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Esportes Opinião

Jogos atípicos em tempos difíceis

Cancelar era a última opção, apesar do movimento contrário da população local, que chegou a fazer uma consulta pública que deu em torno de 70% de rejeição para o evento

31/07/2021 19h25
Por: Redação Fonte: Acreaovivo.com
Jogos atípicos em tempos difíceis

Por Marcus Albuquerque

Foi uma construção em pequenas partículas de sonhos, feita na época mais desconhecida da humanidade nos últimos tempos. Mas saiu! Hoje temos a realização dos jogos olímpicos de verão de Tóquio, no Japão.

Entre as incertezas, que adiaram por um ano o grande momento, a pior de todas era a de controlar uma contaminação em massa. Cancelar era a última opção, apesar do movimento contrário da população local, que chegou a fazer uma consulta pública que deu em torno de 70% de rejeição para o evento. Pouco tempo antes do início, também teve um movimento contrário da classe médica. Exigências sobre vacinação e exames pré embarque e pós chegada, isolamento inicial, restrição de circulação, cancelamento e participação de público presencial em todos os eventos etc. fizeram parte do pacote de controle e redução de riscos e danos.

A atipicidade relacionada a este momento se dá na preparação geral e os dois últimos ciclos de treino. Era o momento de graduar a carga, ajustar a intensidade e fazer todo o processo de treinamento dos anos anteriores convergir para o máximo de rendimento mas... em dezembro de 2019 tivemos a avalanche viral que iria mudar todo o panorama olímpico para o ano seguinte. Janeiro a abril de ano olímpico é, para a maioria dos esportes que tem classificação em ranking mundial, os últimos meses de pontuação. No planejamento geral, é a penúltima fase de ajuste e atingir um momento submáximo, ou supra máximo, vai depender do esporte em questão, é a meta a ser cumprida. Caso consiga a classificação, um pequeno intervalo de recuperação e reajuste, análise de resultados próprios e dos principais concorrentes, reavaliações e retomada do processo para atingir novo ápice durante a realização do evento.

A restrição de circulação e cancelamento dos eventos em 2019 foi uma ducha de água congelante em todos os planos possíveis. Passamos pelo confinamento, diversos atletas perderam quase todo o processo de construção anterior, muitos conseguiram manter alguma coisa, foram criadas as redes de sustentação de treinos e sanidade física e mental, a reformulação nas metas e a reeducação comportamental. As metas passaram de ciclos para horas. Era importante cumprir naquele dia o que tivesse que ser feito, plenamente, e aguardar a virada do dia seguinte para a análise conjuntural mundial, as novas situações de controle epidemiológico e o novo passo rumo ao próximo dia. Nunca a expressão “um passo de cada vez faz o vencedor da maratona” fez tanto sentido. E prevalece até hoje.

Elaine Thompson-Herah, com o tempo de 10s61, conquista novo recorde mundial 

Ainda não temos o panorama completo de desempenho, mas pelo que acompanhei até agora, já tivemos vários recordes olímpicos e mundiais quebrados, inclusive o dos 100m rasos no atletismo feminino, que durava 33 anos, da americana Florence Griffith Joyner. Este, até agora, foi o mais marcante, pela duração e pelo detalhe de que todas as medalhistas do pódio eram da Jamaica, sendo a vencedora a e a medalha de prata a atleta Shelly-Ann Fraser-Pryce (10s74), que foi ouro em Pequim 2008, Londres 2012, bronze Rio 2016 e buscava o tricampeonato, como seu compatriota Usain Bolt. O tempo da terceira colocada foi 10s74, o que mostra a hegemonia do trio, que chegou na linha final disputando cada centímetro.

Estes esportes que não precisam de integração tem mais facilidade para a manutenção do preparo e continuidade nos treinamentos, mesmo com as restrições impostas. Diferente dos que precisam de adversários para aprimorar as disputas ou para treinar entre si. Mesmo assim, um quarteto de judocas surpreendeu pela manutenção do alto nível competitivo e manutenção do status de campeões: o tcheco Lukas Krpalek foi campeão na categoria +100kg, sendo que é o único no mundo a ser campeão europeu, mundial e olímpico em duas categorias de peso diferente, porque antes ganhou tudo no meio-pesado (-90kg); os irmãos japoneses Abe repetiram o feito nos campeonatos mundiais e foram campeões no mesmo dia, masculino e feminino meio-leve (-66kg e -52kg); a francesa Clarisse Agbegnenou, penta campeã mundial, conquistou a tão sonhada medalha de ouro olímpica.

Vamos esperar o desenrolar da última semana para ter um melhor panorama sobre as surpresas que ainda virão, marcas a serem batidas, novas estrelas a brilhar (como a ginasta brasileira Rebeca Andrade) e tudo mais que só os jogos olímpicos podem proporcionar de emoção aos amantes dos esportes. E vamos com tudo sedimentar este fuso horário japonês, que nos deixa sonolentos no meio do dia e efusivos nas madrugadas fantásticas.

P.s.: Um dos condutores finais da tocha olímpica antes de acender a pira foi Tadahiro Nomura, primeiro atleta a conquistar três medalhas de ouro consecutivas em jogos olímpicos (Atlanta 1996, Sydney 2000 e Atenas 2004), na categoria -60kg, o que demonstra uma longevidade funcional extraordinária, pelo tempo de manutenção de alto desempenho numa categoria de peso tão difícil de fazer a manutenção.

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Marcus Albuquerque
Sobre Marcus Albuquerque
Professor de educação física, especialista em judô olímpico e pilates.
Rio Branco - AC
Atualizado às 08h16 - Fonte: Climatempo
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