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ACRE EM NOTAS | Antes e depois

Com a evasão chegando a 26%, a fome grassando entre as famílias, sem a merenda escolar, sem os atrativos da escola, sem o processo de socialização que a educação produz, criam-se as condições ideais para a atração de jovens para o crime

01/05/2021 09h56 Atualizada há 6 dias
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Por: Redação Fonte: Acreaovivo.com
ACRE EM NOTAS | Antes e depois

Regressão

Relatório da Unicef mostra que o Brasil pode regredir duas décadas nas conquistas educacionais, por conta da pandemia e da falta de preparo dos governos federal, estaduais e municipais para lidar com os desafios e limitações causados pela COVID no processo de escolarização de crianças e jovens. A situação mostrada no relatório divulgado dia 29.4 é catastrófica. O fechamento das escolas agrava o quadro de exclusão social de largas parcelas da população, especialmente os setores que não têm acesso à tecnologia e à estrutura para aulas remotas de qualidade.

Números

Em novembro de 2020, mais de 5 milhões de meninas e meninos não tiveram acesso à educação no Brasil – número semelhante ao que o País tinha no início dos anos 2000. Desses, mais de 40% eram crianças de 6 a 10 anos de idade, etapa em que a escolarização estava praticamente universalizada antes da Covid-19. No Acre. Seriam 52 mil crianças e jovens, mais de 26% do total nessa faixa de idade fora da escola e de acesso à Educação, nesse período de pandemia.

Efeitos

A catástrofe dessa situação tem alcance inimaginável. Em 2019, quando apenas pouco mais de 6% da população na faixa etária de 04 a 17 anos haviam evadido ou permaneciam sem acesso à escola, os números da violência contra menores no Acre já explodiam. Quando não eram vítimas de exploração e crimes sexuais ou assédio, obrigadas ao trabalho infantil, expostas à violência doméstica, especialmente os jovens acima de 14 anos, compunham um exército de reserva para a ação de cooptação pelas facções e pelo tráfico de drogas.

Antes e depois

Com a evasão chegando a 26%, a fome grassando entre as famílias, sem a merenda escolar, sem os atrativos da escola, sem o processo de socialização que a educação produz, criam-se as condições ideais para a atração de jovens para o crime. É uma questão de sobrevivência e de pertencimento. A unidade familiar, junto com a escola, entra em crise e o tecido social se rompe.

Propostas

O que propõe a Unicef? As recomendações do estudo são: realizar a busca ativa de crianças e adolescentes que estão fora da escola; garantir acesso à internet para todos, em especial os mais vulneráveis; realizar campanhas de comunicação comunitária, com foco em retomar as matrículas nas escolas; mobilizar as escolas para que enfrentem a exclusão escolar; e fortalecer o sistema de garantia de direitos para garantir condições às crianças e aos adolescentes para que permaneçam na escola, ou retornem a ela. A Unicef se propõe como parceira de estados e municípios para a Busca Ativa Escolar, reabrir as escolas em segurança, promover o acesso à internet e garantir o direito de aprender a cada menina e menino.

Sem máscara

Diante da determinação dos Ministério Público Federal e estadual de que os participantes da inauguração da ponte do Abunã devem usar máscara, fica a pergunta do que se pode fazer se o presidente Bolsonaro insistir em comparecer sem o acessório. O novo ministro da Justiça, o delegado da PF Anderson Torres, apareceu com a seguinte sugestão: “Se o presidente sai sem máscara e se expõe, cabe a quem está ali perto dele se cuidar”. Ou seja, a responsabilidade de Bolsonaro é zero. Os outros que lutem. Parece piada.

Emprego

O Acre tem saldo positivo na geração de emprego o ano, embora sejam só 1.614 novos postos de trabalho, segundo boletim do CAGED. Mas a situação é muito grave em ternos nacionais. São 14,4 milhões de desempregados. A maioria sem nenhuma perspectiva de conseguir trabalho em futuro próximo, especialmente com a economia fechada por falta de vacinação em massa.

Programas

O governador Gladson Cameli poderia deslanchar alguns projetos para disseminar empregos de imediato, em obras de reformas de prédios públicos no interior, além de programa com a participação da secretaria de Turismo de criar praças temáticas em cada cidade. Seria um “esquenta” para as grandes obras que o governo anunciou para iniciar ainda este ano, que podem carrear até R$ 1 bilhão para o Acre, na fala e aposta do governador.  Oremos.

Vacina

Parece brincadeira a decisão do Ministério da Saúde de enviar a estonteante quantidade de 1.400 doses de vacina da Pfizer para o Acre. O máximo que vai provocar é complicação porque muita gente vai buscar esse imunizante que, segundo os que rezam pela cartilha do ministro Paulo Guedes, é melhor que a vacina chinesa. Como estratégia para o plano de imunização representa um zero à esquerda.

Iluminação

Corria ontem na capital informação de que o prefeito Bocalom teria cancelado o contrato de troca da iluminação de led em Rio Branco. O prefeito insiste nessa política de terra arrasada, buscando culpados e irregularidades para se fazer de vítima, de injustiçado. Simples tentativa de mudar o foco das críticas. Já tentou fazer isso com o shopping popular, dizendo que a prefeitura não tem dinheiro para bancar suas obrigações. Tanto o shopping como a iluminação têm projetos totalmente aprovados pela Câmara Municipal. Rio Branco está virando a terra do já teve: já teve educação de qualidade, já teve projeto de iluminação pública, já teve prefeito.

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