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Cultura Crônica

MEMÓRIAS ENGRAÇADAS E NEM TANTO... | Carro voa?

Quando o Psica ficou 'lombrado', tomado por 'altas visões', sugeriu ao amigo que decolassem para Rio Branco, já que estavam na pista ...

25/04/2021 00h00
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Por: Redação Fonte: Acreaovivo.com
MEMÓRIAS ENGRAÇADAS E NEM TANTO... | Carro voa?

Por Edir Figueira Marques

João Psica era uma figura! Deficiente físico! Só os membros superiores eram perfeitos. E os utilizava muito bem. Exímio fabricante de gaiolas de passarinhos, de pião, de papagaios (pipas) e de baladeiras, diversões dos meninos de antigamente. Era o melhor jogador de pião e de peteca (bola de gude) e o maior armador de gaiola para pegar curió e seu parente, o bicudo, passarinhos cantadores abundantes na floresta. Os curiós pardos, ele soltava. Não tinham valor de mercado. Os de maior valia eram os pretos, porque mais “inteligentes”, aprendiam a cantar rapidamente. Os curiós de bico branco eram então, raríssimos, de preço superior, não porque fossem tão bons cantadores, mas por sua beleza! E havia os curiós de ponto, pousados nos galhos altos, os que melhor cantavam e mais difícil de serem apanhados no alçapão.

Psica aprendeu o seu canto e assobiava, chamando estes passarinhos que desciam em busca do pseudocompanheiro, facilitando, então sua captura. João era, por tudo isso, muito querido pela rapaziada. Quando a turma queria pegar curió cantador, ia buscar o Psica que, por andar sobre os braços, com as pernas voltadas para cima, tinha que ser carregado na “cacunda” dos colegas, que se revezavam entre si, para atravessar o igarapé Cafezal a caminho da mata.

Menino pobre, filho de lavadeira, no entanto, amigo de Vitor, que, por sua vez, era filho único do dono da drogaria e rico seringalista dos áureos tempos da borracha. Seu pai era um dos quatro cidadãos que mandavam na política da cidade.

Vitor nada queria com os estudos. Ainda no primário, fora expulso por “pintar o sete”. No ginásio, menino arteiro, não houve diretor que o quisesse entre seus alunos. Mandado para Manaus, também não se segurou no famoso Colégio Dom Bosco, assim como durou pouco tempo no colégio de padres, em Fortaleza. Voltou para sua cidade, a família decepcionada. Em idade de servir o Exército, alistou-se, mesmo contra a vontade dos pais. Mas, lá, da mesma forma, com três meses foi expulso da corporação.

Os dois rapazes, tão antagônicos de berço, tinham em comum o vício que tanto tem destruído nossa juventude. Ambos “torravam um baseado” e juntos armavam travessuras na boca da noite, ou nos escondidos da pista de pouso, onde “não tinha sujeira”, pois ficava quase sempre deserta, já que lá só pousavam os aviões monomotores fretados pelos ricaços, ou em situações de emergência.

Um dia, Vitor ganhou do pai um lindo Corcel, com teto solar, para satisfazer os gostos de seu único rebento, que ainda não se familiarizara com o trabalho! Foi o primeiro carro coupê a chegar à cidade!

Psica era agora também seu companheiro nas aventuras automobilísticas. Não tendo muito onde desfilar pelas ruas, que eram poucas, iam dar “cavalo de pau” na pista de pouso que, à noite, também servia de motel.

Um dia, na maior “fissura”, chegaram ao campo de aviação e começaram a fazer o que mais gostavam: traçaram uma maconha adoidada, até ficarem “baratinados”. Quando o Psica ficou “lombrado”, tomado por “altas visões”, sugeriu ao amigo que decolassem para Rio Branco, já que estavam na pista. O campo ficava entre dois barrancos de rios. Vitor ainda questionou:

- Mas como? Carro não voa!

Psica, sonhador e já “ligadão”, insistiu:

- Voa sim! A gente acelera a 180 km e quando acabar a pista, a gente voa!

Vitor, eufórico, de “cabeça feita”, embarcou na ideia do “pirado”, pois também já estava entrando naquela “viagem”, induzida pela cannabis sativa. Assim fez! Acelerou o carro no início da pista e quando esta acabou no barranco, de fato, voaram, até caírem dentro do rio, que, felizmente, estava em tempo de águas rasas!

E lá ficaram “curtindo um bode”, quando foram encontrados pela população, assombrada com tamanho descalabro.

Durante muito tempo, este era o comentário mais badalado da cidade!

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Edir Figueira Marques
Sobre Edir Figueira Marques
Professora, mestre em pedagogia, escritora e poetisa.
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Atualizado às 20h18 - Fonte: Climatempo
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