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O que será depois da pandemia?

Os números de pessoas contaminadas continuam robustecendo as estatísticas, as curvas dos fatos não criam estabilidade para achatar com resistente envergadura o arco da linha mestra dos óbitos pela COVID-19 no planeta

23/07/2020 17h16 Atualizada há 4 meses
Por: Denis Henrique Fonte: Acreaovivo.com
O que será depois da pandemia?

Por Bethe Oliveira

O que será do mundo depois da pandemia?

Eu não ousaria responder esta pergunta quando o mundo todo não tem respostas para as inquietações quanto às incertezas do futuro que o vírus está semeando no presente. Nem Harvard, nem a UFAC, nem as excelsas sociedades secretas, nem os grandes inventores, nem o mercado financeiro, nem a minha mãe que tem tanta sabedoria de vida.

Os números de pessoas contaminadas continuam robustecendo as estatísticas, as curvas dos fatos não criam estabilidade para achatar com resistente envergadura o arco da linha mestra dos óbitos pela COVID-19 no planeta. Ainda não há vacina e a cura da infecção é um dos desafios para a ciência moderna.

Muitos falam de um “novo normal” sem ao mesmo questionar o “antigo”. Há uma transição e é preciso espelho para analisar os fatos. O que precisa ser destruído do velho normal para começar o novo? O que caducou e mudou de cor e de forma? O atual padrão de acumulação da riqueza que alimenta a fábrica de pobres absolutos é normal e aceitável? O que é “o normal”? O isolamento é processo transitório que separa e unifica o dual joio do trigo? Qual a velocidade do mundo, parou? A economia colapsou ou está em franca derrocada? O que está mudando no mercado financeiro, na arquitetura das cidades e das corporações? Como será a base da “nova matriz energética” e dos “novos protocolos” internacionais para a proteção dos direitos humanos para os humanos?  Quanto já se introduziu de inovação no atual modelo de educação formal? O que direcionará o “novo pensamento”? Haverá uma “nova escola” para as “novas crianças” na transfiguração do “novo mundo”? Até que ponto os adultos estão dispostos a mudar para que o “novo normal” se estabeleça? Qual será o “novo pensar” sobre as “novas coisas” de uma “nova cultura” depois do vírus? Como será o “novo abraço” sem o toque sensível na pele?

A minha esperança é que a pandemia recolha e leve consigo a mecânica lâmina mordaz do sistema que corta fundo e penetrante a carne humana. O “novo normal” anseia por um “novo pensamento”.

Embora o mundo virtual tenha servido para aproximar tudo aquilo que ficou milimetricamente distante (na distância segura de um estorvo), a humanidade precisa reposicionar a ética que privilegia enormemente a cor da pele e o gênero humano, por exemplo. As falsas biografias, criadas por apropriação criminosa de culturas ancestrais, devem ser queimadas.

Tenho passeado por alguns ecossistemas virtuais e me impressiona a excessiva simbiose entre a inteligência humana e artificial em milhares de universos habitados por seres multidimensionais.

Nesta quarentena ainda não me apeguei a nada que pudesse ser mais vasto do que a literatura e confesso a minha ignorância e pequenez em não conseguir apreciar com devoção nos olhos eletrônicos inocência maior do que a que vi nos olhos mornos da nordestina Macabéa de Clarice (ou Rodrigo S. M.), nem poesia mais porosa do que as de Homero, nem sertões mais ásperos ou vereda mais úmida que não fossem as de Euclides ou Guimarães e ainda depravação mais beata e eloquente do que a de Hilst.

Meus pés ainda tocam a terra seca de um tempo que não passou, dentro de mim ainda é velho e tem cheiro de roupa rasgada por excessivo uso, meu relógio ainda faz tic-tac, embora tenha me alegrado nos poucos mergulhos feitos noturnamente pelas redes sociais onde uma geração inteira, outrora esquecida e silenciada, está se revelando, ganhando voz e notoriedade via os inúmeros canais – os universos negro, indígena, mulher, LGBTQ+ e surpreendentemente jovens da periferia abrindo janelas, derrubando muros e criando uma “nova linguagem afetiva”. Há uma sabedoria em tudo isso.

É momento de reformular a cartografia mental, estruturar uma “nova educação”, onde as crianças sejam ensinadas a pensar, a formular ideias, a desenvolver o poder e o ato da imaginação criativa a partir de um conhecimento profundamente aprendido por identificação intelectual de sua própria inteligência cognitiva.

Lógica e indefinida, a “nova educação” terá um quê de ancestralidade, uma espécie de fusão do tempo e acredito que muitas ciências esquecidas deverão ser resgatadas para que possamos prenunciar o “novo verbo”. A arte será uma ciência quase religiosa quando todos puderem retirar as pesadas e opacas máscaras. A realidade está posta para aqueles que conseguem ver.

Sei bem que o futuro nem de longe será da forma como organizo o meu mundo no plano das ideias, mas como predizê-lo diante de tantas incertezas sem a necessária e indispensável forma de fé, quando a ciência possui somente uma meia verdade? Se não há como prever o “novo mundo”, quero ao menos desejá-lo fora dos muros invisíveis do quadrado que nos aprisiona. O “novo normal” é espectro de um “novo mundo”. Como é o seu? Está nascendo um “novo mundo”. Será?

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Antonia Tavares
Sobre Antonia Tavares
Economista. Especialista sênior em planejamento estratégico e gestão pública. Escritora de Loucas e bruxas, bruxas e loucas: contos e poeminhas
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