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O GATO PAGOU O PATO

E o “Americano”, embasbacado, logo atinou qual era o problema

23/01/2022 às 16h50
Por: Redação Fonte: Acreaovivo.com
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Dois jornalistas, amigos inseparáveis, trabalhavam juntos na Prefeitura e ainda tiravam mais um salário para completar o soldo necessário ao sustento da família, à noite, na TV Acre, como editores do jornal televisivo. Este esforço de jornada em dobro já lhes havia proporcionado a aquisição de seus veículos, sendo que um deles, o “Americano” - seu apelido - possuía uma camionete Pampa, imprescindível às atividades em seu pequeno sítio.

De uns tempos para cá, o galante e “bem apessoado” amigo de todas as horas, o “Bigode”, quase sempre às tardes, passou a pedir emprestada ao “Americano”, a camionete, alegando que era para transportar material para sua recém-adquirida fazenda, onde iniciara a criação de gado.

Desprovido de egoísmo, inocentemente, o colega permitia que o “Bigode” usasse seu utilitário, sem desconfiar de nada! E assim trocavam de chaves, caso precisasse sair.

Certo dia, quando o “Americano” foi ao banco, encontrou um amigo comum e com ele foi prosear. Mas, qual não foi sua surpresa quando recebeu uma descompostura!

- Você não é mais meu amigo! Seu tratante! Traidor!

- Mas... o que houve? Respondia, atônito, sem nada entender.

- Você está saindo com minha mulher! Não sei como não te mato!

- Como? Está havendo algum engano.

- Engano coisa nenhuma. Tenho provas! Você não tem uma camionete Pampa, cor de café com leite?

- Sim, tenho e daí? Não sou o único a ter um carro assim!

- Não adianta negar! Tenho foto. Veja! Esta é a placa de seu carro?

E o “Americano”, embasbacado, logo atinou qual era o problema. O amigo inseparável na verdade foi “amigo da onça”. Para não ser identificado por seu veículo, usava o carro do colega para suas saídas clandestinas com a amante, por quem estava irremediavelmente apaixonado.

A fama do “Americano” sustentava ainda mais a desconfiança do marido traído, pois o dito cujo era conhecido como mulherengo e sempre estava enroscado com alguma mulher casada. Não tinha como se explicar sem entregar o companheiro e ainda passar por covarde, ao não assumir o fato.

E, assim, “o gato pagou o pato” e perdeu um amigo, por ser fiel ao outro, que saiu lampeiro da enrascada! 

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