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Política Opinião

ACRE EM NOTAS | População prejudicada

O governador entrou no consórcio nacional e havia encomendado 700 mil doses, que agora viraram fumaça, sem a vacina aprovada

27/04/2021 10h06 Atualizada há 6 dias
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Por: Redação Fonte: Acreaovivo.com
ACRE EM NOTAS | População prejudicada

Vacina

A vacinação caminha a passos de jabuti em todo o Brasil, o governo federal não se preparou para uma campanha nacional por não acreditar na vacina, que transformaria as pessoas em jacarés. O resultado é esse caos, com denúncias de vacinas vencidas, doses de produtos diferentes, fura-filas, fraudes e desvios na aplicação. No meio dessa baderna, o governo federal, por meio da Anvisa, negou ontem, por unanimidade, o uso da vacina russa Sputnik V.

Será?

Será que isso não foi mera retaliação porque a vacina russa foi encomendada por governadores que, em sua maioria, fazem oposição ao presidente e iriam fazer uma campanha de vacinação paralela? Será que não houve interesses politiqueiros maiores que a análise técnica? Ou uma vacina que é usada em 61 países não é boa o bastante para o Brasil de 400 mil mortes de COVID? A Argentina usou basicamente essa vacina e está completando a imunização da maior parte da população. Será que a Anvisa, inteiramente aparelhada por indicados pelo governo federal, não estaria seguindo a orientação da extrema direita americana que prega o boicote à vacina russa? Muito estranho.

Prejuízo

O Acre, que não tem nada com isso, acabou prejudicado. O governador entrou no consórcio nacional e havia encomendado 700 mil doses, que agora viraram fumaça, sem a vacina aprovada. Enquanto isso, o Acre recebe 9 mil doses das vacinas existentes, insuficientes para começar nova fase da campanha. O IBGE estimou que nesse ritmo a imunização da população prioritária no estado só vá se encerrar em 24 de agosto. Até lá, quantas mortes?

Explicações

Aliás, o MP está cobrando explicações da Secretaria Municipal de Saúde sobre a lerdeza da aplicação e o fato de que cerca da metade dos idosos acima de 60 anos não compareceu aos postos de saúde. A campanha municipal é um fracasso e está sob suspeição.

Batalha

Hoje acontece a batalha da CPI na Assembleia Legislativa. O governo tentou articular a retirada de assinaturas do requerimento, mas até ontem à noite não havia sido bem-sucedido. Ao contrário, os proponentes trabalham com a hipótese de obterem mais apoio antes da leitura da proposição.

Objeto

O governador deixou claro que não é, em princípio, contra a CPI, que não teme nenhuma investigação e que a transparência é necessária. Mas discorda, com certa razão, que a CPI foque só nos problemas de seu governo e esqueça o que aconteceu antes. O governo tem um diagnóstico do setor, quando começou o governo, que aponta fatos estarrecedores em gestões anteriores. Gladson acredita que limitada como está, a CPI está politizada.

Racha?

Não apostem em esfacelamento do MDB por essa divisão no partido entre os que apoiam e os que combatem o governo de Gladson Cameli. Isso é típico do MDB, que nunca foi coeso e unido. A divergência, a existência de diversas alas é uma situação intrínseca à história da legenda. Entretanto, o partido sobrevive desde os tempos da resistência à ditadura, passando pela redemocratização e vem convivendo desde sempre com as metamorfoses, com as mudanças de rumo, com suas contradições, permanecendo forte em meio das intempéries.

Milhões

O prefeito Bocalom, ao se gabar de trabalhar aos domingos, como se fosse um imenso sacrifício, anunciou que sua gestão economizou, em três meses, R$ 85 milhões para obras de infraestrutura nas ruas da capital. O que é preciso saber é se nesse montante estão incluídos os R$ 70 milhões deixados pela gestão passada nos cofres municipais ou se serão esses R$ 85 milhões mais os R$ 70 milhões que ficaram como saldo da gestão de Socorro Neri. Esse dinheiro deixado não pode sumir na contabilidade da prefeitura.

Polêmica

Uma polêmica interessante surgiu ontem, com as críticas de Bocalom e sua equipe ao projeto de uma ponte que liga o bairro Airton Sena ao Aeroporto Velho. A acusação é de que o projeto está errado porque em época de enchente a ponte ficaria abaixo da cota de alagamento. A prefeitura fez um estardalhaço com a informação, como se fosse má aplicação do dinheiro público e anunciou estudos para mudar o projeto.

Explicação

Mas o engenheiro Francildo Chaves, que projetou a ponte, explicou que o projeto está correto. Se a prefeitura fosse fazer a ponte acima da cota máxima da cheia do igarapé no local, teria que elevar o tabuleiro 2,5 metros acima do que está revisto hoje. Assim, ficaria inviável para uso das pessoas na travessia. O engenheiro explica que para atingir essa elevação teria que fazer a aproximação com uma rampa de 30 metros para cada lado, para dar acessibilidade.

Tudo alaga

Francildo explicou que, como o bairro todo alaga, inclusive as áreas das cabeceiras da ponte em grande extensão, não há necessidade de elevar, porque ela não poderia ser mesmo usada na alagação, pois seu entorno estaria alagado, impedindo o acesso. Explicou que por isso o tabuleiro foi projetado em madeira, com espaçamento entre as tábuas, para evitar a queda ou o arrasto da estrutura na cheia, garantindo a flutuação. O igarapé naquela área não tem velocidade quando está cheio, porque é represado pelo rio Acre. Explicação simples e eficiente, para quem procura pelo em ovo e acha que só sua administração é honesta, que descobriu a pólvora.

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