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Política OPINIÃO

COLUNA POLÍTICA | Dengue sem controle

A dengue hemorrágica exige duas coisas para tentar salvar vidas: leitos de UTI e grande estoque de sangue para transfusão.

18/02/2021 19h00 Atualizada há 1 semana
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Por: Redação Fonte: Acreaovivo.com
O controle do mosquito Aedes Aegypti é fundamental para conter a Dengue
O controle do mosquito Aedes Aegypti é fundamental para conter a Dengue

Dengue

A dengue está se alastrando sem controle. Todas as cepas da doença já foram identificadas no estado, o que agrava a possibilidade da dengue hemorrágica que, geralmente, é uma recidiva da doença, com outro agente. A dengue hemorrágica exige duas coisas para tentar salvar vidas: leitos de UTI e grande estoque de sangue para transfusão. Geralmente, todo o sangue precisa ser substituído porque a doença anula o processo de coagulação, destruindo as plaquetas. No estado, o estoque de sangue está muito baixo por causa da pandemia e os leitos não dão conta de atender os pacientes com covid-19.

Prevenção

O segredo para se evitar a dengue é a prevenção.  A Prefeitura de Rio Branco parece que desconhece a necessidade de combater os focos do mosquito nos bairros. Pior ainda, não paga nem os trabalhadores da limpeza urbana, que poderiam estar roçando nos bairros e diminuindo a incidência do mosquito. Há uma leniência geral, uma apatia inexplicável. Na tentativa de economizar tostões, a Prefeitura põe em risco a vida das pessoas.

Caos na fronteira

Como se a situação pudesse piorar mais na grave crise humanitária na fronteira do Brasil com o Peru, em Assis Brasil, com mais de 400 imigrantes tentando atravessar para o Peru e de lá para outros destinos, descobriu-se que pelo 10 pessoas podem estar contaminadas pela covid-19. Desta forma é que o Peru não deixará mesmo a caravana entrar em seu território. O medo das autoridades daquele país é a entrada da variante amazônica do vírus, mais letal e de contágio mais rápido.

Volta

Os imigrantes que romperam a barreira e invadiram o país vizinho foram recebidos da forma mais dura possível, confinados e embarcados em ônibus que os deixaram do lado de cá da fronteira. Há o agravante do governo brasileiro – a jurisdição do caso é federal – não dar a mínima atenção ao problema, como se essas 400 pessoas não existissem. O Itamaraty não quer saber disso, não se mete, apesar dos apelos do governo acreano.

Equivocados

Enquanto a solução do problema da migração passa por solução diplomática, o Governo Federal prefere tratar a questão como caso de polícia, enviando policiais da Força Nacional para atuarem nas “atividades de bloqueio excepcional e temporário de entrada no país de estrangeiros”, conforme portaria do Ministério da Justiça e Segurança Pública, publicada no Diário Oficial da União desta quinta-feira (18). Alguém avisa à Brasília que o problema atual é a saída de imigrantes estrangeiros que estão no Brasil e não querem mais permanecer no País.

Enchente

O mago do clima no Acre, Dr. Friale está prevendo que a partir de hoje o rio Acre pare de subir na capital e comece a vazante. Tomara. Rio Branco não se preparou para a enchente. Os abrigos de lona no Parque de Exposição configuram a opção mais barata e precária de assistência.

Descaso

Vereadores denunciam descaso das equipes de saúde com os desabrigados, a falta de assistência material, a escassez de donativos. Não há uma campanha organizada para ajuda. Tudo é improvisado, com conotação política. Muito triste. Precisa que o Governo do Estado intervenha, que a primeira-dama Ana Paula tome a iniciativa, que o pai e a mãe do governador façam a doação de cestas básicas. A municipalidade se preocupa em decretar emergência para facilitar processos que passam a não depender de licitações.

Contágio

Quase 54 mil acreanos foram infectados pela Covid-19. São 940 mortes. O contágio está chegando ao que a ex-prefeita Socorro Neri postou nas redes como imponderável. Hospitais particulares temem falta de oxigênio. A Policlínica suspendeu atendimento de urgência e emergência. A Unimed só vai aceitar clientes de seus planos. Mais de 10 pacientes esperam vagas de internação em UTIs, o Governo estadual corre a abrir vagas e leitos, mas a demanda é sempre maior. E na terça-feira do carnaval teve aglomerações em vários pontos da cidade. E sem máscara, que ninguém é de ferro.

Ônibus

Para piorar, ainda teve a cereja do bolo, com a greve de ônibus, com 24 linhas paradas. Parece praga de madrinha. Tudo de ruim acontecendo ao mesmo tempo. Enquanto isso, parte da classe política tenta faturar em cima da desgraça. O senador Márcio Bittar promete tantos milhões para o Acre que vai faltar lugar para guardar o dinheiro. Só falta chegar, porque de promessa, o céu está cheio.

Crise

O deputado Neném Almeida entrou em conflito com o Governador e teve toda sua estrutura no IDAF demitida. São as injunções políticas. Gladson Cameli também mudou o comando da Secretaria de Desenvolvimento, órgão responsável por elaborar os projetos e que vem sendo um calo na administração, não conseguindo agilizar licitações e acompanhar o ritmo desejado pelo Governador. E isso é só o ensaio das mudanças que virão.

Prioridade

Governadores da região Norte querem prioridade para a vacinação da Covid-19. Chegou-se a elaborar um cronograma em que o Acre aparece como o terceiro estado a ter toda a sua população vacinada. Difícil ser concretizado, Os demais estados não vão aceitar. Cada um tem seus problemas, sua conveniência, sua força política. O governo federal é que tem que apressar o suprimento de vacinas. É a solução.

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