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ACRE EM NOTAS | Nada a declarar

Gladson Cameli teve oportunidade de se defender e apresentar sua versão a respeito das acusações no programa UOL News

15/01/2022 às 10h18
Por: Redação Fonte: Acreaovivo.com
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Governador Gladson Cameli foi entrevistado por jornalistas do canal UOL. Imagem: vídeo reprodução.
Governador Gladson Cameli foi entrevistado por jornalistas do canal UOL. Imagem: vídeo reprodução.

Oportunidade
Depois de ganhar manchetes nacionais por causa do vazamento das investigações da Operação Ptolomeu, de ser anunciado como o governador dos R$ 800 milhões, Gladson Cameli teve oportunidade de se defender e apresentar sua versão a respeito das acusações no programa UOL News, com excelente audiência na plataforma do portal do mesmo nome, nas redes sociais e no canal do Youtube.

Nada a declarar
Só faltou o governador usar essa frase na entrevista. Não avançou em nada do que vem falando desde que o problema começou. Esquivou-se de apresentar justificativas, apenas reafirmou que é inocente, que não há nenhuma irregularidade em seu governo e que seu patrimônio tem origem lícita e cresceu por causa da inflação.

Culpados
Também se recusou a apontar possíveis implicações eleitorais nas denúncias, ou a ação de desafetos e adversários. Disse que não queria politizar a investigação.

Por quê?
A grande dúvida é porque o governador agiu assim e não aproveitou a exposição para tentar reverter o desgaste de sua imagem no plano nacional. Há duas explicações. A primeira é a de que sua assessoria política e as pesquisas encomendadas detectaram que não ainda não houve estragos relevantes em sua base de apoio popular, que seus índices de intenção de votos permanecem quase no mesmo patamar de antes da explosão da Operação.

Perigo
Se foi essa a análise, ela é perigosa ao extremo. O governador não sofreu ainda um décimo da pressão que virá com a campanha em curso. Imaginar que continuará surfando a onda de simplesmente ignorar o problema é muito arriscado. Esperar que haja reversão do quadro ou que outros escândalos tomem o lugar dessas denúncias é jogar com a sorte.

Defesa
Outra possibilidade é que tudo seja uma estratégia da defesa. Mas muitas acusações contra o governador são procurastes, como a de ter desviado R$ 800 milhões e a de que as empresas de sua família terem faturado R$ 400 milhões. A defesa tem que ser brilhante para reverter as acusações antes que o caso vire arma eleitoral.

Contraditório
É certo que a investigação ainda não teve o contraditório necessário, mas é boa tática esconder o jogo, não dar sem sinais do que se têm em mãos? Seria o governador tão bom jogador de poker assim, capaz de guardar o jogo vencedor para esperar aumentar as apostas na mesa?

Assessoria
Independente disso, uma constatação: faltou mais uma vez assessoria ao governador no estado. A Comunicação não ofereceu sua versão do programa a tempo de alimentar os sites e as redes. O governador faz sua própria comunicação. O programa, que começou de forma agressiva, com os entrevistadores pulando em seu pescoço, sofreu interrupção de meia hora por problemas técnicos. Quando voltou, a pressão foi bem menor. Sabe-se lá o que governador conversou nesse período.

Vacina
A âncora do UOL News, a jornalista Natalia Mota perguntou ao governador sobre a vacinação de covid-19, no estado, com um dos menores índices de imunização do país, de 47%. O governador disse que pôs todas as necessidades de vacinas à disposição da população, que se vacinou quem quis, e incentivou os pais a levarem, os filhos para serem imunizados.

Tímidas
Na verdade, as campanhas de vacinação, governo e prefeitura, se mostraram muito tímidas, restritas. Não houve mobilização em massa. Em um estado naturalmente negacionista de vacinas nos últimos anos, isso é perigoso. Ocorre o mesmo com a cobertura de vacinas contra a gripe, também muito baixa.

Passaporte
O governador prometeu exigir o passaporte de vacina e impor sérias restrições para os não vacinados, que representam a maioria das novas internações. Vai ter muita gente reclamando.

ICMS
Os governadores, o do Acre incluído, e os secretários da Fazenda decidiram por fim ao congelamento da base do ICMS dos combustíveis, que se manteve por três meses.  No período de vigência do pacto que segurou uma alíquota fixa, os reajustes não pararam, o que provou que a culpa do preço alto da gasolina não é da ação dos governadores, mas da política de preços da Petrobras.

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