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CONVERSANDO COM MEU BOTÕES | A morte

O homem é um animal metafísico, e por isso que a morte, sempre, é um problema seu. Não se trata de resolvê-la, mas de enfrentá-la

07/06/2021 13h07 Atualizada há 8 meses
Por: Redação Fonte: Acreaovivo.com
CONVERSANDO COM MEU BOTÕES | A morte

Por Iris Tavares

Contra todas as outras coisas é possível obter a segurança, mas por causa da morte, todos nós, os homens, habitamos uma cidade sem muralhas. (Epicuro)

A Morte, o que é ela? Não podemos saber, um mistério, um caminho que não saberíamos a onde leva, sem saber o que há por trás - da palavra, da coisa - nem mesmo se há alguma coisa.

O que é a morte? Os filósofos não param de responder. Se divide em dois campos: uns dizem que a morte não é nada, outros que afirmam que é outra vida, ou a mesma vida continuada, purificada, libertada... são duas maneiras de negá-la:

como nada, já que o nada não é nada, ou como vida, já que a morte nesse caso, seria uma vida;

pensar a morte é dissolvê-la: o objeto, necessariamente, escapa. A morte não é nada (Epicuro) ou então não é a morte (Platão) mas outra vida.

O mistério da morte só autoriza dois tipos de respostas: há os que levam a morte a sério, como um nada definitivo, e há os que são contrários, não veem nela mais que uma passagem, que uma TRANSIÇÃO entre duas vidas ou mesmo o começo da vida verdadeira.

Pensar a morte, dizia eu (Epicuro), é dissolvê-la, mas isso nunca dispensou ninguém de morrer, nem esclareceu ninguém de antemão sobre o que morrer significa.

O homem é um animal metafísico, e por isso que a morte, sempre, é um problema seu. Não se trata de resolvê-la, mas de enfrentá-la.

Encontramos a célebre fórmula: “filosofar é aprender e morrer...” sob essa forma, e em francês é o título de um dos ensaios de Montaigne.

Há o sentido de Platão: a morte - a separação entre a alma e o corpo - seria o fim da vida?

Geórgias, que é o corpo...

“Os verdadeiros filósofos já morreram” escreve Platão, é por isso que a morte não nos atemoriza:

O sentido de Montaigne, a morte não seria o “fim” mas o “ponto final” da vida, é preciso preparar-se para ela, aceitá-la, já que não podemos fugir dela, A aceitação basta e se torna com o tempo, cada vez mais leve e amena...

Montaigne resume:

“Quero que ajam e que prolonguem os ofícios da vida tanto quanto possível, e que a morte me encontre plantando meus repolhos, mas despreocupado com ela, e mais ainda com meu imperfeito jardim.

“Filosofar é aprender a morrer somente porque é aprender a viver e porque a morte - a ideia de morte faz parte desse aprendizado. Mas é a vida que vale, e somente ela.  Os verdadeiros filósofos aprenderam a amá-la como ela é; porque se apavoram com o fato de ela ser mortal? Nada, ou renascimento?

Outra vida ou mais nenhuma vida?

Cabe a cada um escolher entre esses dois caminhos ou como Montaigne talvez - se recusa a escolher: deixar a questão em aberto.

“A coisa que o homem livre menos pensa é na morte”, escreve Spinoza “e sua sabedoria não é uma meditação sobre a morte, mas sobre a vida.”

Como meditar sobre a vida - isto é filosofar sem meditar sobre a brevidade, sua precariedade, sua fragilidade?

Que o sábio e somente o sábio é livre, para Spinoza! Pense mais no SER do que no NÃO-SER.

Mais na vida do que na morte, mais na força do que na fraqueza!

“Portanto é preciso pensar a morte para amar melhor a vida”, escrevia Gide. Filosofar é preciso!

O entusiasmo pela vida dribla os pensamentos da morte! Viver é estar conectado com cada minuto do dia, em estar contigo envolto ao positivo e principalmente entender a grandiosidade do homem em transformação, em re-generação, re-invenção, responsabilidades... os RES de respirar, restaurar, reduzir ansiedades, re-escrever as histórias dar vibração, resumir a vida no aqui e agora.

Khalil Gibran

 “A coruja, cujos olhos noturnos são cegos durante o dia, não pode revelar o mistério da luz. Se quereis realmente contemplar o espírito da morte, abrir bem o vosso coração para a vida.”

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