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Política Opinião

ACRE EM NOTAS | Majestade

Megalomaníaco, o senador Márcio Bittar quis virar o caixa do Brasil

12/04/2021 10h01 Atualizada há 3 semanas
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Por: Redação Fonte: Acreaovivo.com
O ministro Paulo Guedes comparou o relator do orçamento com um macaco pilotando uma nave espacial.
O ministro Paulo Guedes comparou o relator do orçamento com um macaco pilotando uma nave espacial.

Lesa Pátria

O projeto de orçamento da União, malfeito pelo senador acreano Márcio Bittar, não está sendo encarado apenas como falho ou equivocado. E sim como uma ação de lesa pátria. A opinião do mercado financeiro, dos líderes corporativos, é que o projeto inviabiliza o Brasil e que, se Bolsonaro assinar o Orçamento como foi aprovado pelo Congresso, o risco de impeachment vai entrar definitivamente no radar do mercado. Desta forma, apenas a possibilidade do processo de impedimento - mesmo que ele não vá adiante - já é suficiente para que os investidores fiquem mais desconfiados com relação ao Brasil. A consequência disso é a valorização do dólar em relação ao real e inflação mais alta.

O esperto

Bittar achou que estava com a faca e o queijo na mão. O até então discreto do Acre se arvorou a maior figura da República, quando não passava de um menino de recados do presidente, escalado para as missões mais torpes, como a medida do auxílio emergencial, uma ninharia em troca da perda de direitos. Quando assumiu a feitura do orçamento era para continuar a ser pau mandado, fazendo exatamente as vontades da equipe econômica. Ou, como dizia o ditado medieval, que não fosse o sapateiro além dos sapatos. Quis dar uma de esperto, pegou pilha de alguns parlamentares e deu no que deu.

Encheu os olhos

Bittar encheu os olhos, perdeu a modéstia, perdeu o prumo, perdeu os escrúpulos. Trocou a equipe econômica pelo Desenvolvimento Regional e ignorou as regras básicas das despesas obrigatórias, que não poderiam ser objeto de relativização. Fez mais, privilegiou especialmente os senadores com gordas verbas para emendas parlamentares, ligadas ao ministério comandado por Rogério Marinho, em contraposição à austeridade fiscal pregada pela equipe econômica.

Majestade

Em um gesto grandiloquente, que só uma mente insana poderia arquitetar, reservou para si mesmo a modesta quantia de R$ 10 bilhões para usar como entendesse, na rubrica emendas do relator. Megalomaníaco, quis virar o caixa do Brasil. Decidiu por conta própria acabar com o censo, cortando mais de 95% da verba do IBGE, e terminou por colocar o governo que ele jura defender em uma sinuca de bico, que pode levar até à deposição do presidente que ele diz admirar. Márcio, segundo seus próprios pares, demonstrou ter o tamanho de um vereador do interior, não de um senador da República. O ministro Paulo Guedes, por exemplo, o comparou com um macaco pilotando uma nave espacial.

Cantando de galo

Com tufo isso, Márcio ainda quer cantar de galo no Acre, quer ter o domínio da sucessão estadual, controlar setores do governo, investir na campanha de sua ex-mulher e de seu filho, como se nada tivesse acontecido. Quando o senador vai cair na real de que é uma carta fora do baralho político? Nunca na história desse país um político teve uma ascensão tão rápida e vigorosa e uma queda, um tombo, tão abrupto.

Gravação

Uma gravação do secretário Paulo Cezar incendiou a área da segurança pública. Com críticas a oficiais da PM, acusados de vitimismo, o secretário abriu uma crise em um setor que vinha optando pela normalidade. Foi o que bastou para que os inconformados se manifestassem. Há certas coisas que não se diz. Aplicativos de voz e telefones precisam ser usados da forma como Tancredo Neves aconselhava: só servem para marcar reuniões e assim mesmo em lugar errado.

Sem especulação

A ex-prefeita Socorro Neri cortou qualquer especulação com seu nome para a Secretaria da Educação. Não quis render conversa e mostrou que não se presta a conchavos, a queimações de redes sociais. Deixou claro que não recebeu nenhum convite e que não tem interesse em brigar por cargos. Traça sua vida dentro das possibilidades e da realidade. Por isso, voltará à sala de aula da UFAC. Não fechou portas, mas não se dispôs ao jogo de especulações. Faz bem.

Vacinas

A morosidade na aplicação das vacinas por parte das prefeituras está prejudicando o estado e impedindo uma imunização mais rápida. O governador havia conseguido que o Ministério da Saúde aumentasse em 30% a quantidade de vacinas enviadas ao estado, mas isso só vai se concretizar quando os estoques disponíveis forem usados. Ou seja, as prefeituras nem fazem, nem desocupam a moita. O próprio governador afirmou que a vacinação no Acre anda a passos de jabuti. Ação só se nota a do secretário municipal de saúde da capital, que não sai de frente das câmeras, mesmo com a marcha lenta da aplicação das vacinas.

Resultado

O candidato da extrema-esquerda, ligado ao movimento campesino, venceu o primeiro turno das eleições no Peru. Disputando pelo partido Peru Livre, Pedro Castillo se proclama "marxista-leninista-mariateguista". O partido propõe reformas como a destituição do Tribunal Constitucional, por considerar que o órgão é uma força aliada às elites do país. Seu partido, Peru Livre, também defende uma reforma "total" em relação à política fiscal e tributária peruana e propõe a "nacionalização dos recursos estratégicos" da nação.

Em risco

Já se nota que uma possível eleição de Castillo, que ainda não sabe qual será seu adversário no segundo turno, possivelmente a deputada Keiko Fujimori, de direita, filha do ex-presidente Fujimori, vai abalar as relações com o governo de extrema-direita do Brasil. A tão sonhava estrada Cruzeiro do Sul – Pucallpa seria uma utopia com Castillo no poder.

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