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Política OPINIÃO

COLUNA POLÍTICA | Lockdown

Gladson Cameli anunciou “lockdown” só nos fins de semana e, ao mesmo tempo, medidas de flexibilização para o comércio

25/02/2021 11h58 Atualizada há 2 meses
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Por: Redação Fonte: Acreaovivo.com
Cameli anuncia “lockdown” só nos fins de semana. Foto divulgação
Cameli anuncia “lockdown” só nos fins de semana. Foto divulgação

Expectativa e realidade

Parece aquela brincadeira de rede social. A expectativa criada pela visita do presidente Bolsonaro ao Acre era de solução para os problemas regionais. O senador Márcio Bittar falou em R$ 450 milhões, o governador foi mais modesto, pedindo R$ 10 milhões, vacinas para imunização em massa, solução para a crise imigratória, mais leitos de UTIs, equipamentos e contratos de mais médicos. Mas a realidade foi muito diferente.

Concreto

De concreto, na mão, consolidado, a visita rendeu quase 22 mil doses de vacinas – que já estavam na previsão de distribuição proporcional entre os estados –, que atenderão somente 11 mil pessoas, liberação de FGTS para atingidos pelas enchentes que estejam empregadas ou tenham dinheiro em suas contas do Fundo, R$ 16 milhões a serem distribuídos entre 10 municípios e a promessa da inauguração da ponte do Madeira em março. De R$ 450 milhões para R$ 16 milhões, é uma senhora diferença, hein senador!

Orçamento

O argumento de que o governo não tem ainda o orçamento aprovado e sofre com isso, com restrições para gastos não cola muito não. Todo mundo sabe que existe uma gordura para emergências, tem emendas parlamentares para usar. A visita muito badalada deixou muito a desejar.

Mito

Nada disso desestimulou os apoiadores do presidente, que se aglomeraram em Rio Branco e em Sena Madureira para saudá-lo ao som de seu bordão predileto, “mito, mito!”. Fora do protocolo, Bolsonaro foi à multidão, sem máscara, provocando aglomerações nas duas cidades que estão na bandeira vermelha da COVID e com recomendação de total isolamento social. Acontecimentos para deixar os especialistas de cabelo em pé. E o pior foi ver que alguns para puxar o saco o “mito” tiraram a máscara também. Eita Brasilzinho!

Pergunta

Bolsonaro encerrou a rápida entrevista coletiva quando um jornalista iniciou questionamento sobre a decisão do STJ, ontem, a favor de seu filho Flávio. Fez mal o presidente. Bastava dizer que não responderia à pergunta, como tem direito a responder o que quiser. Mas não pode generalizar para toda a imprensa sua insatisfação. Até porque, como dizia Millor Fernandes, Jornalismo é oposição, o resto é armazém de secos e molhados.

Ponte

O presidente garantiu que no dia 18 volta ao estado para a inauguração da ponte sobre o rio Madeira, próximo do Abunã. Deve ser a principal obra entregue em seu governo, até agora, uma promessa de quase uma década, com entraves de toda ordem. Mas é uma notícia fundamental para o Acre, para seu futuro, para o desenvolvimento da região, que fica livre da incômoda balsa, que extorquia e dificultava o transporte de mercadorias e pessoas.

Embaixadora

A embaixadora do Haiti, Rachel Coupaud, veio na comitiva para tentar resolver a situação de seus conterrâneos na fronteira com o Peru. Tem pouco a oferecer, uma vez que os que lá se encontram querem tudo, menos voltar para seu país. A situação no Haiti está confusa, uma crise política com o presidente Jovenel Moïse enfrentando forte mobilização para que entregue o poder, uma vez que seu mandato constitucional se encerrou sem que eleições fossem realizadas. Em meio aos protestos por sua renúncia, o presidente denunciou uma “tentativa de golpe de Estado” e prendeu mais de 20 pessoas, incluindo um juiz do Supremo e uma chefe da polícia nacional. Quem quer voltar para casa assim?

Carnaval

Aliás, em ternos de pensamento, o presidente do Haiti tem grande semelhança com Bolsonaro. Também é um negacionista da pandemia e em meio à crise política e sanitária da COVID compareceu à abertura do carnaval no balneário costeiro de Jacmel, que atrai turistas endinheirados dos Estados Unidos.

Trocando as bolas

Mais uma vez aconteceu. Parece que quando se trata do norte do Brasil, os ministros não fazem a mínima ideia de onde estão. O novo ministro da cidadania, João Roma, trocou em discurso o Acre pelo Amapá. Logo o ministro da cidadania, com um erro de pelo menos cinco mil quilômetros de distância.

Amapá

O governo Bolsonaro tem problemas com o Amapá, muito mais do que com o Acre. Primeiro, deixou aquele estado quase vinte dias vivendo um apagão histórico ou pré-histórico, sem qualquer reação. O Ministro da Cidadania confunde o Acre com o Amapá e por último, as vacinas que deveriam ir para o Amazonas desembarcaram e, Macapá e as de lá em Manaus. Uma aula de geografia é necessidade urgente no Palácio do Planalto.

Amadorismo

É relaxo, displicência, incompetência. Se botar um macaquinho bem treinado, ele faz um trabalho de logística melhor do que o ministro, especialista no assunto. Triste!

Comentário

O jornalista Josias de Souza, da folha de S. Paulo repercutiu a reação de Bolsonaro que encerrou a entrevista coletiva no Acre, depois de perguntar sobre seu filho Flávio.

Josias diz em sua coluna que “a imprensa tem incontáveis defeitos. Mas desperta os instintos primitivos de Bolsonaro por conta de uma de suas principais virtudes: o cumprimento da missão jornalística de ajustar as aparências à realidade e não adaptar à realidade às aparências, como parece preferir o capitão”.

Papel

Prossegue Josias de Souza: “Não é papel da imprensa apoiar ou se opor a governos. Sua tarefa é a de levar à plateia tudo aquilo que tenha interesse público. Bolsonaro vive às turras com a imprensa porque é um personagem paradoxal. (...) Por sorte, o regime democrático brasileiro não depende de Bolsonaro. Enquanto vigorar a democracia, os presidentes continuarão devendo explicações à sociedade”.

Fora

Não coube todo mundo na festa do Bolsonaro. Alguns muito espertos ficaram de fora por falta de convite. Foi o caso do prefeito Mazinho Serafim, de Sena Madureira, que arrumou uma viagem à Brasília para retornar no avião presidencial. Não deu. Só cabia um prefeito, assim mesmo na parte de trás do avião, longe de Bolsonaro, o escolhido foi Bocalom, que governa a capital.

Casos

O Acre registrou quase 300 casos de COVID ontem e só não foi mais porque não se testou mais gente. A situação está grave. O prefeito de Rodrigues Alves está na UTI em Cruzeiro do Sul. Empresários e servidores graduados do governo do estado também estão acometidos da COVID.  Profissionais de saúde a beira da exaustão e alguns doentes porque a vacina demora a agir.

Lockdown

O governador Gladson Cameli anunciou “lockdown” só nos fins de semana e, ao mesmo tempo, medidas de flexibilização para o comércio, mantido aberto durante a semana, o que definitivamente não funciona!

O perigo é repetir o que aconteceu em Manaus, quando em dezembro se fez um “lockdown” meia boca. No mês seguinte, a fúria da doença veio ainda mais avassaladora.

Mais rigor

A COVID age rápido e a nova cepa é ainda mais desastrosa. E não escolhe dia ou hora. Acontece na semana, nos fins de semana, de noite ou de dia. Somente uma medida mais dura, com rigor e coragem de fechar TUDO, durante um tempo vai evitar que em março ou abril, o Acre esteja numa situação muito mais triste que a do Amazonas!

Desorganização

A prefeitura de Rio Branco segue confusa na gestão da vacinação, com falta de clareza nas datas e idades dos vacinados. Hoje pela manhã, 25, até a polícia foi chamada no posto de “drive trhu” próximo ao 7º BEC por conta da demora de horas e da informação que idosos com mais de 70 anos seriam vacinados e na verdade era somente para aqueles com mais de 74.

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