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Política Opinião

EDITORIAL | 100 dias

Mas desde os famosos 100 dias do segundo governo de Napoleão, não se vê uma administração tão coberta de fatores negativos quanto a da prefeitura da capital, sob o controle de Tião Bocalom

10/04/2021 09h28
Por: Redação Fonte: Acreaovivo.com
EDITORIAL | 100 dias

Este é o período que tradicionalmente marca uma trégua para o governante que inicia seu mandato, para que mostre a que veio. Para que dê início à execução de suas propostas, comprove a viabilidade de sua gestão. Mas desde os famosos 100 dias do segundo governo de Napoleão, depois de sua fuga da ilha de Elba, até a derrota final que o levou ao exílio na ilha de Santa Helena, não se vê uma administração tão coberta de fatores negativos quanto a da prefeitura da capital, sob o controle de Tião Bocalom.

É uma sucessão de trapalhadas sem comparação com nada que já houve na política acreana. Da omissão vergonhosa na enchente dos igarapés em janeiro, quando o prefeito estava, como sempre, viajando e a vice fazendo filminho do Titanic, à esdrúxula e ilegal liberação dos cultos feita ontem, que terá que ser revista por exigência dos MPAC e MPF, Bocalom coleciona reveses, polêmicas, vacilos e muita pouca coisa para mostrar.

Nesse intervalo de tempo aconteceu a agressão aos garis pela tropa de choque da PM; ambulante arrastado pela rua; caos na vacinação, com sérias acusações de desvio de doses para público não prioritário e atrasos de horas nas filas de imunização; viagens constantes do prefeito para cuidar de interesses particulares com as facilidades do cargo; demissão de jornalista por críticas ao presidente; instalação de abrigos coletivos para desalojados, em plena pandemia; denúncias contra a administração anterior não provadas e que tiveram que ser retiradas pelo risco de processo.

Sem contar a balela da reversão do sistema de distribuição de água da qual não se fala mais, da posição subalterna aos donos de empresas de ônibus que ele prometeu enfrentar e a celeuma da contratação da nova empresa de varrição, em que ele vai praticar a mesma modalidade de pagamento que criticou, por posto de trabalho e pagando mais caro o contrato individual do que o que se recusava a acertar, com críticas infundadas à antecessora. E, ainda, a escandalosa contratação sem licitação da empresa de mídia, a mesma que fez sua campanha eleitoral. Uma relação desastrosa com a Câmara Municipal, com seus secretários pouco qualificados entrado em conflito permanente com vereadores sem ninguém para abrir canais de entendimento necessários no processo democrático e de equilíbrio entre poderes.

O fato é que, ao se completar 100 dias, são poucos os que ainda defendem a administração, sem rumo, ególatra, isolada, autoritária, inoperante, confusa, sem liderança, sem articulação, sem diálogo, jurássica em seus métodos, cruel em suas decisões, bem distante das promessas feitas à população.

Entre a expectativa e a realidade, o resultado é a imensa frustação da população da capital que esperava e merecia coisa muito melhor.

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