Terça, 27 de Julho de 2021 10:32
(68) 99971-5137
Política Opinião

ACRE EM NOTAS | Alok

Enquanto o Governo brasileiro desvaloriza, desrespeita e desqualifica à luta indígena, o internacionalmente conhecido D, Alok busca espiritualização e inspiração entre os índios do Acre

23/06/2021 11h03 Atualizada há 1 mês
Por: Redação Fonte: Acreaovivo.com
DJ Alok mantém relação com os índios da etnia Yawanawa.
DJ Alok mantém relação com os índios da etnia Yawanawa.

Proteção

O Acre foi um dos primeiros estados, ainda no século passado, a fazer o mea culpa e buscar regatar a imensa dívida, a vergonha histórica do tratamento genocida contra os indígenas. O estado das correrias, dos “brabos” dizimados, instituiu programas, criou medidas de fortalecimento das etnias, assegurou posse de terra a quase todos os povos, redescobriu comunidades que se pensavam desaparecidas, como os Nauas. Enfim, fez o trajeto da reparação, ainda que incompleto, da dignidade e do respeito.

Discurso

Por tudo isso, dói de modo profundo observar as tentativas de desqualificar a luta indígena, de ameaçar seus territórios, de invadir suas prerrogativas, de construir um discurso em que eles voltam a não se inserir dentro dos objetivos de desenvolvimento do país. Uma variação ainda mais perigosa das teses antiambientalistas, de pessoas que, se pudessem asfaltariam toda a floresta, que não veem como riqueza incalculável, mas como empecilho.

Destruição

O governo federal, com a poio de grupos bem identificados de grileiros, madeireiros, garimpeiros, de interesses políticos regionais pressionam contra a manutenção da ainda precária estrutura garantista dos direitos dos povos tradicionais.  Se antes eram apontados como lenientes, as nações tradicionais agora são avaliadas como beligerantes, privilegiadas, tornando-se como que invasoras das terras que seriam suas há tempos imemoriais.

Projeto

O projeto de lei 490/2007 é uma excrescência. Quer limitar no tempo e no espaço a identidade indígena. Quer oferecer suas terras hoje protegidas à sanha destruidora dos que odeiam a natureza e tudo o que ela representa. E só em um governo com evidentes laivos genocidas poderia ser levado a sério e votado, com o risco de ser aprovado. É um desastre em todos os sentidos, que precisa ser denunciado em todo o mundo, como se o governo ainda se preocupasse com a opinião pública.

Repressão

Indígenas que participavam de um protesto pacífico contra o projeto foram reprimidos a tiros, a cassetetes, a bombas de gás por defenderem sua terra, seus valores, seu legado, sua sobrevivência. Em que esse país este se transformando? Será que não há terra sobrando, mal utilizada em latifúndios tenebrosos para se ameaçar a pequena parcela destinada às nações que estavam nesse lugar ainda antes de qualquer espoliação de forasteiros mal-intencionados?

No Acre

No Acre, já há quem se manifeste por estar se dando tanta importância a índios. Só o uso dessa palavra já revela o preconceito. A rica cultura desses povos, as línguas preservadas, os costumes tão arraigados ao dia a dia dos acreanos, a indumentária Ashaninka, o desenho verdadeiro, Kene Kuin, dos Huni Kuis, o mariri Yawanawa, em vez de patrimônio e de fonte de orgulho se transformam em manifestações condenáveis, a rica religião tradicional é igualada a práticas demoníacas por um pentecostalismo irracional.

Terras

As terras tão duramente conquistadas pelos que escaparam das correrias, hoje são ameaçadas e cobiçadas. Querem estradas cortando suas áreas, querem plantio de commodities em solo sagrado, querem simplesmente a destruição da dignidade. A vacinação indígena contra a COVID, no Acre, é a mais atrasada do país. Isso é reflexo dessa tentativa de desqualificação de todas as comunidades.

Posição

Ficar do lado dos indígenas e de sua luta, da preservação de suas terras, tradições, identidade, valor, é despertar a humanidade dentro de cada um e da comunidade. É reconhecer que a sabedoria ancestral é cada vez mais válida em um mundo materialista ou de uma religiosidade radical e excludente, como o que vivemos. É preservar a floresta, maior patrimônio do estado e da região, é reavivar os sentimentos mais nobres que por vezes jazem esquecidos.

Consequências

O Brasil vive um dos piores períodos de seca de sua história, as correntes de vento úmido nascidas na Amazônia já não percorrem o país levando a chuva, por causa do desmatamento e da ocupação irregular do solo. Soja não gera evaporação na escala necessária, gado não provoca formação de nuvens. Estamos pagando o preço da destruição. E os que poderiam ser os guardiães dos saberes do vento e da chuva, da proteção e do respeito, da natureza e seus rituais, são escorraçados. Tristes tempos em que vivemos.

Unidade

O líder indígena acreano Ashaninka, Francisco Pianko dá outra dimensão aos atos contra os indígenas, à repressão na porta do Congresso. Ele analisa, corretamente, que não são só os indígenas, mas todo o povo brasileiro que está sendo tratado dessa forma pelo governo. Que não dá para separar a luta dos povos tradicionais da indignação de toda a sociedade que está indo às ruas protestar contra os desmandos federais.

Constituição

No caso específico da luta indígena, Pianko destaca que as populações tradicionais estão do lado certo, da defesa da constituição, do marco legal. Quem quer desvirtuar essas conquistas é o governo, são os políticos engajados nesse processo de destruição. Que a luta é também pela manutenção e fortalecimento de uma sociedade democrática e, nesse ponto, é de toda a sociedade brasileira. E defende a unidade nessa verdadeira batalha que analisa existir perante o governo que se voltou contra o povo brasileiro. Disse tudo.

Vacinas

Foi bonito o mutirão das vacinas, mas acabou o que era doce. A imunização em Rio Branco foi suspensa por falta de doses. Com certeza à espera da vacina comprada com escandalosos mil por cento de sobrepreço pelo governo federal. A cada dia a vergonha e a revolta se fortalecem.

Ainda vacinas

Não só o Acre é o estado que menos vacinou indígenas, como o governo do estado solicitou ao Ministério da saúde o uso de 11 mil doses de vacinas destinadas à população indígena para imunizar as forças de segurança. Isso é um total absurdo, é mais um atentado à vida e aos direitos dessa população.

Alok 

Enquanto o Governo brasileiro desvaloriza, desrespeita e desqualifica à luta indígena, o internacionalmente conhecido D, Alok busca espiritualização e inspiração entre os índios do Acre para o seu novo CD. Algo de errado definitivamente não está certo.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
Acre em notas
Sobre Acre em notas
Painel sobre política e bastidores das notícias
Rio Branco - AC
Atualizado às 12h25 - Fonte: Climatempo
31°
Poucas nuvens

Mín. 21° Máx. 34°

35° Sensação
7 km/h Vento
63% Umidade do ar
90% (12mm) Chance de chuva
Amanhã (28/07)
Madrugada
Manhã
Tarde
Noite

Mín. 18° Máx. 33°

Sol, pancadas de chuva e trovoadas.
Quinta (29/07)
Madrugada
Manhã
Tarde
Noite

Mín. 16° Máx. 25°

Sol com muitas nuvens