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MEMÓRIAS ENGRAÇADAS E NEM TANTO... | Artes do cachorro Pula

Um deles gritou “Pega, Pula!” e o cão, que não esperava segunda ordem, como uma mola, levantou-se de um pulo e precipitou-se atrás do animal com o menino às costas, muito assustado. Sem comando, o cavalo, cada vez mais veloz, fugia da perseguição do Pula

25/07/2021 00h01
Por: Redação Fonte: Acreaovivo.com
MEMÓRIAS ENGRAÇADAS E NEM TANTO... | Artes do cachorro Pula

Por Edir Figueira Marques

Pula era um vira-lata que vivia na rua e que não fazia mal a ninguém. Calmo, tranquilo, mas não gritasse “Pula” que ele se arremessava em disparada atrás de quem estivesse na frente. Apenas corria como louco, não mordia. Por seu tamanho, no entanto, assustava quem não o conhecesse!

Newton era um garoto quase tão calmo quanto o cão. De tão cândido, se tornava tolo. Até no falar era devagar.

Nesta época, os animais pastavam nas ruas e praças da cidade interiorana. Não havia calçadas nem cercas e as ruas eram de barro, tomadas de capim alto que fazia a alegria dos carneiros, cavalos e gado que viviam soltos, para júbilo do prefeito que não precisava mandar bater o mato e assim economizava alguns trocados da Prefeitura.

Um dia, Newton foi fazer um mandado de sua mãe, no comércio. O rebanho do “seu” Abdom estava a pastar, como quase sempre. Só que alguém resolveu gritar “Pega Pula!” E o enorme cão iniciou uma corrida alucinada atrás dos carneiros, que, por sua vez, se desorientaram desabalados. Infeliz do menino que estava no caminho e foi alvo do Pula, que jogou-se por cima dele, derrubando-o no chão.

Socorrido, levaram-no a casa e sua mãe ministrou-lhe os primeiros socorros. Deve ter desmaiado, porque ao despertar, Dona Bezita perguntava-lhe:

- Conte meu filho. Como foi?

E ele, ainda perturbado, em sua fala mansa, dizia:

- Foi assim, eu estava indo. O Pula vinha! E aí, num sei não!

 A mãe mais tarde, voltava a perguntar:

- Que aconteceu, afinal?

E o garoto contava a mesma história. Só sabia que o Pula veio em sua direção. Depois, nada mais. Tudo se apagou.

Seu irmão, embora mais esperto, também passou por “poucas e boas” com o inofensivo e dissimulado cão.

Dentre as distrações da meninada, antigamente, a grande aventura, a que ninguém escapava, era montar a cavalo, em pelo, com as mãos agarradas à crina, equilibrando-se com as pernas arqueadas, presas com força, em torno do dorso do animal e sair a galope pelo campo, com o sol a bater-lhe no rosto e o vento a esvoaçar-lhe os cabelos. Era a glória! O equídeo não era problema. Havia-os a escolher, enquanto pastavam livres e soltos!

E Mauro resolveu enfrentar o desafio. Galgou o lombo do cavalo e lá se foi, lépido e fagueiro. Só não contava com a malinagem da garotada que acompanhava o feito. Um deles gritou “Pega, Pula!” e o cão, que não esperava segunda ordem, como uma mola, levantou-se de um pulo e precipitou-se atrás do animal com o menino às costas, muito assustado. Sem comando, o cavalo, cada vez mais veloz, fugia da perseguição do Pula. Entrou no quintal de uma casa, onde a senhora estendia no varal os lençóis que acabara de lavar, carregando tudo que estivesse pela frente. Um lençol foi arrancado da corda e cobriu a cabeça do animal que, atarantado, galopava sem ver. O cavaleiro, apavorado, suava frio, rezando para que aquela aventura tivesse fim.

Sôfrego, sem destino, ao léu, a corrida tomava um rumo perigoso, em direção ao barranco do rio. Mauro escorregava no dorso suado e liso do cavalo, já sem forças! E o Pula não se arrredava... Continuava latindo e correndo como um louco atrás deles. Foi quando atravessaram a vala em declive, por onde escoava a água da chuva, canalizada até o rio. As pernas do garanhão dobraram e deslizaram, freando até estancarem mais adiante. E o menino levantou-se ileso, coberto de lama, lambido pelo Pula, todo faceiro, sob uma salva de palmas, dada por todos que assistiam o desenrolar daquela peripécia, que tanto divertiu os assistentes e que, entusiasmados, gritavam:

- É campeão! É campeão!

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Edir Figueira Marques
Sobre Edir Figueira Marques
Professora, mestre em pedagogia, escritora e poetisa.
Rio Branco - AC
Atualizado às 08h18 - Fonte: Climatempo
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