Sábado, 12 de Junho de 2021 14:51
(68) 99971-5137
Cultura Conto

HISTÓRIAS ENGRAÇADAS E NEM TANTO ... | Assombração na Gameleira

Ela é envolta em mistérios, considerada sagrada pelos budistas e também nos cultos afro-brasileiros

13/05/2021 09h33
Por: Redação Fonte: Acreaovivo.com

Por Edir Figueira Marques

Gameleira em Rio Branco. Imagem: Mtur

A gameleira (ficus doliaria) é uma árvore de grande porte que atinge vinte metros de altura e até dois metros de diâmetro, podendo viver por mais de 200 anos. O povo Yorubá a respeita por representar a ancestralidade e considerá-la a morada de Iroko, o tempo.

Ela é envolta em mistérios, considerada sagrada pelos budistas e também nos cultos afro-brasileiros.

Existem muitas lendas a respeito desta árvore. Diz uma delas que, por oferecer sombra abundante, os tropeiros amarravam os cavalos em seus galhos, enquanto descansavam ou participavam de rodas de conversa, quando se falava de tudo. Não apreciando “fofocas” nem mentiras, o espírito vingador da mística árvore espantava os animais, sacudindo seus galhos, fazendo-os fugir e, junto com eles, também os homens, apavorados.

No Acre, há uma gameleira, uma árvore secular e histórica, à margem direita do rio Acre. Revela a história que, em seu tronco, atracou o navio que trazia o cearense Neutel Maia, em 28 de dezembro de 1882, que fundou o seringal Empresa, do qual originou a cidade de Rio Branco, hoje capital do Estado do Acre.

A gameleira testemunhou as batalhas entre seringueiros acreanos e tropas bolivianas. Cenário do fim da disputa vitoriosa em que o Acre se tornou brasileiro, em 1903, ali nasceu, em sua sombra, o povoado, onde os primeiros habitantes cresceram e incrementaram o centro comercial e a vida social da futura cidade.

Muitas histórias intrigantes se contam sobre esta bela espécie da flora. Embaixo desta árvore, existe um buraco gigantesco, que se prolonga sob a Rua Cunha Matos até à igreja Nossa Senhora da Conceição. Nele mora a cobra grande! Quem se aventura a nadar nas águas do rio Acre, naquelas imediações, desaparece para sempre.

Dizem os antigos, que temem passar perto desta figueira selvagem, como também é conhecida, que um turco muito rico enterrou, junto às raízes, seu tesouro, antes de morrer, sempre aparecendo para espantar quem se aventurasse a roubá-lo.

Do folclore acreano, cita Mauro Modesto, em seu copioso trabalho de pesquisa que deu origem ao Dicionário de termos populares do Acre (páginas 120-121): “Há gente que vira porca, em noite escura, ao passar sob a gameleira”.

Contavam, antigamente, que, não havendo luz elétrica, em especial nas noites de chuva, ao focarem com a lanterna, indo para casa, passando nas proximidades da gameleira, os transeuntes viam uma porca correndo, assustando os moradores daquele tranquilo povoado.

A história foi se espalhando e as pessoas mais curiosas e corajosas foram se juntando para testemunhar o fato. Certa noite, já inflamados com aquela situação, combinaram de se reunirem e seguirem à caça da dita porca mal-assombrada.

Qual não foi a indignação do grupo. Não era uma porca coisa nenhuma. Tratava-se de um rapaz que, confiado na escuridão e no deserto das noites de chuva, corria, agachado, de quatro pés, para se enfurnar na casa da amante.

O traído foi vingado, com a surra de pau que os homens deram no sujeito, metido a bonitão.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
Edir Figueira Marques
Sobre Edir Figueira Marques
Professora, mestre em pedagogia, escritora e poetisa.
Rio Branco - AC
Atualizado às 16h44 - Fonte: Climatempo
25°
Muitas nuvens

Mín. 19° Máx. 26°

25° Sensação
11 km/h Vento
69% Umidade do ar
0% (0mm) Chance de chuva
Amanhã (13/06)
Madrugada
Manhã
Tarde
Noite

Mín. 18° Máx. 29°

Sol com algumas nuvens
Segunda (14/06)
Madrugada
Manhã
Tarde
Noite

Mín. 19° Máx. 30°

Sol com algumas nuvens