCIA PLANALTO CENTRAL – PANTANAL – UYUNI – ATACAMA – PACÍFICO começou em Brasília, no dia 5 de outubro, seguindo pelo Centro-Oeste brasileiro até o Pantanal.
Na Bolívia, os motociclistas conheceram cidades históricas, atravessaram regiões montanhosas e chegaram ao Salar de Uyuni, uma das paisagens mais emblemáticas da América do Sul.
A passagem pelo Chile levou o grupo ao Deserto do Atacama e ao Oceano Pacífico, antes do retorno aos Andes pela região do Paso de Jama, em direção à Argentina.
O trecho argentino reuniu cenários de grandes altitudes, salinas, vales, vinhedos e estradas sinuosas, incluindo a travessia de Cafayate até as florestas das Yungas.
No Paraguai, além das experiências em Assunção, o grupo conheceu a hospitalidade de motociclistas locais e vivenciou novas oportunidades de integração cultural.
O retorno ao Brasil encerrou um percurso que reuniu situações bastante distintas: do frio intenso nas montanhas ao calor das planícies, das estradas de altitude às grandes retas sul-americanas.
Também ficaram registrados os encontros inesperados, como aqueles com o motociclista Mario Marques, de 75 anos, que percorria a América do Sul em uma Honda Biz 125 e cruzou diversas vezes o caminho da expedição em território boliviano.
Essas histórias demonstram que uma viagem internacional de motocicleta não se resume aos quilômetros percorridos ou aos destinos visitados.
Ela também se constrói nos encontros, nas decisões compartilhadas, nas dificuldades superadas e na convivência entre pessoas que dividem a mesma paixão pelas duas rodas.
O fim de uma expedição, o começo de novas histórias
Na Praça do Cruzeiro, diante de um monumento que representa parte importante da história de Brasília, Cassiano e Rodrigo concluíram a última etapa.
Já não havia fronteiras a cruzar, hotéis para alcançar ou horários de saída para o dia seguinte.
Depois de 20 dias, cinco países e mais de 8.300 quilômetros, a EXPERIÊNCIA PLANALTO CENTRAL – PANTANAL – UYUNI – ATACAMA – PACÍFICO estava oficialmente encerrada.
O que permanece são as paisagens, as amizades, o aprendizado e a satisfação de transformar um planejamento de meses em uma experiência vivida até o último quilômetro.
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Box especial | A expedição em números
| Indicador | Resultado |
| Período | 5 a 24 de outubro de 2026 |
| Duração | 20 dias |
| Distância total | Mais de 8.300 km |
| Países percorridos | Brasil, Bolívia, Chile, Argentina e Paraguai |
| Ponto de partida | Brasília (DF) |
| Ponto de chegada | Praça do Cruzeiro, Brasília (DF) |
| Destinos de destaque | Pantanal, Santa Cruz de la Sierra, Sucre, Potosí, Salar de Uyuni, Oceano Pacífico, Deserto do Atacama, Paso de Jama, Cafayate e Assunção |
| Organização | EME Amazônia Experiências |
| Liderança | Cassiano Marques de Oliveira |
Serviço | EME Amazônia Experiências
EME Amazônia Experiências
Base operacional: Brasília – Distrito Federal
Contato/WhatsApp: (68) 99234-1111
Instagram: @emeamazonia
E-mail: contatoemeamazonia@gmail.com
Expedições internacionais, mototurismo, cursos de pilotagem e experiências de aventura.


































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