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MEMÓRIAS ENGRAÇADAS E NEM TANTO... | Como? Escrever crônica?

Não sei o que vai sair desta “caixola” que está ficando velha e carcomida e que nunca foi dada a gravar lembranças e recordações do dia a dia

04/04/2021 00h00 Atualizada há 2 meses
Por: Redação Fonte: Acreaovivo.com

Por Edir Figueira Marques

 

MEMÓRIAS ENGRAÇADAS E NEM TANTO... foi publicado pela Academia Acreana de Letras, em 2019, em comemoração aos 82 anos da instituição. Diferente dos meus livros anteriores (Educação Básica no Acre, 2000, em que escrevi sobre história na minha dissertação de mestrado; Confidências, 2015; Gotas Maduras, 2018, de poesias), além das participações em diversas antologias, resolvi enveredar pelo mundo das crônicas e contos.

O primeiro texto, reproduzido a seguir, é justamente sobre como escrever esse gênero tão diferente do que estava acostumada. Vamos lá?!

COMO? ESCREVER CRÔNICA?

Resolvi que hoje vou ingressar em novo desafio e antigo projeto de escrever crônicas. Não sei o que vai sair desta “caixola” que está ficando velha e carcomida e que nunca foi dada a gravar lembranças e recordações do dia a dia.  Na verdade, cumpri sempre minhas tarefas diárias como um dever de casa, que deletava da mente, após realizado, abrindo espaço (seria byte?) para novos registros a agendar. Com isso, não tenho riquezas de detalhes a enfeitar um texto de memórias.

Mas, "vamos lá"!

Como ainda guardo um pouco da menina tímida que era, não sou dada à expansão de manifestações de meus sentimentos, sejam de arroubos de alegria ou de dores e tristezas. Mas acho que sou mais chegada a dramas que a comédias, em minha existência! Desconfio que o romântico, pincelado aqui e ali com sutil erotismo, seria minha praia! Cadê coragem, no entanto, para expor emoções tão íntimas?

Minha timidez trava minha fala e acabei por encontrar na escrita um meio de botar pra fora e tentar me entender (pelo menos organizar) um pouco deste rebuliço que revolve a alma e que deixa a gente louca, quando atacada por flechas como a do Cupido, ou quando o mundo desaba sobre nós com tudo que a vida traz de surpresas e dores e tristezas! E aqui já estou fazendo um pouco de rima... É a poesia que eclodiu de mim, fórmula ou instrumento mais eficaz de recolher, no concreto da tinta no papel, emoções incontidas, ápices de sofrimento, que se manifestaram em forma de versos, no doloroso parto da dor da perda. Custou muito a chegar este momento! Passaram-se setenta anos! Não que fosse o primeiro e único, mas foi o momento que me senti completamente só!

Pessoas como eu - e aprendi que nunca somos singulares em passar por isso - que têm medo de sentir, ou melhor, de se deixar dominar pelo sentimento, de manifestar emoções e que correm e se trancam no quarto ou no banheiro para chorar e não permitir que outros percebam (vergonha? Sei lá!), precisam e muito desta catarse. Escrever!  Mas, se até no diário receava me externar, com medo de um dia ser lido por outras pessoas?

Não vou me lamentar, por ter perdido e desperdiçado tanto tempo que poderiam, quem sabe, ter-me tornado uma famosa poetisa ou uma cronista de primeira! (Convencida!) Mas que me teriam feito compreender que sou humana e que, como tal, não sou imune e nem tenho por que me esconder de sentimentos tão ricos que nos caracterizam! Quem, um dia, (e aqui faço questão de registrar) me "colocou com a pulga atrás da orelha" foi uma querida prima, a minha única e rara confidente com quem ousei comentar algumas inquietações. Dotada da sensibilidade de artista, falou-me da necessidade de exteriorizar emoções que, guardadas, machucam e deixam cicatrizes! Ela assim faz, com maestria, quando mistura cores e congela flashes de vida fortemente vivida, nas lindas telas de aquarela!

Eu, noviça nas artes da escrita, estou tentando derramar tintas borradas de lágrimas sobre a folha do papel! 

Ou melhor, para ser mais moderna: tento dedilhar, nas teclas deste velho tablet, letras embaçadas, turvas de lágrimas, que possam, de alguma forma, fazer sentido!

Mas, enquanto não venço minha timidez, para externar meu íntimo, vou contando algumas histórias engraçadas da vida dos outros!

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Edir Figueira Marques
Sobre Edir Figueira Marques
Professora, mestre em pedagogia, escritora e poetisa.
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