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Éramos felizes e não sabíamos

Que bom se tudo tivesse acontecido da maneira que lembramos hoje, que a vida antes da pandemia tivesse sido um mar de rosas, que tivéssemos tido a melhor infância de todas e que ao nascer os filhos só nos dessem alegrias

13/05/2021 10h18 Atualizada há 4 meses
Por: Redação Fonte: Acreaovivo.com
Éramos felizes e não sabíamos

Por Renata Dal-Bó

Ah! Que saudades daquele tempo em que podíamos viajar, ir a um restaurante, sair para bater papo com um amigo. Era tudo tão bom, tão perfeito! Será?

Há alguns dias tive que ir ao centro da cidade no final da tarde. O lugar ficava apenas a algumas quadras de minha casa, mas como estava chovendo, resolvi ir de carro. Achei que em dez minutos estaria tudo resolvido. Ledo engano, o trânsito estava caótico. Levei até um susto com a quantidade de carros na rua. Ao retornar, era horário de saída da escola. Estava tudo parado. Demorei alguns bons minutos para passar. Nossa, não me lembrava mais o que era engarrafamento. Há mais de um ano não participava de um. Me deu até uma saudade da hora do rush.

É impressionante a nossa tendência em idealizar o passado, achar que tudo era divino, maravilhoso. Já ouviram comentários como “a vida era muito boa antes da pandemia”; “como era bom na época da minha infância”; “tenho uma saudade de quando os filhos eram pequenos, era tudo tão mais fácil!”?

A ultravalorização do passado em detrimento do presente tem nome: chama-se nostalgia. Digamos que a nostalgia seja a memória de um passado sem conflitos, sem dores. Criamos um passado mítico e acreditamos nele.

Que bom se tudo tivesse acontecido da maneira que lembramos hoje, que a vida antes da pandemia tivesse sido um mar de rosas, que tivéssemos tido a melhor infância de todas e que ao nascer os filhos só nos dessem alegrias. Só que não. Antes desse maldito vírus aparecer o país enfrentava uma das piores crises políticas e econômicas. Nos anos 70, época da minha infância, o Brasil vivia uma terrível ditadura, pessoas eram torturadas e morriam na prisão. Trazendo para um aspecto mais íntimo, lembro-me de sofrer muito bullying por ser gordinha e de ter terríveis dores de barriga na hora das provas. Quando meus filhos eram pequenos tive momentos maravilhosos, mas quase morria de preocupação e cansaço quando eles ficavam doentes. Tenho trauma até hoje de ficar acordada de madrugada.

Muitas vezes, queremos comparar o presente com um passado que só existe na nossa imaginação. Um passado idealizado, romântico e primoroso. É claro que o aqui e agora é bem mais difícil, pois os sentimentos estão à flor da pele. É tudo real, não tem espaço para devaneios. E viver a realidade ultimamente tem sido de uma crueldade ímpar. Dá até aquela saudade de perder uma conexão por causa do atraso do voo, ficar horas em um engarrafamento, pegar uma fila gigante no supermercado e esperar um tempão para conseguir uma mesa no restaurante! Eu era feliz e não sabia!

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Renata Dal-Bó
Sobre Renata Dal-Bó
Jornalista e escritora. Presidente Coordenadora da AJEB-SC
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Atualizado às 19h11 - Fonte: Climatempo
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