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O Corpo

Lacan, quando faz uma releitura de Freud no seminário 01 (1953-1954), nos diz que quando nascemos somos pequenos pedaços de carne

16/07/2021 15h39 Atualizada há 2 semanas
Por: Denis Henrique Fonte: Acreaovivo.com

Por Talita Montysuma

Lacan, quando faz uma releitura de Freud no seminário 01 (1953-1954), nos diz que quando nascemos somos pequenos pedaços de carne. Ele usa essa expressão para metaforizar a nossa condição alie-nada em relação aos que cuidam ao longo da maternagem e que através da linguagem vão se tornando sujeito do desejo.

Por já ser posto por Lacan, é no estádio do espelho que essa construção se dá por esse olhar do outro, que constrói através de signos, nomeações, lalangues, significados, fantasias do outro sobre mim e tudo que a linguagem pode abarcar. Esse corpo é minha regra?

Ele também traz em sua teoria que o Real é tudo que escapa a palavra, um exemplo disso é a morte, não há nada no campo da linguagem que o faça se inscrever em palavras – “O inconsciente é o testemunho de um saber, no que em grande parte ele escapa ao ser falante” (Lacan 1972-1973).

Uma das representações do real é a (“A” mulher) com A maiúsculo em uma tentativa de se nomear algo que não tem uma marcação simbólica como o homem, que é o falo, uma vez que muito superficialmente tendo, talvez em vão, dar sentido a conceitos tão complexos, lhes digo que talvez é “ID-isso” que se tratam esses corpos. Digo corpos, pois por estarmos fora da letra signo de representação somos muito assustadoras. Escrevendo agora lembro-me da música “Infinito Particular” da Marisa Monte que diz “Só não se perca ao entrar, no meu infinito particular”.

Seria esse mistério perturbador o que coloca o corpo feminino na fogueira sempre? Seria isso que, aliado ao patriarcado e ao capitalismo, tem tanto medo que vem, ao longo do tempo, tentando marcar esses corpos como propriedade? E as mulheres que dançam com lobos e são entregues à fogueira e/ou são marcadas com a letra escarlate da hipocrisia cotidiana?

As histéricas de Freud são simplesmente mulheres que podiam exercer sua sexualidade na sua potencialidade, eram como as mulheres de Atenas, viviam para os caprichos do pai, depois maridos e filhos com a promessa de que viveriam uma vida de princesa. É cilada Bino!

Nessa pandemia, o último véu da negação foi tirado do lar, essa instituição sagrada, e ficar em casa para salvar a própria vida se espelha no horror diante da violência do príncipe para a princesa. Em 2020 houve 105 mil denúncias de violência doméstica no Brasil, e essa pandemia violenta e assassina sempre é uma “gripezinha”.

Por justamente me vestir da máxima lacaniana “A mulher não existe” é que grito em português: “Ano passado eu morri, mas esse ano eu não morro!” e convoco as minas, as manas e as monas para gritar junto – “Ei otário! O corpo é meu!” e ele é lindo e tem vida!

A sororidade com nossas irmãs cis e trans é uma obrigação ética, juntemos nossos corpos, pois sem ele não há e não haverá “Pólis”, pois toda a humanidade veio de uma mulher. Dedico a esse texto à Pamella Holanda e às 12 mulheres que denunciaram o assédio cometido pelo Secretário de Saúde Municipal, pela coragem e inspiração.

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Talita Montysuma
Sobre Talita Montysuma
Psicóloga, especialista em Clínica Psicanalítica.
Rio Branco - AC
Atualizado às 12h45 - Fonte: Climatempo
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