Sexta, 25 de Junho de 2021 04:12
(68) 99971-5137
Cultura Crônica

HISTÓRIAS ENGRAÇADAS E NEM TANTO ... | Que peça!

São infinitas as histórias e casos sobre as peripécias do padre José, que enriqueceram as conversas embaixo da mangueira, na pracinha xapuriense, e que ganharam mundo

18/04/2021 00h00 Atualizada há 2 meses
Por: Redação Fonte: Acreaovivo.com
HISTÓRIAS ENGRAÇADAS E NEM TANTO ... | Que peça!

Por Edir Figueira Marques

 Que saudade do padre José! Quem o conhecesse, jamais o esqueceria! Seu carisma era impressionante. Bondoso, solidário, divertido, prestativo, inteligentíssimo! A diversidade de atributos não se restringia às suas qualidades morais, às suas virtudes humanísticas. Era também profissional de “mão cheia”! Aliás, difícil era saber em qual das profissões mais se destacava: religioso? Médico? Mecânico? Motorista? Comunicador? Cômico?

Como um mágico, passava de uma atividade à outra, incansável! Era homem de múltiplas facetas! Naturalmente, o único limite que se impunha era o tempo, ínfimo diante de inúmeras tarefas.

Numa inauguração oficial em Xapuri, com a presença de autoridades estaduais e municipais e o povo que se espremia para assistir a festa e conhecer tão ilustres personalidades, padre José foi convidado para abençoar as instalações, como era de praxe, antigamente.

Mas, era dia de “desobriga”, em que devia viajar para os ramais e, naquela estrada, batizar novos rebentos, crismar alguns mais taludinhos e casar os noivos que esperavam, ansiosos, pela consumação das núpcias. Encontrou uma solução: estudou o mapa do município, localizou, mentalmente, a direção em que residiam os fiéis que o aguardavam.

Após benzer o prédio, ao discursar em presença de todos, não teve conversa: virou-se para o sul, imaginou uma bússola, localizou o seringal Cachoeira e a colocação Fazendinha, terra de Chico Mendes, citou o nome das criancinhas nascidas naquela região, inscritas para batismo, e, solenemente, procedeu ao ritual, declarando todas batizadas em nome da Santíssima Trindade. Da mesma forma, agiu, casando os nubentes e declarando-os marido e mulher, em nome de Deus, diante de tão nobres testemunhas.

São infinitas as histórias e casos sobre as peripécias do padre José, que enriqueceram as conversas embaixo da mangueira, na pracinha xapuriense, e que ganharam mundo.

Todos eram seus amigos e se sentiam honrados se alcançassem a sorte de recebê-lo em sua residência para almoçar e fazer a digestão, alegremente, com “um dedinho de prosa”.

O Jotinha conseguira esta glória, ao convidar o padre José para dividir o almoço com sua família. Muito católico, não perdia a missa aos domingos nem as novenas de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, às terças-feiras. Sobre a mesinha lateral na sala de estar, sobressaia-se a prova maior do cristão, a Bíblia Sagrada, que o dono da casa asseverava ler diariamente, com a mulher e os filhos.

A refeição encerrou-se, recheada de casos contados pelo impagável religioso até que se despediram, prometendo uma nova ocasião de refeição compartilhada.

Passados alguns dias, a esposa do Jotinha, comentou, reservadamente, com o marido: desde aquele último almoço que servira com seu valioso talher de prata, notara que ficou faltando uma faca, ao arrumar, meticulosamente, as peças no faqueiro. A desconfiança ficou a persistir, em que pese nunca terem sabido que o padre sofria de cleptomania.

Meses depois, estando o padre José na capital, após viagem ao sul do país, em que dava verdadeiro show nas televisões em programa nacional, contando casos e conquistando doações para suas obras sociais, o casal tornou a convidá-lo. Desta vez, a anfitriã iria prestar mais atenção quanto a seus estimados talheres.

Mas, no decorrer da refeição, a dona da casa não se conteve e deu um jeito de tocar no assunto do talher que havia perdido.

Durante a conversa, o religioso perguntou se eles continuavam com o hábito de leitura diária dos evangelhos e salmos, no livro mais vendido mundialmente e que, do mesmo jeito, estava sobre a mesinha. Confirmaram, com veemência, que sim!

Ao terminar o lauto almoço com sobremesa e cafezinho, o padre José, distraidamente, abre a Bíblia e dela cai a tão procurada faca. Surpresa geral!

Desde o almoço anterior, lá jazia a faca, entre as páginas não lidas, que o padre havia colocado sorrateiramente, para testar a verdade.

O dono da casa ficou sem graça, por ter mentido tão descaradamente para o representante eclesial, que, assim, de forma tão sutil, pregara-lhe uma peça demonstrando, mais uma vez, sua inteligência, ao por à prova a afirmação da leitura assídua, pela família, do livro sagrado!

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
Edir Figueira Marques
Sobre Edir Figueira Marques
Professora, mestre em pedagogia, escritora e poetisa.
Rio Branco - AC
Atualizado às 06h01 - Fonte: Climatempo
19°
Alguma nebulosidade

Mín. 19° Máx. 32°

19° Sensação
2 km/h Vento
100% Umidade do ar
0% (0mm) Chance de chuva
Amanhã (26/06)
Madrugada
Manhã
Tarde
Noite

Mín. 20° Máx. 33°

Sol com algumas nuvens
Domingo (27/06)
Madrugada
Manhã
Tarde
Noite

Mín. 21° Máx. 34°

Sol, pancadas de chuva e trovoadas.