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Política Opinião

ACRE EM NOTAS | Emurb

O depoimento de Jackson Marinheiro, que praticamente se criou dentro do PT, representa um duro golpe nas estruturas do partido no Acre

09/04/2021 13h07 Atualizada há 3 semanas
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Por: Redação Fonte: Acreaovivo.com
Ex-prefeito de Rio Branco, Marcus Alexandre, é denunciado por desvios na Emurb.
Ex-prefeito de Rio Branco, Marcus Alexandre, é denunciado por desvios na Emurb.

Para todos os gostos

Há escândalos, intrigas, situações que vão virar escândalo em algum momento, brigas, rasteiras, mentiras, conchavos, acordos espúrios, delações, denúncias, tudo isso acontecendo ao mesmo tempo em que a classe política jura que só se preocupa com a pandemia, com a cara de pau de quem acha que a população é ingênua. O Acre é um barril de pólvora que está prestes a estourar.

Educação

Na Educação estadual, o esquema da compra de computadores acabou em denúncia criminal e mal teve um encaminhamento, outras acusações eclodiram por lá. Por isso, o governador mandou fazer uma auditoria em todos os contratos da secretaria. Isso pode estar atrasando a possível nomeação da ex-prefeita Socorro Neri. É improvável que o secretário Mauro Cruz, mesmo provando que nada teve com as possíveis falcatruas, consiga se manter no cargo, com tanta coisa acontecendo supostamente às suas costas.

Carona

Que isso sirva de lição para a secretaria de Educação e para outras áreas do governo. A prática de pegar carona nas licitações é meio caminho andado para o desastre, para problemas. Não é correto o estado se valer de licitações feitas por obscuras prefeituras para fazer suas compras. Pode até ser legal, mas não é conveniente. Melhor fazer as coisas às claras, com licitações transparentes e de caráter o mais aberto e democrático possível.

Emurb

A cuíca do Jackson Marinheiro roncou e, diante do inevitável, ele resolveu abrir a boca. E o que ele contou ao juiz Cloves Cabral é de fazer estátua corar, se for comprovado ser verdade. Ele aponta que, em sua gestão, a EMURB era um verdadeiro cofre da administração, que cabia a ele dar um jeito de atender todas as necessidades financeiras, digamos, não republicanas, do gabinete do então prefeito Marcus Alexandre. Disse que a EMURB pagava do foguete ao alfinete. O dinheiro para todos os gastos vinha de medições feitas por trabalhos superfaturados.

Gastos

Os pedidos, que Marinheiro disse que vinham ou diretamente do prefeito ou de seu secretário André Kamai, também dirigente do PT, sempre visavam campanhas, compra de gasolina para política, atendimento de requisições de lideranças comunitárias, até compra de caixões. Um rol de insanidades que a Operação Midas estima que tenha desviado R$ 7 milhões. O depoimento de Jackson Marinheiro representa um duro golpe nas estruturas do partido no Acre.

Denúncia

Marinheiro não falou tudo, guardou nomes e detalhes para viabilizar uma delação premiada, a exemplo de outros diretores da Emurb envolvidos na investigação, que possa livrá-lo de uma pena maior. Mas o que ele disse já é o bastante para o MP apresentar denúncia contra o ex-prefeito Marcus Alexandre, que se defendeu ontem alegando perseguição política.

Vassourada

Agora está explicada a verdadeira vassourada que a prefeita Socorro Neri deu na EMURB assim que assumiu, mudando todas as chefias, pondo um diretor de extrema confiança e cerrando as portas para quaisquer irregularidades. Em seus dois anos de gestão, nenhuma denúncia aconteceu na empresa. Talvez por fazer secar essa fonte, tenha sido tão atacada pelos que se locupletavam dos esquemas.

Prefeitura

Nenhum escândalo fica completo se não esbarrar na atual administração da prefeitura, que aparece logo com dois. O primeiro é a balela do projeto de lei que concede quatro passagens de ônibus por mês para beneficiários do Bolsa Família. Claro que quatro passagens estão longe de representar sequer uma ajuda para essas famílias. Irrisório, mas os vereadores não custaram a descobrir a razão oculta.

Subsídio

Foi a forma encontrada pelo prefeito Tião Bocalom de escamotear o pagamento do subsídio para as empresas de ônibus que tanto criticou na gestão anterior. O dinheiro não vai para as famílias, mas para as empresas, que viabilizarão as passagens. Coisa de R$ 1,3 milhão por mês. Pior ainda, o dinheiro sairá da verba reservada para as passagens dos estudantes, que Bocalom prometeu cortar. Os vereadores já entenderam a maracutaia e vão mudar a proposta.

Zeladoria

O segundo problema vem do contrato da zeladoria com a empresa de varrição. O prefeito tento reclamou que o contrato anterior estava irregular, que agora contratou a empresa pagando da mesma forma que ele havia considerado ilegal: por posto de trabalho. Fez uma onda danada dizendo que o pagamento deveria ser por metro quadrado medido por geolocalização e vai usar o mesmo padrão.

Entretanto...

Pior ainda, o custo por trabalhador vai sair mais alto do que no contrato anterior. Está no papel. E estava desde o início óbvio que seria assim. O valor do contrato é menor por causa de uma artimanha engana-trouxa. O número de trabalhadores contratados é muito menor do que o contrato anterior e claramente insuficiente para dar conta do serviço. Isso se arruma com aditivos, que elevam o preço, mas que não aparecem no contrato original. Só que é facilmente perceptível e, por vezes, a esperteza engole o esperto.

 

Corrigimos: diferentemente do que havíamos afirmado na nota "Gastos", a mãe de Jackson Marinheiro não foi uma das fundadoras do PT e tão pouco o ex-gestor da Emurb foi criado dentro do PT, ou seja, é de safra nova. A nota foi corrigida.

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