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Política Editorial

Bocalom quer criar cargos políticos, voltar com secretaria extintas e aumentar seu próprio salário

O mais recente ataque às obras de seus antecessores é a intenção de reverter a moralizadora reforma administrativa

10/01/2022 10h19 Atualizada há 3 semanas
Por: Redação Fonte: Acreaovivo.com
Tião Bocalom, prefeito de Rio Branco. Foto: divulgação.
Tião Bocalom, prefeito de Rio Branco. Foto: divulgação.

A psiquiatria identifica como clastomania o distúrbio em que a pessoa sente prazer em destruir objetos ou realizações. O prefeito Tião Bocalom poderia receber este diagnóstico ao se verificar o interesse mórbido em atacar e desfazer tudo o que administrações passadas na prefeitura realizaram. Especificamente, sua revolta se traduz em apagar qualquer realização dos ex-prefeitos Marcos Alexandre é Socorro Neri, baseado talvez na incapacidade de se aproximar de seu legado.

Primeiro, o novo prefeito mandou apagar do site da prefeitura todas as matérias, menções, fotos, reportagens, postagens sobre a administração anterior. Para quem acessa o site do poder municipal, a aparência é de que Rio Branco começou não há mais de cem anos, mas no dia primeiro de janeiro de 2021.

Novos ataques se multiplicaram. Bocalom eliminou os novos terminais de ônibus construídos na gestão passada. Aliás, parece estar empenhado em eliminar o próprio transporte urbano. Pelo menos 14 linhas já deixaram de circular. Os modernos ônibus biarticulados sumiram, a estrutura de linhas alimentadoras foi abandonada e o prefeito quer acabar até com o passe estudantil.

Trocou o uniforme dos trabalhadores na zeladoria por outra de suas manias: pintar tudo de azul. E sua ojeriza pela cor vermelha. Teme-se que sua ofensiva mude a cor da estrala da bandeira acreana, que deixaria de ser tinta no sangue de heróis, para refletir, talvez, só os de “sangue azul”.

A zeladoria do município desmontou todos os programas que executava no governo anterior, todas as licitações, que foram substituídas por certames que estão todos na mira das autoridades fiscalizadoras, com graves irregularidades, como a contratação de empresa não idônea para a coleta de lixo. Ou a contratação de uma empresa do interior paulista para gerenciar os mais de R$ 1,5 milhões a serem destinados ao abastecimento de combustível da pequena frota da secretaria.

A iluminação de led, que o prefeito recebeu com 65% da troca concluída foi paralisada, denunciada e esquecida. A denúncia de supostas irregularidades caiu no vazio como tantas acusações.

O mais recente ataque às obras de seus antecessores é a intenção de reverter a moralizadora reforma administrativa, que enxugou a prefeitura, reduziu despesas e criou um organograma mais racional, com menos cargos em comissão. O prefeito convocou a Câmara Municipal para criar duas secretarias e dezenas de cargos de livre nomeação. Isso para uma gestão que se dizia austera e que passou meses para escolher secretários estratégicos à guisa de economia.

O prefeito rapidamente esqueceu o fato de ter recebido o município com cerca de R$ 70 milhões em caixa.

Todas as mazelas do ano foram jogadas sobre as administrações passada. Bocalom disse que não fez mais em 2021 porque teve que administrar um orçamento que não era feito por ele. Ainda assim, gabou-se de ter economizado milhões, o que prova que, se ele tivesse aplicado esse dinheiro no que estava previsto, a cidade poderia estar melhor.

Agora, Bocalom está convocando os vereadores para votar a tal reforma administrativa e, de quebra, o aumento do próprio salário, da vice, dos secretários, chefes de autarquias e dos vereadores, enquanto os médicos continuam em greve em plena pandemia e surto de doenças respiratórias, sem qualquer resposta para sua justa reivindicação de reajuste dos míseros R$ 1.800 de remuneração.

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