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Cultura Conto

A pescaria de mandi

Nenhum peixe caía na tarrafa. O almoço ainda não estava garantido

24/10/2021 10h48
Por: Redação Fonte: Acreaovivo.com
A pescaria de mandi

Por Edir Figueira Marques

O juiz da capital era um homem simples e bonachão! Fazia amigos com facilidade e seu hobby preferido era uma boa pescaria com os amigos.

Sabendo disso, o prefeito de Brasileia prometeu levá-lo, numa manhã de domingo, a pescar mandi, pois também era fã desse esporte tradicional, comum na região de hábitos fluviais, pois o que não faltavam eram opções na bacia amazônica.

Assim, chegada a oportunidade, lá fomos nós, com os filhos, para a grande aventura.

O prefeito providenciou um barco a motor - um pequeno batelão - e, arrumada a tralha, descemos o rio Acre, à procura do local ideal para lançar a rede. Apreciávamos a mata luxuriosa, às margens do rio, cruzando aqui e ali com ribeirinhos que também aproveitavam o domingo ensolarado.

Na época de estio, o nível do rio baixa bastante e surgem praias de areia branquinha, convidativas para tomar sol e refrescar-se, mergulhando em suas águas barrentas e frias.

Já nos encontrávamos há boa distância da cidade. O prefeito e seus homens tentavam a sorte e nada. Nenhum peixe caía na tarrafa. O almoço ainda não estava garantido. E nosso anfitrião começou a ficar aflito.

As crianças, com alguma fome, lambiscavam biscoitos com guaraná. Irrequietos com o passeio, cuja monotonia já começava a entediar, sugerimos parar numa das praias para um banho no rio.

Enquanto isso, os homens pelejavam, lançando os anzóis e estendendo a rede onde encontravam algum poço mais fundo.

A meninada logo se juntou a outras crianças, filhos de ribeirinhos, mergulhando, batendo n’água, nadando e brincando de “manja”. Nesta brincadeira, acabaram afastando-se das mães e chegaram à foz de um igarapé que lançava suas águas no rio Acre.

Era uma festa! Com a gritaria própria de meninos excitados e alegres, parece que “acordaram” a piracema de mandis que se alojara no igarapé. Foi o bastante para chamarem os pais que, a esta altura, já se conformavam em fazer uma fritada de arraia, único peixe que haviam pescado até então.

Com o sorriso aberto, felizes, acorreram ao local e lotaram o grande isopor com dezenas de mandis gordos e graúdos.

Mas, o inusitado que marcou esta pescaria estava por vir.

Os guris entraram na tarefa de retirar os peixes com o esporão encravado na linha da tarrafa e jogá-los no isopor, já apostando quem colhia maior quantidade. As garotas, mais tímidas, ficaram observando, próximas ao isopor, contando, um a um, o resultado da farta pescaria. Nisso, um mandi, atirado com mais força, voou além do alvo e acertou, em cheio, o lóbulo da orelha de uma das meninas, ficando dependurado como um belo e surpreendente brinco!

Seria engraçado, se não fosse trágico! A garota, em prantos, gritava de dor! Rapidamente, todos encerraram a pescaria, e embarcamos de volta, o mais rápido possível, com destino ao hospital. 

No caminho, saboreamos alguns mandis fritos, uma das mais apreciadas iguarias do cardápio amazônico, mas com o gosto amargo de que nem tudo deu certo, naquele domingo que tantos folguedos prometia!

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Edir Figueira Marques
Sobre Edir Figueira Marques
Professora, mestre em pedagogia, escritora e poetisa.
Rio Branco - AC
Atualizado às 00h58 - Fonte: Climatempo
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