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Cultura Por Edir Marques

MARIA JOANA

Logo ao descer do avião, três de nossos companheiros, dentre os quais um dos jornalistas, todos casados e deslumbrados com a possibilidade de uma aventura em terra alheia, foram abordados por uma dupla que ofereceu-lhes marijuana

28/11/2021 07h33
Por: Redação Fonte: Acreaovivo.com
Folha de maconha. Imagem reprodução internet.
Folha de maconha. Imagem reprodução internet.

Por Edir Figueira Marques

Era o dia 28 de julho de 1971. Data do sesquicentenário da independência do vizinho país peruano, que separou-se definitivamente da coroa espanhola, após a invasão do Exército Unido Libertador, sob a liderança do general argentino José de San Martin.

O time de futebol campeão do Acre, o Rio Branco Futebol Clube, carinhosamente apelidado o “Estrelão”, devido à estrela vermelha em sua bandeira, e eleito pela população como “o mais querido”, foi convidado para um amistoso com a seleção de Puerto Maldonado, como parte das comemorações da data. Esta cidade, situada à margem do rio Madre de Dios, fica a quase 600 km de distância da capital acreana. À época, não havia estrada, como hoje existe, bela rodovia construída pela firma brasileira Odebrecht.

A comitiva, formada pelo presidente do clube, diretores sociais e respectivas esposas, jornalistas e jogadores, deslocou-se por terra até a fronteira com a Bolívia e de lá embarcaram em um avião DC-3 para a cidade de Puerto Maldonado. A caminho do hotel, ficamos todos lisonjeados com as ruas enfeitadas de bandeirolas vermelho e branco, as cores do nosso time. Alegria que durou pouco, até sermos informados que a cidade estava ornada com as cores da bandeira peruana, em homenagem à data de sua independência.

Mas não foi apenas este “mico” que os “marinheiros de primeira viagem”, mal informados e ignorantes da língua e dos costumes locais, fizeram a comitiva passar!

Logo ao descer do avião, três de nossos companheiros, dentre os quais um dos jornalistas, todos casados e deslumbrados com a possibilidade de uma aventura em terra alheia, foram abordados por uma dupla que ofereceu-lhes marijuana, facilmente comercializada no país, onde também folhas de coca eram vendidas nas calçadas, para serem mascadas, costume indígena útil para enfrentar a altitude e a rarefação do ar, na cordilheira dos Andes, costume este que se estendeu àquela região da floresta amazônica. Nossos gentis rapazes, animados com a possibilidade de uma noitada diferente, de imediato, encomendaram uma Maria pra cada um, entendendo que era assim que se denominavam as damas de vida fácil, em peruano.

Foram para um hotel, longe dos demais membros da comitiva, já com segundas intenções. Lá tomaram banho, se vestiram com o melhor traje, se perfumaram e pediram Cuzqueña, cerveja da terra, que era servida na temperatura natural.

Ansiosos, aguardaram as meninas! Bateram à porta! O mais espevitado, metido a falar o “portunhol”, todo lampeiro, foi recepcionar as garotas. Deparou-se com os dois sujeitos que chegaram sozinhos.

Perguntou, desconfiado, arrastando o espanhol:

- Donde están las Maria Joanas, las mujeres?

Um dos camaradas puxou do bolso três “charutos” de maconha, entregando-os e informando o preço.

O rapaz, injuriado, ficou decepcionado e foi empurrando os muambeiros para fora do quarto, sob impropérios de ambos os lados.

Para arrefecer os ânimos, um dos colegas resolveu pagar a mercadoria, sem sequer tocar nos cigarros, pois não tinham o hábito de fumar dessa erva maldita.

Mas os dois vendedores se encarregaram de difamar o trio, xingando-os de “burlóns, canallas, desgraciados, hijos de perra” e outros adjetivos não menos recomendáveis.

Apavorados, no dia seguinte, trataram de mudar para outro hotel, desistindo de novas peripécias, ressabiados com a história que vazou entre os companheiros!

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Edir Figueira Marques
Sobre Edir Figueira Marques
Professora, mestre em pedagogia, escritora e poetisa.
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