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MEMÓRIAS ENGRAÇADAS E NEM TANTO... | O pássaro metálico

Quando dava uma rasante sobre a cidade, o criativo candidato fazia a alegria da criançada que corria a catar o que, de fato, lhe interessava, nas ruas que ficavam coalhadas de pedacinhos de papel

15/09/2021 12h38
Por: Redação Fonte: Acreaovivo.com
MEMÓRIAS ENGRAÇADAS E NEM TANTO... | O pássaro metálico

Por Edir Figueira Marques

Ano de 1962! O Território Federal do Acre acabara de ser elevado a Estado. Eleições à vista, para compor o primeiro quadro de representantes no Legislativo! Eram apenas sete vagas para deputado federal. Candidatos surgiram do Amazonas, de São Paulo, do Pará e, naturalmente, alguns acreanos. Em alvoroço, todos tramavam os meios mais originais para chamar a atenção e angariar voto dos eleitores, pois os meios de comunicação eram precários, haja vista que a capital acreana, isolada na imensidão da selva amazônica, só foi conectada por DDD ao restante do país, em 1974.

Numa cidadezinha de interior, em que, em grande parte, se praticava o escambo, a troca de favores era a moeda predominante. Os que moravam na zona rural, quase sempre, não cobravam por um cacho de banana, um saco de macaxeira ou de milho verde, quando os amigos lá iam buscar. Em compensação, ao se acharem na cidade, tinham garantido a hospedagem ou, no mínimo, um farto almoço!

Assim é que Dona Iracema, que sempre recebia, com simpatia, os compadres em sua casa, chamou seu filho Mauro e deu-lhe a incumbência de ir apanhar, na colônia do “Seu” Máximo, uns paus de macaxeira para preparar o lanche, em lugar do pão. A colônia ficava na confluência do igarapé Cafezal com o rio Iaco. Era por volta das duas da tarde. Mauro pegou sua espingarda de chumbinho emprestada, com que caçava passarinhos, e rumou em direção à colônia.

Estava arrancando umas raízes de macaxeira, quando ouviram um ronco. “Seu” Máximo, um jeca “do pé rachado”, assustou-se ao olhar para o céu e ver o estranho pássaro metálico que sobrevoava o Iaco, preparando-se para pousar na pista. Na sua ignorância de homem interiorano, que nunca saíra de sua terrinha, desconhecia um monomotor. De imediato, agarrou a espingarda do garoto e atirou no “bicho”! Justo, nesse momento, o aspirante a deputado, que encontrara um meio sui generis para fazer sua propaganda, despejou do avião dois sacos de “santinhos”, misturados com notas de um cruzeiro e muito papel picado. Quando dava uma rasante sobre a cidade, o criativo candidato fazia a alegria da criançada que corria a catar o que, de fato, lhe interessava, nas ruas que ficavam coalhadas de pedacinhos de papel.

O menino Mauro, desde cedo galhofeiro, dando uma de “João sem braço”, perguntou, de pronto:

 - Matou o bicho?

Ao que o inocente colono, entre atônito e satisfeito, respondeu:

 - Matá num matei! ...mas depenei o pássaro. Tá vendo? Olha “as pena” dele caindo...

E não é que, com essa brincadeira, o esperto político, que nascera em Boca do Acre, no Amazonas, se elegeu em segundo lugar, entre os sete candidatos que lograram ser eleitos pelo Acre?

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Edir Figueira Marques
Sobre Edir Figueira Marques
Professora, mestre em pedagogia, escritora e poetisa.
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