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Política OPINIÃO

COLUNA POLÍTICA | Insensatez

Bocalom vai atravessar o inverno chuvoso da capital sem ter levado um pingo de chuva, sem sequer enlamear a sola de seu sapato. Mas com o cartão de milhagem aérea bem encorpado.

22/02/2021 10h19 Atualizada há 4 dias
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Por: Redação Fonte: Acreaovivo.com
Prefeito Tião Bocalom. Foto montagem.
Prefeito Tião Bocalom. Foto montagem.

Insensatez

O governador Gladson Cameli, a primeira-dama Ana Paula, o presidente da Assembleia Nicolau Júnior, o prefeito de Cruzeiro do Sul, Zequinha Lima, de Sena Madureira, Mazinho Serafim, o Ministério Público, a sociedade acreana, influencers e personalidades de todo o Brasil se mobilizam na ajuda ao Acre. Só o que não se vê é por onde anda o prefeito da capital. Bocalom vai atravessar o inverno chuvoso da capital sem ter levado um pingo de chuva, sem sequer enlamear a sola de seu sapato.  Mas com o cartão de milhagem aérea bem encorpado. 

Quem avisa?

Alguém precisa avisar a atual gestão da Prefeitura que a população de Rio Branco precisa muito mais do que nota de solidariedade.

Sexo dos anjos

No ano de 1453, a Cidade de Constantinopla era a sede do Império Romano, considerada inexpugnável com suas muralhas, até que os turcos mulçumanos preparam o ataque decisivo. A cidade caiu sem reação, porque as autoridades, o imperador, os nobres, os religiosos estavam reunidos para discutir a grave questão se os anjos do Senhor tinham ou não sexo. É mais ou menos o que o prefeito está fazendo, debatendo se existe água potável no aquífero do segundo distrito, que não pode ser explorado sem laudos técnicos e ambientais e é considerado inviável pelos estudiosos da área. Enquanto isso, a cidade vive o caos e o abandono.

Outro

Mas não é só Bocalom que não se suja da lama. O senador Petecão faz reuniões políticas, sem se preocupar em somar esforços com a bancada acreana que busca soluções. Deixa o trabalho de combate à enchente para sua esposa, vice-prefeita Marfisa Galvão, aquela que postou vídeo parodiando o Titanic quando o São Francisco invadiu a cidade, melhor metáfora para exemplificar o afundamento precoce da gestão municipal que integra.

Campanha

Enquanto isso, puxada pelo Ministério Público, a campanha SOS Acre ganha o Brasil, sendo apoiada por personagens como Gloria Peres, Luciano Huck, Alok e tantos outros. Pela solidariedade nacional. Bonito assistir essa manifestação de apoio.

Não há o que fazer

O governador Gladson Cameli, que tem sido incansável em sua luta contra os problemas, a ponto de comparar o que acontece no Acre com a terceira guerra mundial, analisa que já não há muito o que fazer, principalmente quanto à explosão da conid-19. O que estaria a cargo do governo do estado foi feito. Faltaram duas coisas: maior ação de governo federal e mais compreensão por parte da sociedade dos riscos do colapso. Os negacionistas prevaleceram com suas ideias rasas e o resultado é esse que se vê. Muito triste.

Vinda

O presidente Bolsonaro vem ao Acre na quarta-feira. É bom que traga alguma coisa de concreto, além de simples promessas. Bem que poderia bancar o auxílio emergencial de R$ 150,00 para os afetados pelas cheias, o programa que o governo do estado pensa em lançar. Algo a se cobrar. A verdade é que depois da crise na fronteira em Roraima, do apagão no Amapá, do colapso na saúde pública no Amazonas, com mortes por falta de oxigênio, o Acre é o quarto estado amazônico a viver o caos no atual governo. E não me digam que é mera coincidência ou castigo dos céus.

Vacinas

Melhor seria se o presidente trouxesse vacinas, mas isso ele não tem. O país não se preparou, fez pouco caso da vacina chinesa, que é a única disponível, confiou na indiana, que aquele país anunciou que vai limitar para exportação, para atender as necessidades dos mais de um bilhão de seus cidadãos. Desprezou a oferta da Pfizer, esnobou a vacina russa, presente na Argentina e em dezenas de países e prefere fazer nova licitação para compra de cloroquina do que sair em busca do imunizante. Escolhas erradas. Arrogância exagerada.

Prejuízo

Pode ultrapassar R$ 100 milhões o prejuízo das enchentes em dez municípios para a produção rural do estado, segundo dados da própria agência de notícias do Governo. As áreas mais afetadas serão o cinturão verde de Rio Branco, a produção de peixes, pelo transbordamento de açudes, as lavouras que se aproximam da fase de colheita, a pecuária, com os efeitos da chuva nos pastos. Será boa parte do ano perdida na meta de aumento de produção.

Problema

O governo federal vai impor como condição para renovar o auxílio emergencial a proibição de aumento de salários, contratações, revisões de planos de carreira do funcionalismo público. Mais uma vez a parte de baixo da pirâmide social paga a conta. Tributar os mais ricos, cobrar os devedores da previdência e de impostos, cortar o pagamento de juros aos bancos pelas dívidas interna e externa, isso nem sonhar. Os economistas chamam isso de capitalismo, a população de lei do mais forte, que só penaliza os mais fracos e mais pobres.

Imagem

Uma imagem vale mais que mil palavras. A foto do médico e ex-prefeito Rodrigo Damasceno atendendo uma criança em um barco, com água acima da cintura, viralizou no país e incentiva as campanhas de doação para o estado. Realmente é uma imagem forte e mostra a situação extrema em Tarauacá. Damasceno disse que desistiu da política para se dedicar à medicina. Tomara que essa imagem seja uma prova disso e que não seja, depois, usada como arma publicitária em campanhas políticas.

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