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MEMÓRIAS ENGRAÇADAS E NEM TANTO... | O valentão

Não deixou de ser valentão, mas, com a facilidade em fazer amigos, com quem esbanjava malas de dinheiro, após a venda da borracha, era respeitado e bajulado por todos que usufruíam das monumentais farras

18/07/2021 00h00 Atualizada há 1 semana
Por: Redação Fonte: Acreaovivo.com
Imagem de PublicDomainPictures por Pixabay
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Por Edir Figueira Marques

Os fortes sobrevivem à orfandade, assim como às intempéries, graças ao instinto de sobrevivência ou, segundo Darwin, à Lei de Seleção das Espécies. Enquanto crescem, vão forjando a personalidade, diante dos obstáculos da vida, driblando as pedras do caminho.

E foi assim, que o mais velho dos quatro filhos órfãos, agravado pelo afastamento dos demais irmãos, ao ser levado para outra cidade vizinha e ser criado por uma família caridosa, se tornou um rapagão de mais de um metro e oitenta, espadaúdo, bonito e valentão.

Ferrenho partidário do Partido Trabalhista Brasileiro – PTB, envolveu-se em uma briga com políticos do Partido Social Democrático – PSD, adversários na disputa eleitoral. A briga foi tão feia que teve a intervenção da polícia, com abertura de um Boletim de Ocorrência na única delegacia local.

Como só havia juiz em outra cidade, distante cerca de cinquenta quilômetros, o delegado, aproveitando o avião que estava na pista, preparou-se para levar o inquérito concluído, a fim de ser julgado pelo magistrado que tinha jurisdição prorrogada até aquela comarca. Enquanto o avião da FAB “tanqueava”, um soldado disse para o valentão que iam pedir a prisão dele. Ah! Pra quê! O petebista correu até a pista, agarrou o delegado, tomou-lhe a pasta com o inquérito e sumiu da cidade com o processo.

Tratava-se de um rapaz que havia conquistado a amizade e simpatia de muitos e o comandante, um de seus amigos, ao ser indagado, logo declarou: “Eu não vi nada!”.

O juiz, ao saber do ocorrido, montou em um burro e foi de uma cidade à outra, na falta da aeronave que não tinha dia certo para pouso e decolagem. Mas, quem disse que encontraram o infrator ou o processo?

Ele fugira de embarcação para uma cidade amazonense e, daí em diante, foi trabalhar em seringal, tornando-se, bem mais tarde, um rico e próspero seringalista.

Não deixou de ser valentão, mas, com a facilidade em fazer amigos, com quem esbanjava malas de dinheiro, após a venda da borracha, era respeitado e bajulado por todos que usufruíam das monumentais farras, que duravam enquanto ele permanecia na cidade, abastecendo o batelão até zarpar para seu seringal. Depois, era protegido por seu fiel guardião, o Radial, homenzarrão, motorista de taxi, que gozava da exclusividade de seu contrato, durante todo o período em que ficava hospedado no único hotel da cidade àquela época, o Hotel Chuí. Radial, além de receber por seus serviços, desfrutava “de quebra”, dos prazeres das noitadas em botequins e cabarés, que o seringalista frequentava.

Quando o patrão se ia, ficavam os comentários e as narrações dos feitos homéricos daquele homem, cuja fama crescia e cujas histórias faziam dele uma lenda entre os frequentadores dos bares e boates daquela pequena cidade do interior.

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Edir Figueira Marques
Sobre Edir Figueira Marques
Professora, mestre em pedagogia, escritora e poetisa.
Rio Branco - AC
Atualizado às 12h45 - Fonte: Climatempo
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