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Aventura Sobre Duas Rodas: A Expedição Honda RedRider pelas Chapadas dos Veadeiros e Diamantina

Oito dias de pura adrenalina, natureza exuberante e descobertas culturais.

23/02/2024 às 12h28 Atualizada em 23/02/2024 às 13h44
Por: Redação Fonte: Acreaovivo.com
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RedRiders se desafiaram no off-road pela Chapada Diamantina. Foto: Cassiano Marques
RedRiders se desafiaram no off-road pela Chapada Diamantina. Foto: Cassiano Marques

Por Socorro Camelo

As imponentes chapadas dos Veadeiros e Diamantina se tornaram o cenário escolhido durante o período carnavalesco, para uma empreitada audaciosa: a Expedição RedRider "Chapadas e Aventuras", evento do programa de relacionamentos da Honda, com operação da empresa EME Amazônia.

O nome dado à expedição foi apropriadamente escolhido para a ocasião e reflete a essência do destino explorado.

Composta por um grupo seleto de aventureiros, a expedição teve a duração de oito dias, percorreu trilhas desafiadoras e desvendou vistas de beleza arrebatadora, que prometem permanecer na memória dos participantes muito além da aventura.

O percurso não apenas testou a resistência e a coragem dos envolvidos, mas também revelou panoramas naturais de tirar o fôlego, consolidando a experiência como um marco no turismo de aventura.

A bordo de seis motocicletas robustas Africa Twin, uma camionete de apoio e corações repletos de coragem, eles desbravaram trilhas off-road, mergulharam em cachoeiras cristalinas e exploraram a rica cultura local, vivenciando o dia a dia das comunidades por onde passavam.

Pamonharia da Vó Delmira

Saindo de Brasília nas primeiras horas da manhã, os expedicionários escolheram a famosa pamonharia da Vó Belmira, como primeira parada. O local é a principal atração no caminho da Chapada dos Veadeiros.

“Comer pamonha à beira da estrada foi um dos muitos prazeres simples que nos reconectaram com as raízes do Brasil. E traz memórias fantásticas porque minha família sempre se reuniu em torno do feitio das delícias de milho ", relata Rafael Carvalho, um dos participantes. Com a esposa Sara Muniz na garupa, o casal integrou a expedição até a cidade de Alto Paraíso, em razão das filhas pequenas. “Nós adoramos esse tipo de viagem e estaremos na próxima viagem com o RedRider com certeza”, disse Sara, refletindo sobre a riqueza das experiências culinárias vivenciadas.

“A cada curva e trilha superada, a gente sente que os desafios estão aí para se vencer. Enfrentar os desafios naturais das chapadas, e mergulhar na rica cultura da região, era tudo o que eu queria” reforçou Rafael.

Desafios e Conquistas

As chapadas dos Veadeiros e Diamantina são conhecidas por suas trilhas desafiadoras e a expedição Honda RedRider não foi exceção. Encarando percursos com riachos, estradinhas com pedra e lama, os exigentes do off-road, testaram seus limites e habilidades, fortalecendo o espírito de equipe e a paixão pela aventura. "Cada obstáculo superado era uma vitória, uma lembrança de que somos capazes de muito mais do que imaginamos", afirma Fabio Lima, que veio de São Paulo especialmente  para participar da Expedição Chapadas e Aventuras. “Foi minha melhor viagem que já fiz na minha vida, foi fantástico. Voltei outra pessoa”, conta.

Matula, a melhor comida

O Rancho do Waldomiro é um dos restaurantes mais famosos da Chapada dos Veadeiros, na estrada que leva à Vila de São Jorge, próximo ao Morro da Baleia. Com chão batido, telhado de palha e estrutura de madeira, o restaurante é parada obrigatória na Chapada. Ali a comida é simples, mas deliciosa. É onde tem a famosa matula, uma espécie de feijoada do cerrado, com vários tipos de carne, linguiça, miúdos, temperados com cúrcuma. No cardápio tem ainda a paçoca de carne e a famosa carne de lata, quando o alimento é conservado na banha de porco.

Além da matula, o restaurante oferece uma extensa “carta” de cachaças e licores produzidos por ele no rancho, todos com direito a provinha, e algumas opções de doce, para ajudar na digestão e fechar o almoço na felicidade.

Nos despedimos com algumas garrafas debaixo do braço e um sorriso imenso na cara.

Voando alto

Entre os desafios e aventuras vivenciados pelos participantes da Expedição Honda RedRider, a tirolesa Vôo do Gavião, na Fazenda São Bento em Alto Paraíso, foi um momento marcante. Com uma extensão de 850 metros e a uma altura de 100 metros acima do solo, a tirolesa proporcionou uma experiência única de superação e aventura.

Os participantes tiveram que vencer o medo e a adrenalina para deslizar pela tirolesa, apreciando a vista deslumbrante das chapadas dos Veadeiros. Para alguns, foi a primeira vez que enfrentaram um desafio desse tipo, o que tornou a experiência ainda mais emocionante. “Era o meu sonho e eu amei cada segundo dessa aventura”, contou Mariana Marques, 19 anos, a expedicionária mais jovem do grupo.

A tirolesa foi um teste de coragem e determinação para os participantes da expedição, mas também foi uma oportunidade de celebrar a superação de limites e a conquista de novos desafios.

Conexão com a Natureza

Além dos desafios, a expedição foi uma oportunidade de reconexão profunda com a natureza. Banhos de cachoeira nas águas cristalinas das chapadas proporcionaram momentos de renovação e contemplação. "As cachoeiras foram um presente da natureza, uma chance de lavar a alma e renovar as energias para continuar nossa jornada", descreve Jefferson Zocatelli, capturando a essência transcendental desses momentos.

Brasil preservado, Brasil produtivo

Ao longo do percurso, os riders cruzaram dois parques nacionais, áreas de proteção ambiental, parques estaduais, com paisagens de tira o fôlego, como a pouco conhecida Terra Ronca com seus paredões incríveis que guardam incontáveis cavernas, quase na divisa de Goiás com a Bahia.

No oeste da Bahia, o cenário do agronegócio toma conta da paisagem com extensas áreas de produção agrícola, como soja, milho e muitas frutas. No município de Mucugê, no entorno do Parque Nacional, o destaque para a produção de uvas e vinhos premiados.

Casarão mal assombrado

Teria sido um contratempo, se não fosse mais uma aventura única para os participantes da expedição. Devido ao horário tardio em que concluíram as trilhas e atravessaram os riachos, pela antiga estrada do garimpo, os aventureiros viram-se na necessidade de buscar abrigo para a noite. A solução encontrada foi o Casarão do Roncador, localizado no município de Andaraí, uma propriedade acolhedora que prometeu muito mais do que apenas um teto sob o qual descansar.

A dona do Casarão do Roncador, Dona Val, preparou uma deliciosa refeição no fogão à lenha. E pensa em uma comida boa que só de lembrar dá água na boca: arroz, feijão, farofa de banana, carne de panela, macarrão, mandioca… pai do céu, comida que não acabava mais.

O almoço é preparado com muito amor pela própria Dona Val, que nos recebeu com muito carinho e simpatia. E o aperitivo é dos melhores, para quem é chegado a uma cachacinha. Tem para todos os gostos e opções bem diferentes: algumas preparadas com ervas, plantas e outras coisas mais exóticas como cobra (eca!). Fica esperto no que vai querer experimentar e não se esqueça: aprecie com moderação.

Tudo isso proporcionou aos viajantes um caloroso conforto em meio ao inesperado pernoite. Mas a hospitalidade da família não foi o único elemento que capturou a atenção do grupo; o Casarão, segundo relatos de Dona Val e de seu filho Eduardo, era mal-assombrado.

Histórias de um feitor que, nas sombras da noite, manifestava sua presença através de atos como atirar copos e pratos ou arrastar colchões pelos quartos, adicionaram um elemento de mistério e emoção à estadia.

A lenda local conta que o Casarão do Roncador pertenceu a um homem rico e cruel, conhecido por maltratar aqueles que o serviam. Hoje, objetos como correntes que teriam sido usadas pelo algoz ainda podem ser vistos, servindo como um sombrio lembrete do passado. Entre risadas nervosas e olhares curiosos, os aventureiros exploraram o ambiente, divididos entre o ceticismo e a fascinação pelas histórias contadas por seus anfitriões.

A experiência no Casarão do Roncador, embora inesperada, enriqueceu a expedição de maneiras que ninguém poderia antecipar. A hospitalidade de Dona Val, o calor do fogão a lenha, e as arrepiantes histórias do passado transformaram essa parte da viagem em uma memorável aventura, provando que, mesmo nas circunstâncias menos ideais, é possível fazer do limão uma saborosa limonada.

Libera Costabeber: Uma Força Feminina na Expedição

A presença de Libera Costabeber na expedição elevou a experiência a um novo patamar, transformando-a numa atração à parte com sua beleza cativante e determinação férrea. Como piloto, ela exibiu uma técnica invejável, destacando-se não apenas pela habilidade ao manobrar entre desafios naturais, como riachos e estradas íngremes, mas também pelo papel importante que desempenhou ao inspirar e auxiliar os aventureiros menos experientes.

A presença desta exímia piloto e embaixadora da Honda foi mais do que inspiradora; foi uma prova viva da força e determinação femininas no mundo da aventura. Ela reforçou a mensagem de que coragem e competência transcendem gênero, enquanto simultaneamente desmentia o estigma de que beleza e habilidade não podem coexistir.

Com Libera, a expedição ganhou uma dimensão de empoderamento e excelência, provando que um rosto bonito, aliado à destreza e ao destemor, pode, de fato, mover montanhas.

A Sabedoria do Guia Samuca

Um destaque especial da viagem foi a interação e amizade com o guia local Samuca, que é de Lençóis, mas acompanhou todo o trajeto na Chapada Diamantina. Com seu vasto conhecimento sobre a região, Samuca não apenas conduziu o grupo por caminhos menos conhecidos, mas também compartilhou histórias e ensinamentos que enriqueceram a experiência de todos. "Aprender sobre a história local e as formações geológicas com o Samuca foi como abrir um livro vivo", comenta Fábio Lima, um dos participantes, evidenciando o impacto cultural e educacional da expedição.

O Encanto do Morro do Pai Inácio

A chegada à Bahia foi um prelúdio do que estaria por vir, com o cenário deslumbrante preparando o palco para um dos pontos altos da expedição: a escalada do Morro do Pai Inácio.

Apesar das motocicletas serem as protagonistas desta aventura, foi a pé que os aventureiros conquistaram o cume deste emblemático morro, cada passo um testemunho da beleza imponente da natureza baiana.

Do topo, a vista panorâmica serviu como um lembrete poderoso da grandiosidade do Brasil e da pequenez das preocupações cotidianas diante da magnitude da natureza. E Samuca, o melhor guia turístico da região, com toda sua sabedoria contou a história de Inácio, um escravo que deu nome ao morro e que se apaixonou pela filha do patrão e por isso teve que fugir e se aventurar pelo morro, do hoje denominado, Pai Inácio.

A Força da Amizade e da Liderança

Ao longo dos dias, entre desafios e descobertas, formou-se um laço inquebrável de amizade entre os participantes. A superação conjunta de obstáculos, desde a travessia de riachos até a navegação por caminhos desconhecidos, solidificou um senso de companheirismo e apoio mútuo. Cassiano Marques, condutor e líder da expedição, foi peça chave nesta jornada, guiando o grupo com uma liderança firme e empática, sempre focado na segurança e no bem-estar de todos.

Mais do Que Uma Viagem

Roger Marconni piloto que mora em Brasília, disse que após a expedição se sente apto a pilotar uma moto por estradas íngremes e difíceis. “Foi uma superação. E soube ali que somos capazes de superar todas as dificuldades”, disse ele que elogiou o condutor Cassiano por seu cuidado e atenção com todos.

Para Cassiano Marques a Expedição Honda RedRider pelas chapadas dos Veadeiros e Diamantina, foi mais do que uma simples viagem; foi uma jornada de autodescoberta, superação e conexão. “Cada participante levou para casa não apenas memórias de paisagens deslumbrantes, mas também lições de vida, amizades construídas no caminho e uma renovada paixão pela aventura”, enfatizou o piloto e advogado e condutor da expedição Cassiano Marques.

“Esta expedição nos ensinou sobre a importância de preservar nossas belezas naturais, valorizar as culturas locais e, acima de tudo, acreditar na capacidade humana de superar desafios", conclui o líder da expedição, já com os olhos no horizonte, antecipando a próxima aventura.

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