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Cultura Antonio Franciney

Sobre La Fontaine e "Os Garotos do Sótão"

Não é uma questão de bom ou melhor, não é uma questão de gostar ou não gostar de música, mas de se curvar à arte e ao talento

17/10/2021 20h40
Por: Redação Fonte: Acreaovivo.com
Antonio Franciney de Almeida Rocha é historiador e poeta. Autor da letra dos hinos de Porto Walter (1991) e Ministério Público do Estado do Acre (2017). Autor dos livros Quatro Colinas (2005) e Na Foz do Cruzeiro do Vale - A História de Porto Walter das o
Antonio Franciney de Almeida Rocha é historiador e poeta. Autor da letra dos hinos de Porto Walter (1991) e Ministério Público do Estado do Acre (2017). Autor dos livros Quatro Colinas (2005) e Na Foz do Cruzeiro do Vale - A História de Porto Walter das o

Por Antonio Franciney de Almeida Rocha

Não esqueça o Embalo 5, não esqueça o Ases, não esqueça o The Lions, não esqueça os festivais da Canção Cruzeirense e o Femucri, algumas das nossas referências musicais dos últimos anos 60 anos, apenas referencie os "Garotos do Sótão".

Não é uma questão de bom ou melhor, não é uma questão de gostar ou não gostar de música, mas de se curvar à arte e ao talento. O gosto por um não exclui o outro, pois a boa arte é derivada, encadeada e transcendente, e portanto, não envelhece, estando em constante renovação.

Nossos artistas e bandas do passado, e os que na atualidade são consagrados já, como os irmãos Alberam e Alberto Loro, foram os desbravadores que plantaram arte musical por aqui como um agricultor dedicado que planta em terra pouco fértil (o que não é o nosso caso) para colher com dificuldades, as vezes no fim dos anos, os frutos do zelo, de apostar, quando a maioria já desistiu de plantar. A cigarra e a formiga de La Fontaine é uma ode ao trabalho duro como garantia de sucesso nos invernos tenebrosos, mas, cá pra mim, penso que ela não representa aquelas personagens que trabalhavam cantando, que dedicaram seus melhores verões dando um duro danado no labutar diário e ainda assim, cantando, desenhando notas musicais mesmo nos quadros mais sombrios e taciturnos como os que vivemos.

E mais cá pra mim, penso que o gênio francês nos apresenta não uma oposição simples e indevida entre o trabalho e a arte. Quem sou eu para criticar uma fábula tão importante no mundo capitalista, cego e mouco de sensibilidade e empatia... prefiro acreditar que ele estivesse criticando cigarras e formigas alunas preguiçosas de um coral, que não gostam de ensaiar...

Dito assim, e arrodeando, para dizer que a música produzida atualmente pela "Banda Garotos do Sótão", do Conservatório Musical do Vale do Juruá é algo fabuloso, como apresentado na noite de ontem (15/10) no Teatro dos Náuas Alberto Loro.

O Conservatório Musical é uma bem sucedida parceria do Ministério Público do Estado do Acre com a sociedade civil e demais órgãos públicos que só poderia mesmo ter nascido aqui, nesta terra de contrastes que é a um só tempo, tão próspera e tão carente de oportunidades.

Talvez nossos jovens talentos nem saibam, mas percorrem trilha desbravada pelos mais antigos, pelos nossos artistas vencidos pelas dificuldades, vítimas da dicotomia possível à época - trabalhar, trabalhar e trabalhar para sobreviver ao inverno, ou trabalhar, cantar, trabalhar e encantar... feito formiguinhas e cigarrinhas.

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