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Esportes Opinião

Atividade física e qualidade de vida | parte 1

É preciso o equilíbrio dinâmico sobre os pontos mais vulneráveis e que estão diretamente correlacionados com atitudes de autoestima, valorização pessoal, cuidado e consciência corporal e resiliência, o que exige a dose certa de disciplina

09/04/2021 10h31 Atualizada há 5 meses
Por: Redação Fonte: Acreaovivo.com

Por Marcus Albuquerque CREF 000545G/AC

Assim que nascemos já estamos fadados ao amadurecimento e encaminhados para a formação, transformação e desenvolvimento.

Segundo conceitos atuais de saúde, o elemento biopsicofisicossocial determina a qualidade de vida. Só a ausência de sintomas fisiológicos e físicos se reduziu a um dos pontos de avaliação. A estrutura social, ambiente familiar, de trabalho e condições sanitárias e higiênicas somam-se em um amplo conceito reavaliado pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

Como são multifatoriais e interdependentes na maioria das vezes, também com influência externa que, dependendo da situação pessoal, não há um total controle da formatação, é preciso o equilíbrio dinâmico sobre os pontos mais vulneráveis e que estão diretamente correlacionados com atitudes de autoestima, valorização pessoal, cuidado e consciência corporal e resiliência, o que exige a dose certa de disciplina para alcançar.O mais pessoal e alcançável destes fatores é o cuidado com a saúde corporal, que influencia diretamente a mental.

“O exercício é um tratamento contra ansiedade natural e eficaz. Ele alivia a tensão e o estresse, aumenta a energia física e mental e melhora o bem-estar através da liberação de endorfina. Qualquer coisa que faça você se mover pode ajudar, mas você terá um benefício maior se você focar a atenção na atividade”. (Blog do Hospital Santa Mônica).

Além disto, o descaso com a estrutura e funcionamento fisiológico corporal acarreta comorbidades que só existem pela falta de exercícios físicos, quando não detectados por herança genética, o que é o menor índice identificado em avaliações de sintomatologia.

“Não praticar atividade física implica em uma série de doenças, como a osteoporose e a hipertensão, sendo responsável por 30% das queixas de enfermidades cardíacas. A prática constante de exercícios ajuda a manter equilibrado o nível de colesterol bom (HDL), fundamental para o bom funcionamento do organismo”. (Secretaria Estadual de Saúde do Tocantins).

Para iniciar atividade física não importa a idade, mas sim a necessidade de análise pessoal (anamnese), com a utilização de questionários que identifiquem possíveis limitações para as avaliações físicas e funcionais iniciais e posterior aplicação de treinamento. O mais famoso e simples é o PAR-Q, proposto e revisado pela Sociedade Canadense de Fisiologia do Exercício (1994), que tem como objetivo liberar o indivíduo para a prática de atividades físicas de moderada intensidade. Deverá ser utilizado com objetivo de determinar a necessidade de consulta médica antes do início de programas de atividades físicas ou testes de aptidão física. O questionário consiste em 7 perguntas. Se o cliente responder sim a qualquer uma delas, deverá ser encaminhado para consulta médica antes dos testes de aptidão física e/ou antes de iniciar programas de exercícios físicos.

Também existe a série WHOQOL da OMS, questionários relativos à saúde física e mental, que abrange diversos segmentos populacionais:

“A definição do Grupo WHOQOL reflete a natureza subjetiva da avaliação que está imersa no contexto cultural, social e de meio ambiente. O que está em questão não é a natureza objetiva do meio ambiente, do estado funcional ou do estado psicológico, ou ainda como o profissional de saúde ou um familiar avalia essas dimensões: é a percepção do respondente/paciente que está sendo avaliada.

Foi desenvolvido utilizando um enfoque transcultural original. Primeiro, por envolver a criação de um único instrumento de forma colaborativa simultaneamente em diferentes centros. Desta forma, vários centros com culturas diversas participaram da operacionalização dos domínios de avaliação de qualidade de vida, da redação e seleção de questões, da derivação da escala de respostas e do teste de campo nos países envolvidos nesta etapa. Com esta abordagem foi possível equacionar as dificuldades referentes à padronização, equivalência e tradução à medida que se desenvolvia o instrumento. Para garantir que a colaboração fosse genuinamente internacional, os centros foram selecionados de forma a incluir países com diferenças no nível de industrialização, disponibilidade de serviços de saúde, importância da família e religião dominante, entre outros.

Segundo, o método WHOQOL utilizou uma entrada de dados iterativa entre os pesquisadores com a consolidação e revisão da informação em cada estágio do desenvolvimento do instrumento. Isso permitiu que as impressões dos especialistas em qualidade de vida, bem como a visão dos pacientes e profissionais de saúde estivessem contínua e repetidamente influenciando o processo.

Terceiro, um cuidadoso método de tradução do instrumento - que envolveu não só a tradução e retrotradução, mas também a discussão em grupos focais da versão com pacientes, profissionais de saúde e membros da comunidade - permitiu a incorporação de várias sugestões às traduções.

O método WHOQOL aplicado à versão brasileira do instrumento foi descrito detalhadamente em outra publicação (Fleck et al., 1999a)”.

(Marcelo Pio de Almeida Fleck - O instrumento de avaliação de qualidade de vida da Organização Mundial da Saúde (WHOQOL-100): características e perspectivas. Departamento de Psiquiatria e Medicina Legal da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Rua Ramiro Barcellos 2.350/4o andar, Porto Alegre, Brasil. [email protected])

A fase do conhecimento do indivíduo através de perguntas realiza o encaminhamento do mesmo ao passo seguinte, que é bidirecionado: caso responda alguma pergunta SIM ao PAR Q, vai para exames médicos complementares, se não, vai para a parte de medições corporais e testes físicos. Esta segunda bateria se divide por indivíduo e objetivos: crianças e adolescentes, jovens adultos, meia idade, idosos e longevidade avançada. A subdivisão seguinte vem por análise secundária das medidas antropométricas: obesidade, sedentarismo, atividade física leve a moderada, vigorosa, intensa, atletas amadores e atletas profissionais. Com isto a especificação na avaliação e a precisão da prescrição de atividades físicas e treinamento em geral gera mais segurança e possibilidade de sucesso.

O teste mais simples e usado nesta fase é o TSL (teste de sentar e levantar), criado e proposto pelo Dr Claudio Gil Araújo, médico da medicina do esporte, fundador da Clinimex, uma das pioneiras e com maior produção acadêmica e intelectual da área, no Brasil.

Simples, eficaz, rápido e seguro, basta que o avaliador tenha familiaridade com a tabela de pontuação (uma escala de 0 a 5) que consiste em analisar o movimento de sentar e levantar do chão, sozinho. Para segurança do avaliado, deve-se ficar próximo, em uma posição anterior diagonal, e que seja perto de algum aparato de apoio (menos nas costas e diagonais posteriores, para evitar abalroamento em caso de perda de equilíbrio). Avaliado inicia com cinco pontos. Para cada apoio no solo na subida e descida, é um ponto a menos. Para cada identificação de desequilíbrio ao sentar ou ficar em pé, menos 0,5 ponto.

Em 2009, um trabalho de doutorado correlacionou o teste com variáveis de saúde, o que lhe rendeu o status mundial de parâmetro regular e confiável. Um estudo longitudinal de 15 anos de duração mostrou que os indivíduos que pontuaram 0 a 3 tiveram uma taxa de mortalidade de 60%, enquanto os de score 4 a 5, 20%. Isso é muito mais que diversas outras formas lineares de predição de saúde. Até o exército americano utiliza hoje em dia, durante seus testes de recrutamento.

Na próxima semana continuaremos com o passo-a-passo para um incremento seguro e certeiro na sua qualidade de vida.

Até lá!

Como você quer envelhecer?

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Marcus Albuquerque
Sobre Marcus Albuquerque
Professor de educação física, especialista em judô olímpico e pilates.
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Atualizado às 07h37 - Fonte: Climatempo
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