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Cultura Conto

NOSTALGIA

Pois é incrível! Fiquei a refletir sobre os interesses, conhecimentos e desconhecimentos de nossas meninas-moças!

10/10/2021 08h39 Atualizada há 6 dias
Por: Redação Fonte: Acreaovivo.com
Com as netas e bisneta, das esquerda para direita: Mariana, Ana Clara, Katerine e sua filha Maria Eduarda, Ana Luíza. Foto: arquivo pessoal
Com as netas e bisneta, das esquerda para direita: Mariana, Ana Clara, Katerine e sua filha Maria Eduarda, Ana Luíza. Foto: arquivo pessoal

Ano de 2002. Fico pensando como a vida passa e a gente não se dá conta! Não sei a quantas andam as idades de quem hoje faz cultura no Acre. Minha vida foi tomando outro rumo, pois como canta Zeca Pagodinho... deixa a vida me levar... E agora, aposentada, mais que nunca a vida leva eu...

Mas, volta e meia estou aqui de novo e, desta vez, um sentimento de nostalgia me invade (será por que, ao me tornar imortal, como membro da Academia Acreana de Letras, pressinta que já estou mais perto daquela “outra imortalidade?”) É, no entanto, um sentimento gostoso de quem mata saudades...

Fazia um tour cultural, com minhas netas e suas amiguinhas pré-adolescentes, aproveitando, de forma saudável, uma tarde de férias. Gostei de visitar novamente nosso Palácio Rio Branco restaurado e tendo seu espaço aproveitado de forma tão surpreendente, com tanta sensibilidade! Dali, levei-as a conhecer a Biblioteca Pública Estadual e os serviços anexos.

Pois é incrível! Fiquei a refletir sobre os interesses, conhecimentos e desconhecimentos de nossas meninas-moças! Nascidas e vivendo aqui, pouco conhecem de nossa história, nossos prédios, nossa cultura.

Mas, fazendo as contas, atentei para a distância cronológica que nos separava. Nascidas na década de 90, quão “verdinhas” em seus 11, 12 anos! E elas se surpreendiam quando lhes mostrei a sala em que trabalhava no andar térreo do palácio, onde instalamos a Assessoria de Comunicação Social do Governo (1975) e explicava-lhes “o que funcionava onde”, em todos os ambientes!

Na biblioteca, relembrei, em conversa com a bibliotecária Regina, como encontrei nosso acervo, em 1969, ao assumir a direção do Departamento de Cultura - livros guardados em uma sala fechada no Colégio Acreano – e qual fora nossa luta para instalar e fazer funcionar nos altos da antiga Escola Normal Lourenço Filho (hoje CERB) a biblioteca, de acordo com os padrões estabelecidos, auxiliares de bibliotecários treinados, com livros catalogados, seção de empréstimos para leitores, estatística mensal do movimento etc.

E como foi doído ver de longe, após ser demitida, os livros serem apanhados e jogados dentro de um caminhão para ficarem empilhados no chão do prédio da antiga estação de passageiros, lá no Aeroporto Velho, sujeitos às intempéries... E olhe que era o mesmo governador que atendera ao meu pedido de autorização para trazer uma bibliotecária de Belém, para a organização da Biblioteca Pública.

Ao mesmo tempo, fico feliz de ver que a Biblioteca está bem mais organizada hoje, sendo revigorada com a oferta de serviços que a tecnologia nos proporciona, como a informatização, espaço e equipamentos para pesquisa pelos leitores na Internet, a videoteca, a filmoteca, cabine para som com CDs...

Desculpem-me as digressões – tenho que admitir que é próprio da idade! Afinal, “recordar é viver”...

Mas, fico achando que é nossa obrigação, dos mais antigos, testemunhar para as novas gerações a história de nosso passado, recompor a ordem dos fatos, fundamentar, enfim, as bases, as causas e as raízes das consequências do hoje, cujas origens se buscam, procurando reconstituir a verdade, a justiça, tentando explicar as limitações e as razões de uma época.

Até por que, parafraseando Durkheim, para que compreendamos o sistema de nosso tempo, não bastará considerá-lo tal como ele hoje se apresenta, porque todo e qualquer sistema é produto histórico, que só a história pode explicar.

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Edir Figueira Marques
Sobre Edir Figueira Marques
Professora, mestre em pedagogia, escritora e poetisa.
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Atualizado às 21h05 - Fonte: Climatempo
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