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O problema do gozo é ético e estético! Felizes para sempre?

Sigo aqui tentando sustentar o discurso do analista ecoando sem rumo ou sem garantias ...

10/10/2021 às 08h23
Por: Redação Fonte: Acreaovivo.com
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O problema do gozo é ético e estético! Felizes para sempre?

Por Talita Montysuma

Desde que Freud descobriu o inconsciente em 1898/1900 ele vem nos dizendo sobre uma economia psíquica que tem por função tentar fazer com que retornemos a um estado de equilíbrio que depois, em além do princípio do prazer em 1917/1920, ele percebe que é algo impossível e inominável de ser alcançado e experienciado e deu o nome de pulsão de morte, Lacan vai chamar de Real.

Essa busca repetitiva de algo que ilusoriamente buscamos em um “amor” ou dinheiro, que nos coloca como errantes em busca de relacionamos idealizados – pois existe uma estética, não é qualquer relacionamento que pode – e temos que ser também atravessados pela estética – carro de luxo, casas enormes com torneiras de 5 mil reais, roupas exclusivas, etc. – para que no fim chamemos isso de felicidade.

Outro bom velhinho, chamado Marx, vai falar de algo parecido sobre essa economia que não é só capital, mas também psíquica, uma vez que estamos a todo momento utilizando a mercadoria como um fetiche “[...] a mercadoria é, antes de mais nada, um objeto externo, uma coisa que, por suas propriedades, satisfaz necessidades humanas, seja qual for a natureza, a origem delas, provenham do estômago ou da fantasia” (MARX, [1867] 1980, p. 41).

Lendo a dissertação de Flávio Bastos sobre o discurso capitalista e o mal-estar-na cultura, ele fala de como Freud não sucumbiu ao brilho do conteúdo latente dos sonhos, assim como Marx não sucumbiu ao brilho sedutor do capital e Lacan, como bom discípulo dos dois, produz o antídoto para o discurso capitalista que fetichiza tudo, dando ao sujeito a fantasia de que não haverá barreiras, regras, moral e sobretudo ética, que é o discurso do analista.

O que quero dialetizar aqui é que comungo dos pensamentos do filósofo eslovênio Žižek, que coloca em outras palavras o que Lacan já dizia sobre esse discurso onde o sujeito se utiliza da mais-valia do gozo – mais-de-gozar – que, ao contrário do que Marx pensava, o capitalismo não colapsará, por pior que esteja, e é justamente aí, onde a desesperança e pulsão de morte se juntam, que o capitalismo se sustenta.

Hoje pensamos a nossa existência como uma pequena empresa: temos que dar lucros, vivemos relações máquina, pensamentos vidro, coração de pedra e emoções solitárias, como na música construção de Chico – morremos na contra-mão atrapalhando o tráfego.

Por isso digo que o mal-estar-na cultura em que vivemos é um mal-estar que foi anunciado a muito tempo, quando permitimos apologia a torturador em um “impichima” de araque. Não me choco ao ver o ministro da saúde ter COVID por não respeitar regras sanitárias, ou o ministro da cultura gastar seu o dinheiro da “Ruanê” com armas e tiros com os coleguinhas, ou o ministro da economia que se utiliza da máquina pública para ganhar dinheiro, ou o ministro da educação dizer que universidade não é lugar de pobre, ou o “véi-da-havan” permitir que usassem sua mãe de cobaia para um tratamento que já estava mais que decidido que não funcionava. Ou o conselho de medicina que não se posiciona em relação aos atos “mengueianos” de seus pares, o silêncio é brutal e necrótico.

Sigo aqui tentando sustentar o discurso do analista ecoando sem rumo ou sem garantias, sigo sem cérebro eletrônico, chorando quando estou triste, pensando sempre com meus botões de carne e osso, pois eu penso e posso – Gil (O Ministro da Cultura – Cérebro eletrônico).

 P.s. muitas palavras estão em letra minúscula pois estão à altura que merecem, assim como palavras escritas de forma “errada”.

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