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Agrônomo Lourival Marques vê tecnologia, insumos e custo de produção como empecilhos para abastecimento de arroz e feijão na Capital

Depois de amargar severos prejuízos, segundo Marques, os poucos produtores de grãos que sobreviveram à crise migraram para a cultura da soja e do milho, mais rentáveis

29/08/2021 02h18
Por: Redação Fonte: A Tribuna
Agrônomo Lourival Marques vê tecnologia, insumos e custo de produção como empecilhos para abastecimento de arroz e feijão na Capital

O engenheiro agrônomo Lourival Marques, ex-secretário estadual de Agricultura do Acre, considera que o maior desafio do prefeito Tião Bocalom para o abastecimento integral da cidade com grãos será o de convencer os agricultores acreanos a produzir feijão e arroz na zona rural da capital acreana.

Para ele, será preciso um trabalho forte de convencimento por parte da Secretaria Municipal de Agricultura, para que os produtores façam o investimento e custeio necessário para o sucesso da atividade agrícola. Para isso, eles precisam também de uma garantia de comercialização da produção, Lourival Marques recordou que os municípios de Rio Branco, Bujari e Senador Guiomard já tiveram grandes produtores de arroz e de feijão no passado, mas enfrentaram baixa produtividade e alto custo dos insumos contra um valor comercial do produto que não conseguia competir com a alta produtividade e alta tecnologia empregada nos produtos procedentes de outros estados.

Depois de amargar severos prejuízos, segundo Marques, os poucos produtores de grãos que sobreviveram à crise migraram para a cultura da soja e do milho, mais rentáveis. Ele destacou que o cinturão verde da capital acreana ficou restrito à região da estrada da Transacreana, no trecho da BR- 364 até os limites Rio Iquiry, na área da Baixa Verde (na BR-317) e na comunidade do Quixadá (estrada AC-10). Apontou que todas essas regiões optaram pela atividade pecuária de corte e produção de hortaliças. Para Marques, o prefeito Tião Bocalom, para conseguir alcançar esta super produção de feijão e arroz como anuncia nos meios de comunicação, precisa convencer estes produtores rurais destas regiões citadas, a começar a plantar grãos, mas não será em um ano ou dois que isso acontecer porque a atividade pecuária tem sido muito rentável e de pouco risco.

“Tenho minha opinião com relação a cultura do arroz, pois até produz na nossa região, o problema é que precisa muito investimento em tecnologia”, declarou Lourival Marques.

O ex-secretário de Agricultura disse que os maiores gargalos são no campo da tecnologia; equipamentos e encorajamento dos produtores, já que o risco 100% do resultado positivo ou negativo é deles. Além disso, são necessários insumos e semente; assistência técnica; para a qualidade do produto colhido e beneficiado ser competitiva com os produtos que vêm de fora. Para investir na cultura será preciso a aquisição de sementes selecionadas, uma boa correção de solos e adubação adequada.  Lourival Marques considera que no sul do país a produtividade alcança de 150 a 180 sacas por hectare, enquanto no Acre não chega aos 70 sacos por hectare, “com esse resultado o preço para o produtor não compete com o arroz que vem de fora do estado”, lamentou.

Lourival Marques, ex-secretário estadual de Agricultura do Acre e ex-deputado estadual, adubando sua plantação de melancias.

Lourival comparou a situação usando como exemplo uma cultura que tem menos risco do feijão e do arroz, o milho que está em uma fase de crescimento no estado, porque houve investimentos em construção de silos graneleiro em Rio Branco, Senador Guiomard, Acrelândia, Plácido de Castro, Capixaba e Brasileia. Esses investimentos, feitos no governo passado, junto com a recuperação e construções de novos secadores para os armazéns da Cageacre no decorrer das gestões petistas ajudaram a desenvolver a cultura. Aquisição de máquinas e equipamentos pelos governos estaduais anteriores, segundo Marques, foi outro fator que favoreceu a cultura do milho puxada por uma demanda crescente deste produto para atender os donos de granjas de aves e os criadores de suínos que permitiu a instalação de fábrica de rações no estado. “Se não tivesse tido esse investimento de infraestrutura, tenho certeza que poucos produtores estariam produzindo o milho e agora mais recentemente a soja. Então para termos produção e uma boa aceitação comercial”, ponderou.

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