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IBGE: 8 mil adultos se declararam homossexuais ou bissexuais em 2019 no Acre

Os dados divulgados nessa quarta-feira (25) pelo IBGE, são da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) - Quesito Orientação Sexual, que investigou, pela primeira vez, e em caráter experimental, essa característica da população brasileira

26/05/2022 às 09h19
Por: Denis Henrique Fonte: Acreaovivo.com | Assessoria
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Cerca de 8 mil pessoas se declararam homossexuais ou bissexuais, no Acre, em 2019, o que correspondia a 1,3% da população adulta, maior de 18 anos. Já (2,8%) 17 mil pessoas não quiseram responder. Os dados divulgados nessa quarta-feira (25) pelo IBGE, são da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) - Quesito Orientação Sexual, que investigou, pela primeira vez, e em caráter experimental, essa característica da população brasileira. 

Em 2019, havia 592 mil pessoas de 18 anos ou mais no Acre, quais 52,2% eram mulheres e 48,1% eram homens. Desse total, 95,8% se declararam heterossexuais; 1,3% homossexuais ou bissexuais; 2,8% não sabiam sua orientação sexual ou não quiseram responder.

“O número de pessoas que não quiseram responder pode estar relacionado ao receio do entrevistado de se autoidentificar como homossexual ou bissexual e informar para outra pessoa sua orientação sexual”, analisa a coordenadora da pesquisa, Maria Lucia Vieira.

“O maior percentual de jovens que não souberam responder pode estar associado ao fato de essas pessoas ainda não terem consolidado o processo de definição da própria sexualidade. Resultados semelhantes foram obtidos em pesquisas realizadas em outros países, como o Reino Unido, por exemplo”, afirma Maria Lucia.

Na Região Norte 1,9% se declararam homossexual ou bissexual

O maior percentual foi no Sudeste, com 2,1% das pessoas adultas se declarando homossexuais e bissexuais, a menor no Nordeste com 1,5%, enquanto que no Sul e Centro-oeste tiveram taxas de 1,9 e 1,7% respectivamente.

Entre as unidades da federação, os maiores percentuais de pessoas que se declararam homossexual ou bissexual foram de 2,9% no Distrito Federal, 2,8% no Amapá e 2,3% no Rio de Janeiro, São Paulo e Amazonas. Os menores percentuais apresentados são 0,6% no Tocantins, 1,0% em Pernambuco e 1,2% no Ceará e Goiás Os percentuais obtidos para os estados não devem ser comparados, pois não são considerados significativamente diferentes entre si em função da margem de erro dessas estimativas.

Nas capitais o percentual de pessoas declaradas homossexual ou bissexual foi de 2,8%, acima da média nacional (1,8%), destacando-se Porto Alegre (5,1%), Natal (4,0%) e Macapá (3,9%).Rio Branco aparece em vigésimo quarto lugar com 1,7%.

Resultados da PNS refletem pesquisas semelhantes realizadas em outros países

Essa foi a primeira vez que o IBGE coletou dados sobre a orientação sexual da população brasileira. As informações foram divulgadas em caráter experimental, pois ainda não atingiram um grau completo de maturidade em termos de harmonização, cobertura ou metodologia. Até então, a estatística disponível sobre a temática LGBTQIA+ no Instituto era a de casais do mesmo sexo.

A PNS captou a orientação sexual de forma similar à utilizada em grandes pesquisas domiciliares que realizam esse tipo de investigação pelo mundo. A comparação dos resultados mostra que os dados da PNS não estão aquém dos gerados por outros países. Nos Estados Unidos, por exemplo, onde a coleta da orientação sexual pela autodeclaração é realizada desde 2013, a National Health Interview Survey (NHIS) mostrou que, em 2018, 3,2% das mulheres e 2,7% dos homens norte-americanos se declararam homossexuais ou bissexuais. No Brasil, a PNS, primeira experiência relacionada ao tema, mostrou que esses percentuais foram de 1,8% e 1,9%, respectivamente.

Metodologia da coletou a orientação sexual do informante e buscou garantir a privacidade dele

Os dados sobre orientação sexual foram coletados, em 2019, no módulo da PNS que investigou a atividade sexual, destinado aos moradores de 18 anos ou mais. Seguindo a metodologia da pesquisa, o entrevistado foi selecionado aleatoriamente, dentre os moradores do domicílio no momento da entrevista, para responder sobre sua orientação sexual. Ele respondeu à pergunta “Qual é sua orientação sexual?” e teve as seguintes opções de resposta: heterossexual; homossexual; bissexual; outra orientação sexual; não sabe; e recusou-se a responder.

Ciente de que esse tema é sensível, o IBGE buscou assegurar, durante a entrevista, a privacidade para que o informante pudesse responder à pergunta, sendo inclusive oferecido que ele mesmo preenchesse a resposta no Dispositivo Móvel de Coleta (DMC), utilizado pelos entrevistadores para o registro das informações.

 “Tivemos esse cuidado porque sabemos que o estigma social existente sobre lésbicas, gays e bissexuais, assim como o medo da discriminação e violência, gera um maior receio do entrevistado informar verbalmente para outra pessoa sua orientação sexual, especialmente em cidades pequenas”, observa Maria Lúcia Vieira.

Orientação sexual foi captada pela autoidentificação 

Assim como outras pesquisas ao redor do mundo, a PNS captou a orientação sexual dos entrevistados a partir da autoidentificação. Não foram investigadas outras dimensões da orientação sexual, como atração ou comportamento sexual. A coordenadora da pesquisa explicou que há pessoas que se sentem atraídas por outras do mesmo sexo, ou que ainda praticam sexo com pessoas do mesmo sexo, mas que não se identificam como lésbicas, gays ou bissexuais.

 “O fato de uma pessoa se autoidentificar como heterossexual, não impede que ela tenha atração ou relação sexual com alguém do mesmo sexo. Para a captação dessas diferentes formas de avaliar a orientação sexual, seria necessária a investigação do comportamento e da atração sexual, conceitos diferentes da autoidentificação, que não foram investigados na PNS”, explica Maria Lucia.

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