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MEMÓRIAS ENGRAÇADAS E NEM TANTO... | O medo no escuro

Luz apagada, noite silenciosa, acordamos com um grito!

03/06/2021 00h00
Por: Redação Fonte: Acreaovivo.com
MEMÓRIAS ENGRAÇADAS E NEM TANTO... | O medo no escuro

Por Edir Figueira Marques

Tínhamos uma vizinha nova, divorciada, que morava com as duas filhas pré-adolescentes e uma empregada que dormia com a mais velha, em um quarto e, no outro, a mãe, com a filhinha menor.

A luz, naquele tempo, apagava às nove horas, após piscar duas vezes anunciando que era chegado o momento de todos se recolherem. No verão, muito calor, sem energia, se dormia com a janela aberta, para aproveitar a brisa. Não havia risco de ladrão, cidade pacata, todos conhecidos. Os poucos proprietários de carro, para exemplificar, não se preocupavam em trancá-los. Estacionavam, muitas vezes, com o vidro baixo, chaves na ignição, para as compras no mercado ou nos bazares ou para uma visita a algum amigo.

Mas, uma vez, ao chegar de viagem, fui surpreendida com minha louça de reserva e todos os meus copos de cristal, que eram guardados na despensa, desaparecidos, sem um sinal de arrombamento. A guarda territorial foi acionada e, indagando aqui e acolá, chegou aos ladrões. Tratava-se de um grupo de alunos que estudavam próximo de nossa casa. Ao entrarem no nosso quintal, para colher manga, subiram na árvore e de lá avistaram a janela basculante. Curiosos, resolveram olhar e cobiçaram aquelas peças que poderiam lhes render alguns trocados.

Não é que através da primeira pessoa que adquiriu uns copos dos garotos, foram sendo descobertas outras que também compraram alguns pratos? E, assim, de pergunta em pergunta, conseguiram reaver quase tudo de volta, para minha alegria. Este era o tipo de furto que acontecia, raramente. Coisa de moleque.

Certa noite, após tomarem banho frio, as meninas e sua mãe colocaram seu “baby doll”, para suportar a temperatura quente. Confiantes, deixaram as janelas abertas. Luz apagada, noite silenciosa, acordamos com um grito! De pronto, saímos em socorro da vizinha, com as lanternas acesas. Alarmada, a mãe, desesperada, contou que um homem havia pulado a janela e passara a mão nas pernas da sua filha mocinha. Dia seguinte, sob confissão, descobrimos que se tratava do namorado da empregada que combinara de visitá-la no escuro da noite e, nervoso, desejoso de se satisfazer, se enganou de cama, pregando um bruto susto na garotinha.

Depois desses acontecimentos, todos nós, daquela rua, passamos a trancar as janelas e padecer de calor, mas em segurança.

Dias depois, recolhidos em nosso quarto, ouvi um barulho de passos, como se estivesse alguém andando na sala de escritório ao lado. Apavorada, acordei meu marido que saiu de lanterna em punho e revólver em outra mão, à procura do possível ladrão ou malfeitor. Pensávamos que poderia ser o namorado da empregada que insistia em consumar o seu ato. Corajosamente, meu marido abriu a porta e vasculhou todos os cantos. Nada. No dia seguinte e por vários outros, a mesma coisa. Barulho de passos, que silenciavam, tão logo abríamos a porta. A vizinhança já estava amedrontada com o fato.

Decidido a descobrir o mistério, nesta noite, meu marido resolveu ficar de tocaia no escritório, que era de onde vinha o barulho. Levou um porrete e o revólver e ficou na escuta. No primeiro sinal, focou a lanterna. Foi uma luta por várias horas, enquanto eu “tremia feito vara verde”, sob o lençol, apesar do calor infernal. Até que... fez-se silêncio! Desvendado o enigma! Suado, descabelado, ofegante, meu marido anuncia: uma ratazana era a responsável por toda aquela confusão, que durante tantas noites não nos deixava dormir tranquilos!

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Edir Figueira Marques
Sobre Edir Figueira Marques
Professora, mestre em pedagogia, escritora e poetisa.
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Atualizado às 23h50 - Fonte: Climatempo
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