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MEMÓRIAS ENGRAÇADAS E NEM TANTO... | O menino encantado

Mauro logo se lembrou da lenda amazônica, dentre tantas histórias com que as crianças se assombravam: a lenda da cobra jiboia

30/05/2021 00h00
Por: Redação Fonte: Acreaovivo.com
MEMÓRIAS ENGRAÇADAS E NEM TANTO... | O menino encantado

Por Edir Figueira Marques

Numa família de quatorze irmãos, os mais velhos vão cuidando dos mais novos. Esta é a ordem natural da vida. Mas há exceções. No caso que vou contar, um dos filhos mais novos de Dona Bezita era mais esperto que os demais, a ponto da mãe afirmar:

- Meu filho Mauro, você ficou com toda a esperteza de seus irmãos!

Era o braço direito de sua mãe, o filho que a ajudava nos afazeres domésticos, como regar as plantas, catar lenha para o fogão, ir ao mercado fazer as compras, ajudá-la na lavagem de roupa à beira do igarapé Cafezal, carregando a bacia na cabeça e estendendo as peças para corarem ao sol, buscar macaxeira na colônia do “seu” Máximo ou milho verde no “seu” Barros, enfim, era “pau pra toda obra”! Era o “burro de carga”, como, às vezes, reclamava.

Um dia, seu irmão de apelido Português, com 15 anos de idade, chegou esbaforido em casa, gritando:

- O Newton “tá” perdido na floresta! Acode, Mauro!

Seu irmão Newton já tinha 14 anos, mas era um menino muito tranquilo e puro, inocente, sem qualquer maldade! Em tudo e em todos acreditava. Neste dia, atendendo ao pedido de seu irmão mais velho, havia entrado no matagal próximo a sua casa, atrás de um formigueiro, a fim de pegar a terra revolvida, de argila, boa para preparar bolinhas de barro para baladeira, com que caçavam passarinhos.

Esta terra era molhada e sovada e, quando a massa estava homogênea, enrolavam as bolinhas nas mãos, mais ou menos do tamanho de uma bola de gude, e punham-nas para secar ao sol.

Ocorre que Newton começou a andar, olhando para o chão, coberto de folhas, à procura do monturo de terra, rodou, rodou, deu várias voltas e percebeu que estava perdido no emaranhado de cipós. Cansado, sentou-se num tronco de árvore caída e ali ficou, horas a fio, paralisado!

Após muito esperar, o irmão Português deu por sua falta e estranhou tanta demora! Foi quando correu a casa, pedindo socorro! Os dois, Mauro, com apenas 11 anos, e o Português, saíram correndo em busca do mano perdido. Encontraram-no “abestalhado”, no mesmo lugar, como tivesse se transformado em uma estátua. Chamavam-lhe pelo nome e ele não respondia.

Mauro logo se lembrou da lenda amazônica, dentre tantas histórias com que as crianças se assombravam: a lenda do cipó-jiboia, que prende maus caçadores na floresta, ou da cobra jiboia, com poder de atrair as pessoas, que começam a dar voltas no mesmo lugar e só conseguem sair quando encontradas por alguém ou... Foi aí que o irmão esperto, de imediato, falou para o mano Português:

- Vamos tirar-lhe a camisa e vesti-la pelo lado do avesso! É assim que se quebra o encanto, explicou.

E deste modo procederam, salvando o irmão Newton que estava “encantado” e que sozinho não teria como encontrar o caminho de casa!

No dia seguinte, foram fazer uma busca no local e encontraram uma cobra jiboia com cerca de três metros de comprimento. Mataram-na e, para espanto de todos, encontraram um leitão na barriga da gigante.

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Edir Figueira Marques
Sobre Edir Figueira Marques
Professora, mestre em pedagogia, escritora e poetisa.
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