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A)pesar de você!

Com 259.271 mortes pela COVID no país, o Presidente diz: “Chega de frescura e de mimimi, vão ficar chorando até quando?”, acobertado pelo silêncio dos indiferentes

05/03/2021 21h12 Atualizada há 6 meses
Por: Redação Fonte: Acreaovivo.com
Bolsonaro e coronavírus. Montagem sobre foto de Marcelo Camargo/Agência Brasil
Bolsonaro e coronavírus. Montagem sobre foto de Marcelo Camargo/Agência Brasil

Por Talita Montysuma

Começo esse texto dizendo que minha intenção inicial seria fazer um texto para o dia 08 março, Dia Internacional da Mulher, mas não consigo pensar em outra coisa que não seja o dia 17 de março. Para esclarecer melhor, relembrarei: foi nessa data a confirmação dos 3 casos de COVID no Acre, e de lá pra cá foram 58.506 infectados e 1.030 pessoas mortas.

Um ano se passou e estamos na pior fase, estamos em alerta por conta do colapso do sistema de saúde por conta da COVID e aumento dos casos de dengue, sem contar com a já esperada (pelo menos deveria ser) enchente e uma avassaladora crise humanitária que assola a fronteira do Acre com o Peru em decorrência da imigração de haitianos e venezuelanos.

Refletindo sobre isso e meu “Unbehagen” (mal-estar), lembrei que nossa sociedade sempre foi sanguinária. Nasci durante a ditadura, tive uma professora maravilhosa de história, chamada Marta, que me ensinou como a história do Brasil é violenta, forjada sobre o sangue negro e indígena e como cinicamente banalizamos o mal.

Talvez tenha me perdido um pouco em esperança com as “Diretas já” e ver de perto a democracia se construindo, os discursos de volta a Pólis de forma livre, sem que as pessoas corressem o perigo de serem mortos, mas como diria Brecht “A cadela do fascismo está sempre no cio”.

Daí, de um hiato democrático entre a direita e esquerda, vi nascer o Messias. No campo das ideias se deixou crescer o discurso de morte, dando o direito de se expressar a quem se sustenta pela guerra, diminui dinheiro para saúde e educação e libera armas. Com 259.271 mortes pela COVID no país, o Presidente diz: “Chega de frescura e de mimimi, vão ficar chorando até quando?”, acobertado pelo silêncio dos indiferentes.

Aí lembrei que Freud escutou a guerra por duas vezes, perdeu a filha para a gripe espanhola e perseverou, porque ele sabia que todas essas mazelas mundanas são os sujeitos às voltas com sua castração e o que fazer com ela, Lacan dizia: “Eu não sou poeta, sou poema”.

Me apego na transitoriedade, assim como no texto freudiano “Transitoriedade” (1916), escrito logo depois de estourar a guerra, onde ele conta o passeio e conversa que tivera com um amigo sobre a finitude, o luto que recai sobre nós quando perdemos algo que amamos e que é por estamos sempre à beira dessa perda que devemos valorizar cada momento, ato, desejo e afeto.

No texto, Freud encerra assim:

“[...] Esperemos que em relação às perdas dessa guerra não se caminhe de maneira diferente. Se antes o luto for superado, isso mostrará que nossa elevada avaliação dos bens culturais não sucumbiu à experiência de sua fragilidade. Reconstruiremos tudo o que a guerra destruiu, talvez com fundamentos mais sólidos e mais duráveis do que antes”.

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Talita Montysuma
Sobre Talita Montysuma
Psicóloga, especialista em Clínica Psicanalítica.
Rio Branco - AC
Atualizado às 08h39 - Fonte: Climatempo
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