Terça, 27 de Julho de 2021 10:04
(68) 99971-5137
Senado Federal Senado Federal

Contra novas 'mortes evitáveis', depoentes defendem vacinação e lockdown

Para impedir que o Brasil registre outras milhares de “mortes evitáveis”, os participantes da reunião desta quinta-feira (24) da CPI da Pandemia de...

24/06/2021 17h45
Por: Redação Fonte: Agência Senado
Jefferson Rudy/Agência Senado
Jefferson Rudy/Agência Senado

Para impedir que o Brasil registre outras milhares de “mortes evitáveis”, os participantes da reunião desta quinta-feira (24) da CPI da Pandemia defenderam a aceleração da vacinação e a adoção de medidas não farmacológicas como o lockdown

A diretora-executiva da Anistia Internacional no Brasil e representante do Grupo Alerta, Jurema Werneck, afirmou que diante da então desconhecida pandemia era justificável a defesa do uso de medicamentos sem comprovação científica, mas lembrou que os países já corrigiram suas rotas e descartaram essas e outras iniciativas ainda defendidas pelo presidente da República, Jair Bolsonaro.

Já no início do primeiro ano da pandemia, países corrigiram sua rota. É urgente que a gente corrija a rota — apontou Jurema. 

Em resposta a Tasso jereissati (PSDB-CE) sobre quais as medidas urgentes o Brasil precisa tomar, Hallal defendeu a vacinação de 1,5 milhão pessoas por dia, em média; e três semanas de lockdown para “começar a olhar a luz no fim do túnel”. Ele também enfatizou a necessidade de campanha para informar a importância da imunização com duas doses e alertou que as pessoas não devem escolher vacinas. 

O epidemiologista e pesquisador da Universidade Federal de Pelotas apontou que o Brasil não seguiu o “bê-á-bá” na contenção da epidemia até o momento e, por isso, registra alguns dos piores índices no mundo. Hallal citou “os sete pecados capitais” cometidos pelo país no enfrentamento da doença: demora na compra e desestímulo à vacinação; pouca testagem, rastreamento de contatos e isolamento; ausência de liderança do Ministério da Saúde e de um comitê de crise; desestímulo ao uso de máscaras; promoção de tratamentos ineficazes; uso de uma abordagem clínica em vez de epidemiológica; e falta de uma comunicação unificada.

Tanto para Jurema Werneck quanto para Pedro Hallal é necessário responsabilizar aqueles gestores que insistem em atacar a ciência em defendem medidas sem comprovação. Para o Hallal, o presidente Bolsonaro tem responsabilidade direta em parte das mortes por covid-19.

Quem disse que vacina transforma a pessoa em jacaré foi o presidente da República, não foi o governo federal — avaliou o pesquisador.

Marcos Rogério (DEM-RO) afirmou que decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de dar autonomia para estados e municípios decidirem medidas de combate à pandemia deixou o governo federal "tolhido da coordenação do enfrentamento". 

Há uma tentativa de se minimizarem os efeitos da decisão do Supremo, o que não se sustenta. Quando o Supremo deu autonomia para estados e municípios fazerem de forma plena a gestão da pandemia em seus territórios, não sobrou espaço algum para a União — afirmou. 

Senadores governistas também criticaram correlação entre o número de mortes por covid-19 e o percentual de votos obtido por Jair Bolsonaro nas eleições de 2018 apontada pelo pesquisador Pedro Hallal. Segundo ele, quanto maior o número de votos em Bolsonaro, maior o número de casos e mortes pela doença. Mas Fernando Bezerra (MDB-PE) rebateu e apontou que a afirmação não tem base científica e serve apenas a uma “narrativa”.

— Então, eu acho que é preciso ter cautela na hora de fazer as afirmações. Eu acho que o estudo está muito bem-feito, está muito bem conduzido, foi reconhecido com todo rigor técnico. Do que eu estou discordando é da narrativa que se está tentando construir aqui a partir desses números — apontou o senador. 

Luis Carlos Heinze (PP-RS) disse que a afirmação não se sustenta. 

— Eu só filtrei aqui 23 municípios, Pedro, 23, em que eu casualmente olhei a maior letalidade no Brasil. Desses 23 municípios, em 6 o Bolsonaro ganhou e em 17 o Haddad ganhou. Então, é um pouco diferente daquilo que você fala — afirmou Heinze. 

Tratamento precoce

Depois que Luis Carlos Heinze (PP-RS) defendeu o uso de “medicamentos reposicionados”, Simone Tebet (MDB-MS) e Soraya Thronicke (PSL-MS) pediram responsabilidade e cuidado aos colegas para não divulgarem nome de remédio sem eficácia na CPI para evitar o incetivo ao uso. 

— As pessoas podem acreditar que todos foram salvos por uma medicação. Eu tenho um amigo que está intubado agora, com esse tratamento — criticou Soraya. 

Jurema Werneck reforçou que lideranças têm de dar o exemplo que é importante não propagar notícias falsas.

Lideranças não podem propagar desinformação. Lideranças não podem propagar curas milagrosas. Lideranças não podem dividir em vez de agregar — salientou. 

Reparação

Em nome do Grupo Alerta, a diretora-executiva da Anistia Internacional, Jurema Werneck, recomendou a criação de um memorial a vítimas da covid-19 e a criação de um plano de responsabilização e reparação.

Esta CPI pode liderar esse processo. Precisa liderar, precisa criar um plano de responsabilização e reparação daqueles que deixaram de fazer o que era necessário, daqueles que deixaram de cumprir o seu dever — disse Jurema.

Humberto Costa (PT-PE) elogiou a proposta e informou que ele e Rogério Carvalho (PT-SE) apresentaram projeto para criação de um memorial das vítimas e também uma proposta para garantir amparo financeiro aos órfãos da covid-19. A ideia é que se transformem em projetos da CPI.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.