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Angelina Freitas

A vida em Los Angeles - por Angelina Freitas

Escutei uma enxurrada de criticas sobre a vida de LA

02/10/2019 08h05
Por: Denis Henrique Fonte: Acreaovivo.com
A vida em Los Angeles - por Angelina Freitas

Garota eu vou pra Califórnia viver a vida sobre as ondas, vou ser artista de cinema, o meu destino é ser star. A música até que rima bem, mas a realidade da Califórnia é uma outra coisa. Eu cheguei a uma conclusão que temos sempre que acreditar um pouquinho na opinião alheia, quando a opinião for baseada em fatos reais e principalmente quando várias pessoas estão te dizendo à mesma coisa, a probabilidade de ser verdade é grande.

Comecei falando isso porque a experiência que eu tive me serviu de lição. Programei para me mudar para o sul da Califórnia. Quando eu disse aos meus amigos de Nova Yorque que eu iria para Los Angeles, também conhecida como La La Land ou LA (élei) a reação de todos foi muito parecida. Escutei uma enxurrada de criticas sobre a vida de LA.

Todos diziam que a cidade é superficial, que tudo é fake (falso), que as pessoas de Los Angeles vivem no mundo da fantasia e que era um lugar difícil de fazer amizades, que não existiam muitas pessoas cultas e inteligentes pra conversar e por ai vai...

Argumentei muito com os meus amigos dizendo que comigo seria diferente, falei que eu não estava indo para Los Angeles para ser atriz ou cantora, e que eu iria ficar longe do pessoal de Hollywood, e eu não teria nenhuma conexão com a indústria do entretenimento, e claro, com certeza essa vida de aparências e futilidades não iria fazer parte do meu dia a dia.

Errei feio!!!

Acreditei tanto nas minhas palavras que não tinha ninguém que me convencesse ao contrário. Até que um dia a experiência me mostrou a real.

Morei 2 anos em Los Angeles e me bastaram para eu descobrir que aquele lugar não era pra mim. Que tudo aquilo que eu tinha escutado falar sobre LA era verdade, que a indústria do cinema era que ditava as regras pra todos, e que seria impossível viver isolada, embora tenha pessoas que depois de um tempo se isolaram, mas não é o meu caso, até porque adoro o convívio social.

Eu percebi que as pessoas vivem num tipo de isolamento ou em grupo, se unem porque vivem no mesmo bairro. Ou tem aqueles que vivem no mundo deles, fechados dentro das suas casas. Você não sai do seu bairro pra ir para outro lugar longe, porque o trânsito é crucial e as distâncias são enormes. Se você tem um amigo que mora num bairro distante, para vê-lo é como programar uma viagem, fazendo um cálculo de quantas horas você vai precisar pra chegar lá, evitando as freeways engarrafadas. Por esse motivo as amizades ficam precárias devido às distâncias que os separam.

Outra coisa que me deixou impressionada foi a frustração da maioria das pessoas que vivem em LA. Escutei várias lamentações vinda de motorista de uber, caixa de supermercado, garçonetes, hostess de restaurante e bancários. Muitos deles são jovens, bonitos e talentosos que tiveram que procurar outros tipos de emprego para poder sobreviver. Los Angeles atrai sonhadores, que estão em busca da fama na carreira artística, mas quando chegam em Hollywood se deparam com um mercado cruel e competitivo, e muitos não conseguem exercer a profissão almejada e o resultado é uma onda de frustrações. Poucos são os que conseguem chegar até lá.

Não posso esquecer-me de falar sobre os homeless, que são os mendigos de rua. Um grande problema que existe por lá. Nunca pensei em ver tanto morador de rua como eu vi em Los Angeles, em São Francisco é ainda pior. Os mendigos preferem morar na Califórnia porque tem uma temperatura ótima todo o ano e o governo local dá muito suporte pra eles.

Tentei ser feliz na Califórnia, fiz algumas amizades com pessoas reais, um pouco raro de encontrar, mas tive essa sorte, gente que morava no meu bairro.

Comecei a fazer Yoga, experimentei marijuana, o bagulho é legalizado e você pode comprar em qualquer lugar, fiz hiking em algumas montanhas, quase virei vegetariana, passei a comer alimentos orgânicos, abacate passou a fazer parte das minhas refeições. Os californianos tentam ter uma vida saudável e eu fui na onda deles.

Fiz vários passeios sozinha, gostava muito de Malibu, nos finais de semana era pra lá que eu ia. De Beverly Hills, onde eu morava até Malibu sem trânsito eu fazia em 1 hora de carro. Gostava de caminhar pela praia, não entrava na água porque é muito gelada. Me divertia explorando aquela área e sempre encontrava um restaurante legal pra almoçar, achava as pessoas de Malibu muito mais interessantes.

Eu pegava a PCH (Pacific Coast Highway) e ia costeando o mar, me sentia como se estivesse naqueles filmes californianos, com uma paisagem linda e ainda selvagem, e pela estrada você vê aquelas camionetes antigas cheia de pranchas de surf, um surfista loiríssimo trocando de roupa perto do seu carro, os motor home parado nas encostas, cenas como essas são muito comum na PCH.

Mas o tempo estava passando e eu não conseguia me encaixar naquele lugar, até que eu decidi deixar o West Coast (a costa oeste) e voltar para o East Coast.

Posso dizer que a minha temporada em Los Angeles foi boa, não voltaria a morar lá, disso eu tenho certeza. A Califórnia é um estado lindo, com praias, montanhas e deserto, onde você pode estar na cidade numa temperatura agradável e dirigir por 2 horas e chegar no topo da montanha pra ver a neve, e lá de cima você vai avistar o deserto, é incrível ver tudo isso tudo num só lugar. É essa junção de coisas diferentes que faz esse estado ser especial.

Se você tiver uma chance, não deixe de visitar a Califórnia.

Hasta la vista Los Angeles!

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Angelina Freitas é jornalista brasileira radicada nos EUA

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Sobre Angelina Freitas
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Atualizado às 16h43 - Fonte: Climatempo
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