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Esportes Opinião

Modelo de análise competitiva para transferência ao treino

Três pontos são cardeais nessa orientação: o modelo da competição, a individualidade biológica e a especificidade do desporto.

22/05/2021 10h26 Atualizada há 7 meses
Por: Redação Fonte: Acreaovivo.com
Modelo de análise competitiva para transferência ao treino

Por Marcus Albuquerque

Os artigos da coluna seguem em complementação ou suplementação em relação aos anteriores. Então é sempre bom dar uma lida no que já veio antes (clique aqui para acessar a lista). Estamos no ponto em que o indivíduo resolve praticar um esporte como forma de condicionamento físico geral, ganho de saúde e lazer. Uma das tomadas de decisões ao chegar nessa encruzilhada é decidir em qual padrão da prática esportiva seguir. Os básicos são: competitivo profissional e amador, praticante assíduo recreativo e praticante multivariável.

Vamos tratar do primeiro caso agora:

É necessário primordialmente um indivíduo que tome a posição de treinador e seja o ponto de apoio para formulação de todo o plano metodológico de trabalho. De preferência com formação a acadêmica em Educação Física e alguma vivência prática e teórica na modalidade escolhida.

Como formular nosso plano de treino e conseguir o máximo de empenho com o mínimo de redução no desempenho?

Pergunta que frequenta a cabeça de muitos técnicos e preparadores físicos, tanto nos sonhos quanto nos pesadelos. Partindo dessa dúvida que atormenta, vamos desfiar um nó de considerações a respeito do treinamento desportivo e nuances que identificamos como diretamente correlacionadas a isto.

Três pontos são cardeais nessa orientação: o modelo da competição, a individualidade biológica e a especificidade do desporto.

Existem dois parâmetros da competição que alimentam alguns tipos de treino: a regra e o regulamento. Cabe o técnico, ou chefe de equipe, ou ambos, ajustar estes detalhes para que os treinos de estratégia sejam adequados ao melhor proveito. A disposição genética do atleta indica o modo de aumentar a sua disposição em suas condições gerais e específicas em relação ao desempenho competitivo, além de prevenir falhas e prover ausências de habilidades ou características imprescindíveis ao sucesso. O conjunto psicobiofisiológico identificado para melhor atuação na modalidade complementa o resto da análise.

Vamos deixar o primeiro ponto para uma discussão posterior, pois existem diversos modelos de regulamentos de competições e, em alguns casos, uma unificação das regras (o que menos se altera no mesmo ciclo de grande duração – não é comum “mudar as regras do jogo” depois de iniciada a partida).

Quanto à individualidade biológica, as lutas têm uma vantagem sobre os demais desportos por ser uma modalidade que divide os praticantes em função do seu peso corporal. No caso do judô, são sete categorias de peso em cada classe, masculino e feminino. Então qualquer pessoa em bom estado de saúde pode praticar e virar atleta de alto rendimento. Excelente para quem quer praticar, mas um turbilhão de informações para os treinadores. São 14 opções de desempenho, que geralmente se reúnem para treinar no mesmo horário. Outro leque que se abre com força total ante o planejamento geral é o de opções técnicas. Além da vastidão já conhecida, sempre um e outro momento mais criativo exige atenção para que não se dilua na mesmice.

Então o atleta vai sofrer alguns processos de construção da sua possibilidade de sucesso individual, mas em um conjunto de ações em grupo. Para isso devemos ter, inicialmente, a avaliação morfofuncional e desportiva do mesmo, da sua categoria e da sua classe, em relação ao grupo de trabalho e média geral dos praticantes. Estes dados devem ser continuamente coletados e comparados, buscando sempre uma retroalimentação atualizada. Um diário do atleta e dos técnicos envolvidos, com anotações pessoais e percepções subjetivas, auxiliam a configurar o todo do processo. Desta primeira leva de informações vem a base de ajustes corporais gerais, que deixem a “máquina” funcionando, sempre dentro do limite máximo prescrito no ciclo de treino a ser executado (em termos percentuais):

• Composição corporal – pelo limite de peso determinado no regulamento, tem-se a noção das transformações em termos de ajuste de massa funcional orgânica. A posição na somatocarta geralmente ajuda a decidir qual a melhor categoria, evitando desgastes como redução drástica de peso corporal e dietas de baixa caloria.

• Quando comparados dentro da categoria, começa o ajuste por uma homogeneidade no grupo, levando em consideração o desvio-padrão da categoria de baixo, quando tiver, e da de cima, também.

• A comparação intra e interclasses serve para dividir em subgrupos de treino, ajustando a carga de acordo com o número de integrantes.

• As valências físicas sofrem o mesmo caminho, sendo ainda possível identificar as mais influentes tanto dentro do conjunto de técnicas e estratégias quanto no biótipo do indivíduo.

• Os sistemas de alimentação energéticos estão diretamente ligados ao terceiro ponto de análise, que é o desempenho competitivo.

Agora chegamos ao ponto de estudar como se compete, qual o melhor ajuste individual, por categoria e os objetivos estratégicos de cada grupo, subgrupo e indivíduo.

Devemos definir o que levar em consideração no estudo, pois não tem como abarcar todos os contextos em um único evento. Então existem os momentos técnicos, táticos e fisiológicos como primários, dos nossos atletas, dos adversários e da categoria em si.

Com o atual avanço tecnológico, as análises através de vídeos são um dos mais importantes veículos de coleta de dados referentes às competições e treinamentos. Após definir o que importa avaliar, as planilhas com estes dados devem ser preenchidas de forma a realimentar o planejamento, devendo orientar as alterações e ajustes dos ciclos vindouros. Os dados do atleta são cruzados com os de todos os participantes, se possível, além da criação do “padrão-ouro”, que seriam as análises dos semifinalistas e medalhistas dos eventos. Com os conceitos individuais, gerais e dos vencedores, cria-se um modelo a ser aperfeiçoado e aproximado. A definição do que vai ser analisado depende diretamente de que tipo de informação se busca (preparação física, técnica ou estratégica, além de um misto destes conceitos). Não há outra fonte de informação melhor que a competição em si, e o desempenho dos melhores.

Daí o material que se tem em mãos joga todo o conteúdo em forma de conceito vencedor para as planilhas de treino.

E que vença o melhor!

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Marcus Albuquerque
Sobre Marcus Albuquerque
Professor de educação física, especialista em judô olímpico e pilates.
Rio Branco - AC
Atualizado às 04h01 - Fonte: Climatempo
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