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Emprendedorismo Opinião

Obsolescência programada no mercado da moda

Mudou de corpo, mudou de trabalho, peças que não conversam mais com você? Bora movimentar?

03/05/2021 00h00
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Por: Redação Fonte: Acreaovivo.com
Obsolescência programada no mercado da moda

Por Íris Tavares

Pensamento circular.

Moda & sustentabilidade.

O que é FAST FASHION X SLOWFASHION?

Houve um tempo que a moda era para as pessoas com maior poder aquisitivo!

Depois veio a máquina de costura que incentivou a confecção das roupas em casa pelas classes populares.

Em 1824 deu-se o início aos grandes empórios comerciais e a produção em série.

Em 1957, realizou-se em Paris o primeiro salão prêt-à-porter! Incentivo ao desejo e consumismo, que se iniciou com a revolução industrial e desde aí houve o barateamento dos produtos e produção em escala, o prazer vinha na frente da necessidade.

Em 1929, com a quebra da bolsa de Nova York, Bernard London, propôs uma vida limitada dos produtos com o objetivo impulsionar o mercado e dar trabalho para todos.

Hoje talvez até mais agressivo um meio para o sustento do sistema, a moda sobrevive dessa engrenagem de sonhos, desejos, realizações de muitas mãos, um significado até bem profundo chegando a valores culturais e a moda ela também se torna um meio de transformação pela comunicação via a arte!

Um crescimento que gera necessidades e daí surge a importância das tendências que visa acompanhar as mudanças sociais através dos hábitos de consumo. E pessoas do mundo inteiro se conectam para entender como as pessoas vão consumir, o que querem, que cor, temas, e juntos um grupo de profissionais como: designes de moda, figurinistas, jornalistas etc. Essa pesquisa de tendência gera uma profissão chamada coolhunter, um caçador de tendências (buscam comportamento das tribos) para entender com antecedência os próximos anos e as fábricas já se prepararem para esses lançamentos.

E assim a produção ininterruptas de “novas modas” tornando os anteriores obsoletos! Fora de moda! Ultrapassados!

O segmento moda e todo esse processo foi para o capitalismo um caminho para direcionar para outros ou quase todos segmentos do mercado! Os lançamentos e as tendências como objeto de desejo e consumo. 

As pessoas querem “o novo de novo”.

Final da década de 1990 vem com força total: a China vem com capacidade estratosférica de produção, abriu mercados, shoppings, ruas e lojas de departamentos! A velocidade das cópias das grandes grifes! Os chineses e suas cópias espalhavam novidades para o consumidor diariamente e os bairros em São Paulo com Brás, Bom Retiro e 25 de Março (com mão-de-obra escrava boliviana, moram em becos e sem condições humanas de trabalho) lotam suas ruas com lojistas e atacadistas!  E os negócios ampliando no Brasil e no mundo. Esse é o modelo de produção “fast fashion”.

Do início dos anos 2000 até agora, a produção multiplicou de tamanho e o ciclo de vida de cada peça foi encurtando.

O aumento desenfreado da produção têxtil se deve a diversos fatores, principalmente a baixa remuneração da mão de obra da produção, levando ao trabalho escravo.

A China é o maior produtor de roupas e tecidos do mundo, as fábricas migraram das grandes cidades para o interior, países do sudeste da Ásia e África. Para se ter ideia, em Bangladesh o salário mínimo equivale a RS 375,00, é o maior produtor de roupas no planeta! Mão de obra infantil e mulheres que trabalham mais de 14 a 16 horas por dia!

A previsão de crescimento de vendas e consumo global de vestuário é de 63% de 62 milhões de toneladas para 102 milhões.

Diante da nocividade desse problema causado pela moda “fast fashion” parte da sociedade está buscando alternativas de consumo que pelo menos causem o menor impacto possível no meio ambiente.

As novas gerações estão despertando para o mercado da moda e as universidades como agente de mudança esclarecendo e desenhando novos formatos! Tendo a moda sustentável como prioridade!  Planos de negócios forja um outro formato como o conceito de SLOW FASHION “moda lenta” feita para durar, com mais qualidade, preço justo, despertando esse consumidor como agente de mudança! Seu maior objetivo é a preservação dos recursos naturais através do equilíbrio da produtividade, mas ao mesmo tempo, despertar para uma reflexão acerca de não ter pressa, indo na contramão do consumo desenfreado.

O envolvimento dos designers, comerciante, varejistas e consumidores busca balancear essa velocidade da natureza em acompanhar a extração de recursos naturais com a velocidade dos descartes! Tiram todos da zona de conforto, e buscam outros meios.

Outras alternativas estão acontecendo e gerando oportunidades de negócios!

A economia colaborativa cria uma nova forma de consumo e um outro olhar e um novo relacionamento com este!

Parte da iniciativa de cada um, uma nova consciência com autonomia das pessoas envolvidas gera um engajamento coletivo por todas a partes. A economia colaborativa é ampla e inclusiva e relaciona a autonomia de Pessoa a Pessoa (P2P).

Não tão silenciosamente, houve a explosão dos brechós como alternativa ao não descarte e gerando renda para todos envolvidos.

Vem os espaços colaborativos, cowhorking etc.

A volta dos ateliês, coleções autorais, upcycle (espécie de customização), moda reversa vem como alternativa de um novo conceito (a peça já é desenhada com reconfiguração).

Biblioteca de roupas! Aluguéis de roupas estão crescendo o que se inclui como moda sustentável.

Criei uma oportunidade de negócio sustentável em 2015 que chamo de projeto “TRANS - IT” do Transitar, movimentar.

Tudo que está parado no seu armário pode transitar no armário de outras pessoas.

Se você foi levada por uma compra de impulso numa liquidação e chegou em casa e não se identificou mais com a peça e você fica olhando para ela parada ou aquela peça de roupa que você usou uma vez e não conseguiu mais transitar?  Bora movimentar!

Mudou de corpo, mudou de trabalho, peças que não conversam mais com você?  Bora movimentar?

Criei um espaço para todo mês 10 clientes selecionarem até 10 peças (paradas no seu armário) e a venda das peças reverte em crédito para novas compras para a cliente! Transitar é preciso.

Assim juntas, vamos fazendo a transformação que o mundo precisa, urgente!

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