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Atividade física e qualidade de vida | parte 4

A pandemia trouxe os mais fragilizados na imunidade e autossuficiência fisiológica e física para o grupo de altíssimo risco

30/04/2021 00h00
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Por: Redação Fonte: Acreaovivo.com
Atividade física e qualidade de vida | parte 4

Por Marcus Albuquerque

Último passo da fase inicial para a prática segura de atividades físicas é decidir o que, como, quanto, onde e porquê. Todas estas respostas vêm das etapas descritas nos artigos anteriores, porque agora você está medido, avaliado, testado, (re)conhecido e preparado.

Atividade física e qualidade de vida | parte 1

Atividade física e qualidade de vida | parte 2

Atividade física e qualidade de vida | parte 3

1. O quê – a atividade vem “pelo amor ou pela dor”. Você faz o que gosta ou o que é obrigado.

No primeiro caso temos os sedentários ativos (fazem esportes irregularmente, principalmente em eventos isolados e nos fins-de-semana, como lazer em família ou grupo de amigos); os praticantes de atividades físicas gerais (sempre fazendo algum tipo de esforço, não direcionado sistematicamente, como uma escala semanal de caminhadas, andar sempre de bicicleta diversas vezes na semana, atividades recreativas ao ar livre mais de três vezes na semana, um grupo heterogêneo que se reúne para praticar algum esporte em nível leve a moderado pelo menos duas vezes na semana – este último caso tem muita relação com ex-atletas que não querem perder o vínculo com a modalidade praticada – etc.); praticantes de atividades físicas sistemáticas (esportistas amadores, frequentadores de academias, clubes e afins); atletas de todos os níveis (amador ao profissional).

No segundo caso temos os casos de indicação obrigatória, que cria os grupos especiais, que são subdivididos com mestria nas etapas de avaliações: cardiopatas, hipertensos, obesos, diabéticos, problemas estruturais agudos, idosos com degeneração por hipocinestesia (movimentos diminuídos ou lentos da musculatura que podem estar associados com doenças dos gânglios da base; transtornos mentais; inatividade prolongada devido a doenças; protocolos experimentais usados para avaliar os efeitos fisiológicos da imobilidade e outras condições), pós-operatório geral etc., que geralmente se apresentam para a prática por recomendação médica ou similar.

2. Como – temos que cruzar a expectativa – o que o praticante deseja ou acha que precisa – com a realidade – os dados obtidos nas avaliações. O primeiro passo é definir a capacidade de entrega do indivíduo, seus meios e potenciais de curto prazo, objetivos nas três escalas – curto médio e longo prazo –modelo de acompanhamento, adaptação ao padrão de atividade escolhida etc.

3. Quanto – essa é a parte bem sensível do trabalho. A carga baseia-se na intensidade e duração da sessão de treino. A intensidade da sessão é determinada com base na frequência cardíaca e o seu cálculo também é influenciado pelos dados pessoais, como idade, sexo, peso, VO2max, limiares anaeróbicos, histórico de treino etc. Com estes sujeitos básicos, calculamos a carga de treino diário (CT), carga de treino total de pequeno ciclo (CTST, geralmente uma semana) - somatório das CT ou CTD (quando tem mais de um treino por dia), monotonia - variabilidade de carga entre as sessões - média da CT ou CTD dividida pelo seu desvio padrão em uma semana (ou pelo tempo pré-determinado de um pequeno ciclo pelo planejamento) e a tensão de treino - CTST x monotonia.

Além disto, é importante que se colete os mais variados dados possíveis que possam influenciar no rendimento, como os questionários de bem-estar, as tabelas de percepção subjetiva de esforço e recuperação\repouso, a quantidade de peso trabalhado por sessão única e agregada, testes instantâneos de variação de determinadas valências físicas que podem ser alteradas pelo treino executado etc.

A adaptação é pessoal, interdependente multifatorial e difícil de determinar com precisão, por isto o acompanhamento do maior número de informações possíveis traz mais segurança a possíveis revisões de planejamento e readaptações de carga e exigências de desempenho.

4. Onde – o meio da prática também vem definido, por adequação ótima e melhor acolhimento, pelas avaliações. Não precisa ser fixo, pois é um dos fatores de carga (treinos na água diferem substancialmente de outros feitos na areia ou num gramado, por exemplo, mesmo que seja o mesmo padrão de movimentos e exigências metabólicas), mas tem que ser o mais seguro e propício para o desejado na sessão ou no período. Geralmente, a especificidade da atividade praticada tem maior influência na escolha do local apropriado – difícil vermos nadadores em uma pista de atletismo, num exemplo radical.

5. Porquê – lazer, amor, determinação, necessidade vital ou pontual, obrigação médica, desejo, falta do que fazer, excesso de coisas pra fazer, mudança de rotina, aumento de rotina, desenvolvimento profissional, realização de sonhos atléticos de alto rendimento etc. Os motivos não cabem em uma lista simples, pois é individual, apesar da aparente homogeneidade entre os praticantes de um mesmo grupo. O importante é que não há restrições absolutas. Qualquer pessoa, em qualquer lugar, de qualquer maneira, pode praticar atividades físicas regulares para a promoção do bem-estar pessoal. Exceções óbvias de casos extremos.

A subjetividade e individualidade são as marcas principais do praticante de atividade física. Um dos últimos exemplos que mais gosto de citar é da ginasta brasileira Laís Souza que, em treino livre preparatório para os jogos olímpicos de inverno na Rússia, ficou tetraplégica após um acidente. Acompanhei bastante seus processos de recuperação e hoje, depois de um pouco mais de cinco anos, ela já fica em pé, utilizando um exoesqueleto. Mas lembro do dia do primeiro movimento que ela conseguiu fazer. Tão mínimo, simples, quase imperceptível, mas de uma enormidade funcional monstruosa para o seu quadro físico de então. Isto é um exemplo para que cada um saiba que pode fazer o que conseguir, com os elementos que tiver à disposição, e se sentir realizado. O indivíduo, único, sensível e complexo, precisa do atendimento mais personalizado possível para seu maior desempenho e desenvolvimento. E o profissional de educação física é o seu maior aliado nesta busca e realização.

O momento atual qualifica a atividade física como elemento imprescindível no cotidiano humano. A pandemia trouxe os mais fragilizados na imunidade e autossuficiência fisiológica e física para o grupo de altíssimo risco. Mesmo no caso de internações em UTIs, intubamento orotraqueal e tratamentos mais ostensivos, pesquisas recentes comprovaram que as pessoas com maior capacidade física sofreram menores impactos na saúde e mais rápida recuperação (leia mais em clicando aqui).

Então mexa-se!

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Marcus Albuquerque
Sobre Marcus Albuquerque
Professor de educação física, especialista em judô olímpico e pilates.
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